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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Paramotiense tem poesia selecionada em concurso estadual

Escritora Katiana Queiroz
A poesia ‘Lancelote e Canarinho’, escrita por Katiana Queiroz, será publicada pela Secretaria da Educação do Ceará, no próximo ano, na coleção de literatura infantil “Paic, prosa e poesia”. A obra foi escolhida na categoria dois, destinada às crianças de 7 e 8 anos, por meio do 3º Concurso Literário do Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic).

Com 10 estrofes – de seis, oito e dez versos –, o texto destaca a realidade do sertão, através de Lancelote (cavalo) e Canarinho (jumento). Foram três dias de produção e duas semanas para revisão da poesia, de acordo com a escritora, que buscou inspiração na infância, vivida na comunidade de Iracema, zona rural de Paramoti. “Com meus pais, Mauro Barbosa e Maria Hosana, a quem dedico esse primeiro trabalho, descobri a magia das histórias e o mundo mágico das letras”, emociona-se.

Katiana, que é coordenadora pedagógica da Escola Municipal Professora Terezinha Feijó, diz que ‘Lancelote e Canarinho’ é a primeira de muitas outras histórias que virão. “Fiquei muito feliz por poder dar um primeiro passo para a concretização de um sonho: escrever para crianças”. Ainda conforme ela, ter o texto entre os 36 selecionados pelo concurso literário é, de fato, gratificante. “A oportunidade dada pelo Paic para os escritores cearenses divulgarem seus trabalhos incentiva-nos, ainda mais, levar a leitura às crianças”.

Fonte: Assessoria de imprensa.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Bandeira fazia poemas como quem morre

Desencanto
(Manuel Bandeira 1886-1968)

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A doceira Cora Coralina tem poesia com todos os sabores e matizes

Todas as Vidas
Cora Coralina
(1889-1985)


Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!

sábado, 28 de abril de 2012

Ode ao amor do mar é o poema à flor da pele de Barros Pinho



Ode ao Amor do Mar


(José Maria Barros Pinho (1939-2012)

Gosto do mar
pelo absurdo
sensual
de suas sereias

pelo encrespar
do vento
no ventre
de peixes
abomináveis

pelo lésbico
despudor
das ondas
violentando
as águas

gosto do mar
absorvendo
sol
na máscara
de bronze
dos pescadores

gosto do mar
mistério azul
das mulheres-marinhas
visivelmente estranguladas

gosto do mar
concupiscente
e paradoxal
em seus horrores.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Secretaria de Cultura promove homenagem a Monteiro Lobato


Na segunda edição do Cultura na Praça, a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará faz  uma homenagem a um dos principais escritores que descreveu os costumes e lendas do folclore de um Brasil plural, Monteiro Lobato. Contação de histórias, oficinas de origami, teatro, a sonoridadedas crianças da Casa Esperança, oficina de Roi-Roi, exposição das obras de Monteiro Lobato e o ônibus da Biblioteca Volante, fazem parte da programação desta sexta, 27, das 10h às 17h, na Praça do Ferreira. As atividades alusivas ao Dia Nacional do Livro Infantil valoriza e reafirma o compromisso da Secult em disseminar iniciativasde arte, cultura, educação e cidadania para os fortalezenses com atividades programadas pela Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel

Com acervo composto por cerca de 3000 livros, distribuídos entre literatura infanto-juvenil, obras de referência e obras gerais, o ônibus da Biblioteca Volante abre a programação do Cultura na Praça convidando o público presente a conhecer uma composição de obras que inclui a produção de escritores e editoras cearenses, contemplando todas as faixas de idade. Dentro deste universo das viagens literárias, haverá contação de histórias, realizada pelos servidores, Tamires Diego e Luis Carlos, do setor braile da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel e exposição das obras de Monteiro Lobato.

