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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mecenato atual é uma forma dissimulada de publicidade subsidiada

Quanto mais converso com os artistas, principalmente escritores e pintores, mais me convenço que não descobrimos uma forma de incentivo real às manifestações culturais e artísticas. Falo, especialmente,  da Lei n° 8.313/1991 (Lei Rouanet), que é uma forma de estimular o apoio da iniciativa privada ao setor cultural. O proponente apresenta uma proposta cultural ao Ministério da Cultura (MinC) e, caso seja aprovada, é autorizado a captar recursos junto a pessoas físicas pagadoras de Imposto de Renda (IR) ou empresas tributadas com base no lucro real visando à execução do projeto.
No papel, é um projeto excelente. O problema é a prática. E aí cito as conversas já matidas com os artistas, que consideram esse tipo de mecenato ardiloso e criador de falsas perspectivas. Pelo menos, essa é a opinião do poeta e cordelista Babi Guedes, que na sua opinião o que existe é uma espécie de publicidade subsidiada. Ou seja, as empresas tendem a apoiar exclusivamente aqueles que já são conhecidos do grande público e o investimento resulta em vantagens para a promoção do órgão ou empresa promotora.
Babi sabe do que está falando porque há mais de uma década vinha tentando editar um livro que narra a Guerra de Canudos, e somente agora encontrou uma forma de viabilizá-lo.
A questão não é sequer o tempo que se leva até se chegar onde chegou. Ele explica que a dificuldade maior está na burocracia, na forma de se comercializar o produto, que mesmo com os incentivos fiscais da Lei, não são compensadores para quem produz arte.
O País do Vale Tudo, tema de uma tele novela da década de 1990, ainda se mantém nos dias de hoje. Os empresários faturam em cima de obras que já despontam para a consagração, a priori de sua qualidade. É o inverso do humanismo existencialista de Sartre. A existência não precede a essência. A essência precede a existência.
Se sairmos para as edições bancadas pelo próprio bolso é quase uma certeza que se encontrará o encalhe. O que um escritor, por exemplo, vai fazer com mil livros, além daqueles que pode comercializar nas noites de lançamento? Ser escritor de uma única edição é uma predestinação, especialmente na nossa realidade.
Tudo isso pode parecer muito amargo, mas o leitor não se iluda: é muito pior do que pode estar parecendo. Não aconselho que se desista, até porque é inútil quando se tem uma determinação de um fanático como Antônio Conselheiro, a frieza de um androide e a loucura de um santo para se manter artista.
Então, prepare-se para conviver num mundo hostil. Veja os duendes que irão rir, explicitamente muitas vezes, de sua obra. Prepare-se para amargar momentos de solidão e delírios noturnos. Os dedos dos inquisidores lhe apontando por mal desvo de energias. Mesmo assim, talvez esteja aqui uma receita e a inspiração para mais uma obra. E aí o artista encontra forças para ir adiante.

domingo, 20 de novembro de 2011

Sensualidade vencia a tristeza e a dependência química nos quadros de Rossetti


A modelo é Jane, do quadro O Devaneio (1880), mulher do artista plástico William Morris, pintada por Dante Gabriel Rossetti (1828-1882), integrante do Grupo Pré-Rafaelita. O artista nasceu de uma familia de artistas e versátil. Era também poeta e sua arte, a exemplo de outros artistas do movimento, forma uma mistura de representações pictóricas com referências em obras literárias.
Rossetti foi casado com Elisabeth Siddal, sua modelo em Ofélia (inspirada na peça de Shakespeare). Antes, porém, já havia se especializado em retratar donzelas de estonteante beleza, sempre atento a detalhes. Elisabeth, uma jovem neurótica e viciada em drogas, morreu dois anos após o casamento, deixando o artista arrasado. Logo depois tentaria o suicídio, mergulhando nas bebidas e também nas drogas.
No quadro, nota-se uma disciplicência da mulher com relação ao livro e às flores. Ninguém sabe a origem de seu devaneio, mas entende que o pintor se esmera num ideal feminino, na plena beleza. O verde predomina a cena, mas se distribui em matizes das folhas e na cor do vestido. Há uma atmosfera de sensualidade, a mesma que sempre inspirou seus óleos.
A perda do vigor sexual e a depressão tiveram, no passado, grande influência na vida da pessoas e, especificamente aqui, na vida dos artistas. T.S Eliot demonstrou seu desespero e a impotência sexual em seus poemas como Terra Devastada. Viveu tempos de tristeza infinita. Somente encontrou alegria aos 68 anos, quando se casou com sua secretária de 32. Picasso recorreu a degradar os rostos pintados de ex-amantes.
Foram poucos aqueles que, sem os remédios encontrados hoje, puderam superar com o amor a depressão e a impotência. Sartre, já cego, morreu deprimido, apesar de ter esnobado um Nobel de Literatura, e ter a vida cercado de mulheres. Hoje, esses tormentos seriam combatidos com a química.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O aborto tratado pela Literatura e a Filosofia nos dias de hoje (I parte)

