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domingo, 25 de março de 2012

Triângulo amoroso inspira as melhores manifestações da arte

´Série de Tv Capitu. Imagem: Divulgação

Com a disseminação da pornografia pelos canais de televisão fechados e até abertos, nas revistas, e até mesmo na internet, a pergunta que se faz é se houve ou não maior motivação para o adultério. As opiniões se dividem e as correntes tendem para o moralismo, com pseudos argumentos inclusive, e outros para uma crença que o temor da Aids e a emancipação feminina preponderam muito mais para uma monogamia mais racional e mais blindada aos arroubos impetuosos.
Fatal como a morte, o triângulo amoroso tem servido ao longo da existência humana de "matéria prima" para os artistas, os quais encontram no amor a três inspiraçãoe beleza estética. Literatura, cinema e música são impregnados pelo tema, como se os tormentos fossem expiados e sublimados pelo imaginário criador.

Madame Bovary, de Flaubert e Ana Karenina, de Tolstoi, são exemplos clássicos da literatura universal que abordam a infidelidade nas relações amorosas. Ambas as personagens femininas, talvez punidas pelo inconsciente machistas, pagam com a vida o preço de suas buscas de amor: Madame Bovary é envenenada e Ana Karenina se joga tragicamente de um trem.
A literatura brasileira reserva também um bom número de histórias de adultério e traições. Dom Casmurro, de Machado de Assis, mostra uma Capitu capaz de levar seu amante ao delírio de ciúmes e desconfianças. Ela igualmentente não sobrevive até o final do romance.
Do mesmo modo é farto o assunto no cinema: Amargo Regresso, a Bela da Tarde, Esposamente, Atração Fatal...Agora, pelo menso dois ironizam radicalmente o mais prosaico instrumento inventado pelo homem para garantir a fidelidade de suas mulheres, o cinto de castidade. "Tudo que você queria saber de sexo', de Woody Allen, e Obscuro objeto de desejo, de Buñel, relembram a peça criada pelos que partiam para as Cruzadas, na Idade Média, com a certeza de que se vivos retornassem para seus lares, trariam sobre suas cabeças apenas os louros da vitória.
Cena de A Bela da Tarde

As desditas amorosas provocadas pelas mulheres que buscam outros braços para seus alentos tiveram nos compositores da velha guarda da Música Popular Brasileira um campo fértil de inspiração muscial, sendo os seus principais expoentes Noel Rosa e Lupíscínio Rodrigues, com as composições "Vingança" e "Nervos de aço". O tema é também retomado por Roberto Carlos (Detalhes) e Chico Buarque (Olhos nos Olhos).
Para mim, a mais impressionante obra que trata da não aceitação da perda amorosa está no filme "A mulher do lado", de François Truffaut. A personagem mata o amante e em seguida se mata. no seu túmulo é escrito o epitáfio "Nem com você, Nem sem você".

sábado, 28 de maio de 2011

A filosofia que aprofunda e diverte o cinema de Wood Allen



Woody Allen sempre namorou a filosofia, as artes e as mulheres como forma de fazer humor no cinema e no teatro. Com baixo orçamento, teve uma profíqua produção, em que sempre oscilou entre obras regulares e brilhantes.
Manhatan, filmado em preto e branco, é uma obra exemplar de bom gosto. Ele não cita nenhum de seus autores preferidos,como Kierkegard, Sartre, Espinosa, Hume, Kafka e Camus, mas essa é a base de sua filosofia, que muitas preferiu tratar com bom humor: "Querem saber como comecei a minha filosofia. Foi assim: minha mulher, ao convidar-me para provar o pri meiro suflê de sua vida, deixou cair acidentalmente ma fatia dele no meu pé, fraturando com isso diversas artérias.
Numa das últimas cenas de Manhattan, assistimos a esse bom gosto:
Uma ideia para um conto sobre pessoas em Manhattan que vivem criando esses problemas reais, desnecessários e neuróticos em que se metem porque as impedem de pensar nos problemas insolúveis e aterradores do universo. Vamos ver… Bem… Tem de ser otimista.. Certo, tudo bem, por que vale a pena viver? Essa é uma ótima pergunta… Bem, penso que há certas coisas que fazem ela valer a pena… hm… como por exemplo…? Ok … Para mim eu diria que Groucho Marx é uma delas… E Willie Mays também… E o segundo movimento da sinfonia Júpiter.. Potato Head Blues, de Louis Armstrong… Filmes suecos, naturalmente.. Educação Sentimental, de Flaubert… Marlon Brando… Frank Sinatra… Hm… Aquelas maçãs e peras incríveis da Cézanne… hm… Caranguejo no Sam Woo’s… E… O rosto da Tracy