O contato com aliteratura dá asas à imaginação das crianças na oficina de origami de Fátima Siqueira onde o papel reciclado, ganha formas,junto ao conceito da sustentabilidade na arte. A brincadeira segue viagem na oficina de Roi- Roi, ministrada por Ranilson? transformando madeira em jogo divertido para a criançada.

A diversão continua com a música das crianças da Casa da Esperança e com o teatrinho sobre o mosquito da Dengue, realizado pelos funcionários da Biblioteca, e com mostra de documentários do cineclube do Sobrado Dr.José Lourenço em comemoração aos 286 anos de Fortaleza. A ação pulsante do Cultura na Praça já é parte integrante das manifestações culturais da Praça do Ferreira com dia certo no calendário cultural da cidade, a ultima sexta-feira de cada mês,promovendo um encontro com as artes do Ceará.


Serviço: Cultura naPraça

Local: Praça doFerreira

Horário: das 10h às17h.


Para solicitar aBiblioteca Volante no seu bairro e na sua cidade:

e-mail:bibliotecavolante@secult.ce.gov.br

quarta-feira, 7 de março de 2012

Engraçadinha encerra publicações que homenageiam Nelson Rodrigues



"Nelson é o maior escritor mundial. Se não fosse o idioma, que bem poderia ter sido o Espanhol, seria consagrado no mundo todo, assim como deveriam ter sido Guimarães Rosa e Machado de Assis". A afirmação é do psiquiatra e escritor Airton Monte, ao prestar sua homenagem no Sobrearte pelo centenário de Nelson Rodrigues.
Segundo Airton Monte, como todo artista esteve muito à frente de seu tempo. Por tanto, não lhe cabe os rótulos de direitista ou racista. "Wagner era racista, anti-semita, mas deixou uma obra fabulosa", compara. No caso do romancista e teatrólogo, diz que a peculariedade  maior na sua bibliografia é a ênfase que deu aos dramas familiares. "Nelson trouxe a família de classe média para dentro da sua dramaturgia ou para suas crônicas", diz o psiquiatra e escritor. Daí que temas tabus como incestos, obsessões, abortos, traições das mulheres e dos homens são recorrentes na vida real até hoje.
Nelson Falcão Rodrigues, dramaturgo, romancista e jornalista brasileiro, nasceu no Recife, PE, em 23 de agosto de 1912. Rui Castro nos conta, em O Anjo Pornográfico, que quando Nelson estava com cinco anos de idade, seu pai, deputado e jornalista do Jornal do Recife, por problemas políticos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi trabalhar como redator parlamentar do jornal Correio da Manhã. Por envolvimento em questões políticas, o pai de Nelson foi preso e o jornal que ele dirigia silenciado pelo governo durante oito meses. Ao sair da prisão, Mário resolveu fundar seu próprio jornal: A Manhã. Foi nesse jornal que Nelson Rodrigues, com apenas treze anos de idade, iniciou sua carreira jornalística como repórter de polícia e esportivo. Além dele, trabalhavam no jornal seus irmãos mais velhos, Milton, Roberto e Mário Filho.
Foi nesse jornal que aconteceu uma tragédia familiar e que marcaria toda a vida de Nelson. A publicação de uma notícia sobre uma mulher que estaria praticando adultério, esta tomada pelo ódio e desejo de vingança adentrou a redação e atirou no seu irmão Roberto. Não valeram as manchetes do dia seguinte classificando a mulher de meretriz. A ferida nunca cicratrizaria.  Pouco mais de dois meses depois, ainda em decorrência da morte do filho, Mário Rodrigues sofre uma trombose cerebral e morre aos 44 anos de idade.

Assim como foi precoce a carreira de jornalista, Nelson também constituiu família muito cedo. Escondido casou-se com Elza. Com os filhos nascendo, tinha que escrever avidamente. Em maio de 1941, Nelson Rodrigues produz sua primeira peça: A mulher sem pecado.
Mantive o primeiro contato com a obra de Nelson da forma errada; através das adaptações de suas peças para o cinema, que incluíam Vestido de Noiva, Toda Nudez será Castigada e A Dama da Lotação (esta com ainda estonteante bealdade Sônia Braga). Mas não se firmavam como cinemas refletores da alma rodriguiana. Pelo contário, atolava o cinema brasileiro ainda mais num nível escatológico e, como era moda na época, na onda pornô soft.