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Ao mesmo tempo que a editoria  policial não tem dado notícia para  casos novos envolvendo clínicas de aborto, a Literatura também já não mais enfatiza o mesmo assunto como no passado. É bem verdade que há outros meios contraceptivos e muitos países, onde antes era proibido, legalizaram a prática, inclusive contando com o apoio do Estado. 
O fato é que no Brasil o assunto é sensível e se restringe a uma mão única: ser contra. Caso contrário, há uma grande patrulha social sobre seus defensores. Em 2007, o ministro da Saúde, José Augusto Temporão, foi alvo dessa rejeição, quando propôs um plebiscito para se discutir o aborto. Ele defendia uma participação aberta da sociedade, haja vista que a manutenção da ilegalidade em nada contribuia para a saúde das mulheres, expondo aos riscos das clínicas clandestinas. Houve protestos de quase todos os lados (à exceção de alguns grupos feministas isolados) e a ideia foi abandonada.
Na literatura, a simples discussão do tema até a década de 1940 era considerada um escândalo. Em O Sangue dos Outros (de 1945), Simone de Beauvoir coloca uma de suas personagens diante do dilema. Na trilogia Os Caminhos da Liberdade (1945 a 1949), Sartre faz seu personagem masculino se posicionar diante do mesmo problema: sua namorada está grávida e ele deseja o aborto. No primeiro livro, a Idade da Razão,  Mathieu pede ao seu irmão o dinheiro para o aborto de Marcelle, a justificativa de Jacques para recusar o empréstimo é totalmente montada numa questão individual e livre. Mathieu não leva em consideração o que ela quer.
Em Palmeiras Selvagens, de William Faulkner, é mostrado o drama de um médico, Harry Wilbourne, e sua amante Charlotte Rittenmeyer. Incompetente, desempregado, ele vive algum tempo às custas dela, e acaba por matá-la, ao lhe provocar um aborto. Aqui, a protagonista recusa a maternidade e a ação se desenvolve no ano de 1938.
Na Filosofia, os defensores tiveram como partida a seguinte questão:
"Um feto é uma pessoa.
É errado matar uma pessoa.
Logo, é errado matar um feto"
O desmonte dessas premissas se dava pela desvalorização dos termos dispostos. Se colocava dúvida no fato sobre o que o autor pretendia, ao afirmar que um feto é uma pessoa. Segundo algumas interpretações de "pessoa", pode ser óbvio que um feto seja uma pessoa. Em contrapartida, seria bastante controverso se, no mesmo sentido de "pessoa", matar for sempre algo errado. Segundo outras interpretações, é mais plausível que seja sempre errado matar pessoas, mas totalmente confuso se um feto pode ser entendido como "pessoa."  Num ensaio de filosofia, o termo "pessoa" podia ser dado a qualquer ser vivo e consciente. Aí se incluía as baleias e os golfinhos. Mas essas espécimes não seriam consideradas "pessoas", adotando um senso comum. Quando se falava que o aborto era um assassinato, então lembravam que a morte de John Kennedy também poderia ser considerada como um "aborto".
Depois, alguns pensadores e aí se inclui a própria Simone, tiveram posições mais claras com relação ao assunto.Vamos voltar ao assunto amanhã.