Tempos depois, li seus livros de crônicas e acompanhei pela televisão as versões feitas pela TV Globo. Em cada história, uma tara, uma capacidade inimaginável do instinto dominar o homem. O drama passional percorre quase todas as tramas e muitas vezes a esperança dos protagonistas dá lugar ao desespero ou até mesmo a morte.
Nelson Rodrigues morreu no dia 21 de dezembro de 1980. Dois meses depois, Elza cumpriu o seu pedido de, ainda em vida, gravar o seu nome ao lado do dele na lápide, sob a inscrição: Unidos para além da vida e da morte. E só.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tuiteiros do Ceará se reúnem para discutir blogs literários e o cotidiano do escritor


Em tempos de “#eu tuito #tutuita  #nostuitamos e partilhamos” um grupo de São Paulo, juntou-se a outro no Rio de Janeiro, a outro em Curitiba, a outro em Fortaleza e daí a outras cidades, totalizando 17 no Brasil e presença internacional em Barcelona, Turquia e Amsterdam. A disseminação de informações e debates sobre cultura e educação uniu essas pessoas que decidiram interagir também na vida offline, daí nasceram os Encontros de Twitteiros Culturais (ETC).

O evento logo ganhou um site próprio e passou a ser coordenado nacionalmente pelo multidisciplinar José Luiz Goldfarb, da Poiesis; Ricardo Costa, do Publishnews; e Fernanda Musardo, que administra o site ETC_Brasil.

Já se passaram três anos desde que foi realizado o 1º ETC –  leia o manifesto – e o projeto continua “invadindo” eventos, como a 21ª Bienal do Livro de São Paulo.

Em Fortaleza, o ETC foi abraçado pela jornalista e editora Albanisa Dummar (@albanisal), a jornalista Luiza Helena Amorim ( @luizahelena) e a socióloga Glória Diógenes ( @gloriadioge) que cuidam da organização do evento no Armazém daCultura, Casa Editora e Espaço Multicultural.  A cada bate-papo, são escolhidas temáticas diferentes, como Twitter e Relacionamentos (“Rede Socais - uma nova geografia da arte e dos afetos”) , o último discutiu temas como ética online, empreendedorismo digital, marketing digital/comunicação integrada e comportamento dos usuários/geração y e contou com uma palestra do  professor de Marketing Digital Gabriel de Oliveira (@wgabriel1).

Para esta edição o tema será “Blogs Literários e o cotidiano do escritor”, com a participação da escritora Ana Miranda, da blogueira Ana Waleska Maia ( Blog O ser em movimento), do blogueiro Raymundo Netto ( AlmanaCultura) e com mediação do curador do Prêmio Jabuti José Luiz Goldfarb. Blogueiro ou não, mas, se você consome, produz ou partilha cultura nas Redes Sociais (ou não), se achegue neste sábado, 25, ao VI Encontro de Twitteiros Culturais de Fortaleza.  Como diria o @jlgoldfarb  #VqV ( Vamos que Vamos), a boa cultura nos espera!



Serviço

VI Encontro de Twitteiros Culturais de Fortaleza (@ETC_Fortaleza)

Data: 25 de fevereiro, às 16 horas

Local: Armazém da Cultura (Rua Jorge da Rocha, 154, Aldeota)

Mais informações: Luiza Helena Amorim ou pelo site www.armazemcultura.com.br.

--
Por: Luiza Helena Amorim

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Vida e obra de Oswald de Andrade são temas de livro



Ele foi considerado um polemista de sua época. Criou o Manifesto Antropofágico. É um dos percussores da Semana de Arte Moderna, em 1922, o mais rebelde de todos, segundo os críticos. Já deu para adivinhar quem é? Se sua resposta é Oswald de Andrade, acertou. E na semana em que o escritor completaria 122 anos, a Callis Editora apresenta a obra “Oswald de Andrade” para adultos e crianças.