    terça-feira, 12 de abril de 2011

    Bertrand Russell acusa linguagem descontrolada em Heidegger

    Bertrand Russell, Holborn by Fin Fahey
    Bertrand Russell, Holborn, a photo by Fin Fahey on Flickr.
    Para mim quem melhor interpretou o existencialismo foi Bertrand Russell. Ele nem aumenta e nem diminui o prestígio, embora mantenha a divisão já definida por Sartre, que este se inclui entre os ateístas ao lado de Heidegger, e os teístas, como Kierkegard e Karl Jaspers. São os nomes mais influentes do Existencialismo, embora alguns mais conhecidos por terem experimentado também a literatura. A avaliação de Russell é quanto àquilo que evolui desde Hegel (ele faz uma distinção dos três tipos de existência de Jaspers de forma concisa e clara), assim como também admite o humanismo no Existencialismo.
    Eis aqui um trecho da sua análise:
    Enquanto o existencialismo de Jaspers, no nível transcendente, deixa espaço para a religião, como no caso de Kerkegard, prevalece um tom muito diferente nas obras de colaração mais metafísica de Heidegger 91889-1976)), cuja filosofia é extremamente obscura e de terminologia altamente excêntrica. Não se pode deixar de suspeitar que neste caso a linguagem está descontrolada. Um aspecto interessante das especulações de Heidegger é a insistência que o nada é algo positivo. Como tantas outras coisas do existencialismo, está observação psicológica pretende passar por lógica.

    quarta-feira, 23 de março de 2011

    Simone de Beauvoir mostrou extenso lastro cultural

    Simone de Beauvoir, por Henri Cartier-Bresson


    Tanto tenho apreço pela fotografia de Henri Cartier-Bresson, quanto pela fotografada, a escritora francesa Simone de Beauvoir, em Paris,  1946. Nesta época, ela já havia publicado seu primeiro romance A Convidada, em 1943, aos 36 anos. Os ideais feministas estavam muito definidos em sua obra e na vida pessoal, refletindo a juventude francesa, como seu companheiro Jean-Paul Sartre, que detinha vasta bagagem cultural e deram vazão às demandas modernas.
    Sua literatura é de primeira qualidade e nos faz causar inveja toda a classe em que as relações humanas se desenvolvem em A convidada, considerada uma obra auto-biográfica. Não escrevia melhor que Sartre, mas reconhecia isso. Em Memórias de uma Moça Bem Comportada (1958), disse sobre o parceiro que: "foi a primeira vez em minha vida que me senti intelectualmente inferior a alguém".
    Depois de seu primeiro romance, escreveu mais  oitenta. Tinha estilo enxuto, quase não gostava de descrever lambientes e lugares e se prendia à ação. Não foi por isso que não ganhou o Nobel, ao contrário de Sartre (e rejeitado). Também contribuiu o tamanho do poço da sabedoria. Se Sartre já não era muito original na defesa do Existencialismo (pois se inspirou em Heidegger, Nietzsche e Husserl), sua bases filosóficas batiam no raso.

    quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

    A luta da mulher em busca de ser dona de seu destino



    Excelente documentário realizado pela televisão italiana, contando parte da vida e obra de Simone de Beauvoir, escritora e romancista francesa. Autora do controvertido livro o Segundo Sexo, lançado quando tinha 41 anos, chegou a ser ridicularizada e insultada pela presunsão da mulher, em ser dona de seu próprio destino. Sua biografia é uma das ricas que poderia ser formada na carreira de uma intelectual: ativista contra a ocupação nazista na França, precursora do movimento feminista e companheira inseparável do filósofo Jean-Paul Sartre.