Escrito por Carla Caruso, o título conta de forma lúdica e divertida a infância e a vida de um dos principais personagens do modernismo brasileiro. Mas, muito além de uma biografia, a obra coloca as novas gerações em contato com a concepção artística de Oswald e com sua coragem diante do conservadorismo da época.

O livro “Oswald de Andrade”, premiado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), faz parte da Coleção Biografias Brasileiras, que ainda narra a vida de grandes escritores brasileiros como Machado de Assis e Monteiro Lobato.

Fonte: Retoque Comunicação

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

José Cícero nos conta sobre o dia que viu o Salgado lá de cima



Tomo a liberdade para publicar aqui essa poética e sentimental crônica do secretário de Cultura de Aurora, José Cícero

O dia em vi o Salgado lá de cima...

Por José Cícero*

O que me fez viajar de avião pela primeira vez na vida não foi o desejo da experimentação, nem por necessidade profissional, tampouco a curiosidade como tem sido comum a muitos que se dão a este mister. Malgrado está eu já mergulhado na chamada idade da razão. Ainda assim, continuo morrendo de medo de voar. Posto que não confio o suficiente na suposta mecânica infalível das máquinas mundanas. Como de resto, confesso, não tenho tanta pressa de viver...

Nunca quis me dá a este luxo, da ousadia (a meu ver) perigosa de querer inutilmente me igualar ao poder dos pássaros. Ou quem sabe, como muitos dizem; sentir por completo a imensurável sensação de está muito mais perto de Deus.

Mas não. Que me perdoe o nosso bom e visionário Santos Dumont... A sua fantástica invenção ainda não tocou este meu ser medroso e provinciano por completo... Diria, entretanto, que o meu medo de voar ainda é forte o bastante, ao ponto de eu preferir a segurança de continuar andando pelo chão, apenas com receio de alguns pequenos tombos. No fundo, o medo da morte é, em última instância, o grande fantasma que carrego nestes momentos de vacilações imponderáveis. Eis aí a razão maior do meu verdadeiro pavor de avião. Além da crença na lei das probabilidades, claro.

Portanto, como disse, o que me impulsionou a viajar de avião pela primeira vez foi tão somente a vontade de puder enxergar do alto – o rio da minha aldeia Cariri, pelo qual devoto ainda hoje uma verdadeira adoração. Salgado é seu nome. E que para mim é, indubitavelmente, o rio mais doce do mundo. Decerto, o caminho da nossa ancestral colonização. E que, através do qual, subjetivamente, correm todas as minhas melhores memórias afetivas.

Ansiava assim, vê-lo lá de cima em toda a sua grandeza ambiental. Uma realização de um antigo sonho de menino ribeirinho. Queria lobrigá-lo de forma diferente. Do altíssimo monte. Quem sabe, do Nebo do mundo. Na sua compleição mais forte, completa e verdadeira. Como sempre sonhei desde que me entendi por gente.

Aspirava enxergá-lo, da mesma perspectiva dos pássaros altaneiros. Ver como ele era de verdade na sua exuberante geografia hídrico-geológica; serpenteando e cortando o solo sagrado do rincão em que nasci, como que correndo a vida inteira deixando para trás a Araripe. Como um sertanejo do oco do mundo, ansiando também ver o mar pela primeira vez. Este, ainda agora é o Salgado que tenho comigo, junto ao peito e que me fez perder o medo de voar pelo menos por alguns instantes...

Vislumbrar, portanto, com meus próprios olhos do alto dos céus, algo que do chão eu já imaginava, mas queria ter certeza, isto é, todas as agruras da sua degradação total. E a partir daquele momento, na sua versão mais verdadeira e cruel possível. Queria ver o Salgado de cima, quem sabe para cobrar de Deus em meus pensamentos e orações o direito a sua proteção. Deste modo, tive que vencer meu medo e adentrei o avião pela primeira vez, na esperança de avistar todo o panorama do meu Salgado. Seus afluentes riachos, suas feridas abertas e sangrando em carne viva.

E confesso. Caso eu tivesse morrido naquele momento. Havia de morrer feliz e em paz por haver realizado o meu desiderato de menino-adolescente, ou seja, ter visto o Salgado do alto, tal qual o belo carcará – a águia do Nordeste. Mesmo após ter constatado o quão maltratado está todo o seu bioma. Foi-me, por assim dizer, uma visão deveras surreal e inesquecível.

Mas também fiquei triste e desolado quando o vi daquele jeito. Do alto foi possível enxergar todo o amargor daquele rio. Uma imensa angústia invadiu meu peito por completo. Chorei por dentro como jamais havia chorado. Posto que, senti em mim mesmo, no mais profundo do meu íntimo as dores porque passava o rio da minha infância.

Psicologicamente ouvi seus gritos a nos perdir socorro, como som de mil trombetas a romper meus tímpanos, muito além do barulho provocado pelas turbinas daquele avião. Vi o Salgado como uma criança no mais completo abandono. Um cristão moribundo em seus últimos estertores. Um desvalido em seus desesperos. Uma metáfora em carne e osso do próprio homem sertanejo entregue à própria sorte. Toda uma geração de oprimidos e injustiçados de mãos levantadas aos céus, pedindo a intervenção divina para amainar o seu destino.

Fingindo está com medo passei boa parte daquela viagem refletindo. Pensando dentre outras coisas, como tivemos coragem de deixar que aquele rio chegasse aquele ponto. No limite. Quase um caminho sem voltar... para em seguida, concluir: ser a humana raça a própria besta-fera da vida em particular e, das espécies em geral.

E as águas do Salgado que corriam lá embaixo na direção do Castanhão eram como lágrimas dos que choram e sofrem a vida inteira, a própria tragédia das gentes sertanejas. Desiludido daquele avião, pude finalmente perceber que somente eu enxergava o Salgado em seu iminente caos. Dado que, todos os passageiros (ao que pareceu) estavam entretidos demais com seus assuntos comezinhos e cotidianos, ilusões mirabolantes, preocupações de negócios, vontades de poder e de dinheiro...

Os que ali voavam pareciam esquecidos, não apenas do drama salgadiano, mas do planeta inteiro, tamanha era a indiferença diante do horrível panorama que era possível se perceber lá embaixo. Um chão sem cor, calcinado, corroído, retalhado, acinzentado. Quase um novo Saara do meridional cearense. Fumaças das queimadas em evidências. Raridade de clorofila. O verde como que na mais completa extinção total... Uma tragédia ecológica e humana plenamente anunciada.

E quando por fim desembarquei tive a inusitada sensação de que somente eu sobrevivi a grande tragédia daquele vôo marcante. Apenas não compreendi como foi possível, a mais ninguém se dá conta de algo tão tocante, evidente e perigoso quanto está sendo a destruição dos nossos ecossistemas e seus recursos naturais.

E saber que um dia tudo ali embaixo era tomado pelo verde das matas virgens. Abundância de fauna e flora. Um oceano de água doce. E que o rio Salgado corria forte e exuberante o ano todo, engravidando literalmente o Jaguaribe na sua ânsia igualmente invencível de querer ser mar. Eu chorei por dentro como nunca...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Livro A Igreja da Luz Vermelha está disponível pela internet


"O tráfico do quadro falso teve um papel importante para
que se chamasse a atenção de Bruno, enquanto estava sendo
caçado pela polícia, mafiosos italianos e pastores de igrejas
evangélicas roubadas pelo larápio. Onde estaria escondido o
vagabundo, que influenciou na morte de seu amado? Deveria
pagar com o cérebro estourado sem nenhuma consideração
de amenidades, quer seja pelo frio, pela calor, pela brisa, pelo
vento, pelo perfume silvestre exalando já pelos seus ossos.
Que bom fossem aqueles os últimos momentos na face
da Terra. Morria-se assim com um ar de felicidade imaginável,
que se refletiria perfumadamente das flores dos niobes
africanos e se estendiam por todos os continentes, conforme a
direção do vento, o mesmo cântico das sereias que Ulisses
ouviu amarrado ao mastro.
Ao mesmo tempo, um vento bom não chegava senão
para inaugurar de vez uma vida restaurada, inteira, com um
pouco de sofisticação e com a mente centrada no crime. Meu
Deus do Céu, o mundo não existia para Sandra sem o crime.
Não foi sem razão que ficou com o namorado pistoleiro até o
dia de sua morte. Conheceu Bruno por conta de seu furor
sexual em se saciar até a exaustão, o que não era mais o
caso, e satisfazer, assim, uma mania sexual do parceiro.
Sairia pela noite."

Trecho do livro "A Igreja da Luz Vermelha", 258 páginas, edição impressa e e-book (PDF)

Bruno Prior é pintor, ambientalista e pastor protestante. Ele se envolve numa série de crimes, incluindo desde falsificação de quadros até lavagem de dinheiro. Por enganar um bispo evangélico para a construção de uma igreja no Red Light (Luz Vermelha), em Amsterdã, passa a ser alvo de uma caçada internacional. O dinheiro avaliado em milhares de euros é convertido em drogas e orgias.
No entanto, sua conversão é dada como certa por pessoas de sua proximidade, que passam a apoiá-lo até que um atentado faz com que repense toda a trajetória de sua vida.
http://www.agbook.com.br/book/51652--A_Igreja_da_Luz_Vermelha

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

BNB apresenta antologia de Literatura Fantástica no Ceará


Uma antologia da Literatura Fantástica produzida no Ceará, entre os séculos XIX e XXI, será apresentada e debatida no programa Troca de Idéias, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro - fone: (85) 3464.3108), próximo dia 15 (quinta-feira), às 18h30.
Intitulada "O cravo roxo do diabo: o conto fantástico no Ceará", a coletânea é composta por 172 contos, 60 poemas e 17 capítulos de romance, em 674 páginas de livro, compondo, assim, um amplo panorama do texto fantástico cearense produzido entre os séculos XIX e XXI. Organizada pelo escritor Pedro Salgueiro, a obra desafia a coragem dos leitores com narrativa de horror, lendas sertanejas e causos e mistério.
A pesquisa para a antologia durou três anos e resultou num rico acervo do gênero, revelando a prodigiosa criação dos escritores cearenses, desde o século XIX, quando vieram a público as primeiras publicações de textos literários no Ceará.
O título foi tomado de empréstimo de um conto de Álvaro Martins, infelizmente não localizado. A capa criada pelo escritor, designer e quadrinista Raymundo Netto confere ao vultoso acervo o aspecto de obra definitiva. Esta edição do programa Troca de Ideias terá como debatedores convidados Pedro Salgueiro e Raymundo Netto, com a mediação de Carlos Vazconcelos.

Fonte: BNB

sábado, 25 de junho de 2011

Livro sobre evasão de engenheiros no Brasil é candidato ao prêmio Jabuti

No Brasil, se formam 30 mil engenheiros por ano, enquanto que em países como a Coreia do Sul somam-se 300 mil. É muito provável que nos próximo cinco anos, de São Paulo ao Ceará, se importe engenheiros civis. Por mais técnico que tema represente, inspirou uma obra que disputa o Prêmio Jabuti, o mais importante da Literatura nacional.
O professor do curso de Mecânica, Roaldo Tonhon Filho, autor do livro “Ensino Superior & Mercado de Trabalho - Engenheiros no Brasil’, aborda, na sua publicação, a evasão nos cursos de Engenharia.

A obra identifica as origens da evasão. Entre elas, a redução na relação candidato/vaga nas instituições de ensino superior, reflexo da redução do crescimento populacional na faixa etária correspondente aos egressos no período vigente, associada ao crescimento das instituições de ensino superior e o aumento no numero de vagas disponíveis, motivado pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

“A redução da relação candidato/vaga, dada a seleção ser menos apurada, torna o egresso uma matéria prima de mais baixa qualidade, a ser moldado pela instituição. Sem contar a flexibilidade curricular para adaptações de um curso de Engenharia. Antes, o curso era em período integral. O aluno se dedicava exclusivamente. Hoje, existem cursos noturnos. O aluno chega cansado após um período exaustivo de trabalho”, observa Roaldo Tonhon Filho.

Para acompanhar o desenvolvimento tecnológico em suas especialidades, as instituições precisam concentrar esforços em poucas modalidades, tornando-se cada vez mais especialistas e trabalhando em conjunto com empresas no atendimento das necessidades individuais para o mercado.

A exigência de acompanhar conhecimentos em ritmo acelerado e a falta de reciclagem dos professores nas especificidades técnicas ministradas também causam a evasão dos alunos, principalmente durante os primeiros ciclos, quando os estudantes percebem que os cursos não preenchem as necessidades de conhecimento que ele necessitaria para atender às exigências do mercado de trabalho. “As mudanças que aconteceram nos últimos 30 anos equivalem às mudanças que ocorreram ao longo de toda a história da humanidade”, detecta o professor.

O autor defende que os cursos não preenchem as necessidades de mercado porque perderam o foco e a qualidade específica. Ele relata que se surpreendeu com a onda de evasão, antes comum nas instituições particulares de ensino superior e presente hoje nos centros universitários públicos de excelência. “Tornam-se necessárias medidas acertadas. Não há tempo para experimentos. As mudanças são essenciais para a sobrevivência das instituições de ensino superior”.

Informações sobre o livro:
Título: Ensino superior e mercado de trabalho – engenheiros no Brasil
Autor: Roaldo Tonhon Filho
Número de páginas: 224 
Compra: Site do agBook

  

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O superlativo das paixões aparece no romance Gabriela, Cravo e Canela



"Já chegara alterado ao bar, e ali continuava a beber. Isso se passava exatamente uma vez por ano, e só uns poucos sabiam ser a forma como ele comemorava a morte de um irmão, fuzilado numa parada em Barcelona, muitos anos atrás. Ainda agora, porém, mais de 20 anos passados, fechava a oficina e embebedava-se no dia do aniversário da parada e das mortes na rua. Jurando voltar à Espanha para explodir bombas e vingar o irmão".
O trecho é do livro Gabriela, Cravo e Canela, mais conhecido por exaltar a sensualidade de uma mulata, tangida para Ilhéus por conta da seca. O texto é um dos raros momentos que marca o interesse de Amado pela Política, depois de ter rompido com o Partido Comunista.
Foi o primeiro romance que li de Jorge Amado, aos 13 anos. Muito antes de Sônia Braga encarnar o papel da protagonista, na adaptação de Dias Gomes, e me fez não apenas a criar gosto pela leitura de seus demais romances, como me despertou a vontade de conhecer a Bahia, assim como aconteceu com o pintor Caribé e o etnólogo Pierre Verger.
Muitos de seus últimos romances, como Tereza Batista Cansada de Guerra, Dona Flor e seus dois maridos e Tieta do Agreste  já são obras derivativas e, como se comenta, escritas sob encomenda até para salvar amigos editores da falência. Jorge amado, com suas qualidades e defeitos, não pode reclamar do reconhecimento internacional. Também, por ter enveredado pelo caminho do best seller, não poderia se queixar do não reconhecimento pelo Prêmio Nobel.
Recomendo a leitura e a releitura de Gabriela, Cravo e Canela. São bem escritas as cenas de amor de Nacib e a cozinheira, que - se não fosse a libido exagerada - seria a Amélia da Literatura.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Carlos Drummond fala da gratuidade e do desinterssado amor

Carlos Drummond de Andrade escreveu:

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ferreira Gullar lê o poema que fez para Clarice Lispector



Ferreira Gullart, o velho índio saído do Maranhão, está celebrando seus 80 anos, com exposições e saraus no Rio de Janeiro. Nesse vídeo, lê uma poesia que fez para a morte de Clarice Lispector. Poeta, dramaturgo, tradutor e crítico de artes plásticas, é um dos maiores expoentes da poesia nacional contemporânea, sendo uma referência da poesia engajada

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Clarice diz que não sabe voar com os pés no chão



Poesia de Clarice Lispector:

EU ADORO VOAR

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo. 
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos. 
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso. 
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! 
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. 
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer: 
- E daí? EU ADORO VOAR!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Auto da Compadecida revela o verdadeiro circo para o Bom Jardim

O cinema na periferia da cidade exibe, amanhã, dia 14, o  “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna. A temática católica é tratada da forma mais bizarra, mesmo nos conceitos atuais de politicamente correto e catolicismo. A história envolvendo o esperto João Grilo e o mentiroso Chicó, que são mortos numa chacina provocada por cangaceiros, é engraçada e confere uma identidade peculiar ao teatro e, depois, ao cinema brasileiros.


Pernambuco produziu grandes autores e intelecutais, num leque em que Ariano é um de seus expoentes máximos. A aproximação de Recife com outras capitais e cidades nordestinas de grande porte como João Pessoa, Campina Grande e Aracaju, favoreceu muito mais as artes, acreditava Carlos Câmara, inclusive a  dramaturgia pernambucana, sem nenhum detrimento para as outras capitais.

Hora: 8h e 14hLocal: CRAS Bom Jardim (Av. Virgílio Nogueira, S/N).

- Informações: (85) 3433.2938 e 3433.2850

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Como encomendar uma obra de arte

Poesia


Encomenda

Foto: Marcus Peixoto

Desejo uma fotografia
como esta — o senhor vê? — como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.


Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.


Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.



Cecília Meireles

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A linguagem das ruas

Novo Milênio
Sábado e Domingo (dias 11 e 12/09)
Estréia do espetáculo Barrela, com o Grupo Imagens de Teatro dentro da Temporada SESC 
de Teatro, na Praia de Iracema

“Barrela” foi a primeira peça de Plínio Marcos (1935-1999), e também a mais censurada, condição em 
que permaneceu durante trinta anos, a partir de 1959. Barrela significa curra, na 
linguagem carcerária. 

O texto foi baseado numa história verídica que aconteceu em Santos com um rapaz que, 
por uma briga qualquer, foi atirado na cadeia, onde acabou sendo estuprado pelos 
outros presos da cela. Jurou vingança e, quando saiu de lá, matou, um por um, todos os 
que o desonraram. 
Chocado ao ouvir o relato, Plínio Marcos decidiu contar a história em forma de 
diálogo, imaginando situações ocorridas antes, durante e depois do episódio do 
estupro. Na peça, colocou o foco na briga de poder existente entre os presos da cela. 
Conheci pessoalmente Plínio Marcos e percebi, muito enfaticamente, o peso da linguagem das ruas. Ao contrário de Jean Genet, filho de uma prostituta, não lhe faltou apenas a homossexualidade e a promiscuidade, mas o apelo da contradição com a intelectualidade francesa

domingo, 5 de setembro de 2010

Precisa-se de um amigo

PRECISA-SE DE UM AMIGO

Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimentos.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível, que seja de segunda mão.

Não é preciso que seja puro, ou todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados).

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer.

Deve amar o próximo e respeitar a dor que todos levam consigo.

Tem que gostar de poesia, dos pássaros, do por do sol e do canto dos ventos.

E seu principal objetivo de ser o de ser amigo.

Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo.

Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo.

Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Carlos Drummond de Andrade

(Obrigado Maria, você maravilhosa)