    domingo, 17 de outubro de 2010

    Carta de recusa de Sartre ao Prêmio Nobel em 1964




    “Lamento vivamente que este assunto tenha tomado
    aparência de um escândalo; um prêmio foi concedido e
    alguém o recusa. Isto se deve a que não fui informado
    devidamente a tempo do que se preparava. Li no “Figaro Litteraire”,
    de 15 do corrente mês, sob a assinatura do correspondente sueco
    deste jornal, que a maioria na Academia Sueca era a meu favor,
    mas não havia sido ainda definitivamente fixada, pelo que bastava
    escrever uma carta à academia, o que fiz no dia seguinte, para pôr
    um ponto final ao assunto e não mais se falasse dele.
    Eu ignorava, então, que o Prêmio Nobel é outorgado sem que se
    peça a opinião ao interessado e pensei que ainda era tempo de
    impedi-lo. Mas compreendo muito bem que quando a Academia
    Sueca faz sua escolha, já não pode voltar atrás.
    As razões pelas quais renuncio ao prêmio não se referem nem à
    Academia Sueca, nem ao Prêmio Nobel em si, como já expliquei
    em minha carta à Academia. Nela invoquei duas espécies de razões;
    razões pessoais e razões objetivas.
    As razões pessoais são as seguintes: minha negativa não é um ato
    improvisado. Sempre recusei as distinções oficiais. Quando,
    depois da guerra, em 1945, me propuseram a Legião de Honra,
    recusei-a, apesar de possuir amigos no Governo. Igualmente nunca
    aceitei ingressar no Colégio de França como sugeriram alguns de
    meus amigos.
    Esta atitude é baseada em minha concepção do trabalho do escritor.
    Um escritor que assume posições políticas, sociais ou literárias
    somente deve agir com meios que lhes são próprios, isto é, com a
    palavra escrita. Todas as distinções que possa receber expõem seus
    leitores a uma pressão que não considero desejável. Não é a mesma
    coisa seu assino Jean-Paul Sartre que se assino Jean-Paul Sartre,
    Prêmio Nobel.
    O escritor que aceita uma distinção deste gênero compromete,
    também, a associação ou instituição que a outorga: minhas simpatias
    pelos guerrilheiros venezuelanos somente a mim comprometem,
    mas se o Prêmio Nobel Jean-Paul Sartre toma partido pela resistência
    na Venezuela, arrasta consigo todo o Prêmio Nobel como
    instituição.
    O escritor deve, pois, negar-se a se deixar transformar em Instituição,
    mesmo que isto se verifique pela mais honrosa forma, como no
    caso presente. Esta atitude é inteiramente pessoal e, evidentemente,
    não representa nenhuma crítica contra aqueles que já foram
    premiados. Tenho muita estima e admiração por muitos dos laureados
    que conheci pessoalmente.
    Mas minhas razões objetivas são as seguintes:
    – O único combate atualmente possível no campo da cultura é o da
    existência pacífica das duas culturas, a do Leste e a do Oeste.
    Não quero dizer com isso que seja necessário que se dêem abraços.
    Sei perfeitamente que o confronto entre estas duas culturas deve,
    por necessidade, adotar a forma de um conflito, conflito que deve
    ter lugar entre homens e entre culturas, mas sem intervenção de
    instituições.
    Sinto pessoal e profundamente as contradições entre as duas culturas:
    sou feito dessas contradições. Minhas simpatias vão inegavelmente,
    para o socialismo e para o que se chama o Bloco do Leste,
    mas vivi e me eduquei numa família burguesa e numa cultura burguesa.
    Isto me permite colaborar com todos aqueles que querem
    aproximar ambas as culturas. Espero, naturalmente que a melhor
    ganhe, isto é, o socialismo.
    Por isso é que não posso aceitar nenhuma distinção concedida pelas
    altas instâncias culturais, tanto de Leste como do Oeste, mesmo
    que admita sua existência. Embora todas as minhas simpatias vão
    para o campo socialista, ser-me-ia impossível aceitar, por exemplo,
    o Prêmio Lenine, se alguém me quisesse conceder, o que não se dá.
    Sei muito bem que o Prêmio Nobel, por si mesmo, não é um prêmio
    literário do campo ocidental, mas se transforma no que se faz dele
    e podem suceder coisas que os membros da Academia Sueca não
    podem prever.
    Por isto que, na situação atual, o Prêmio Nobel se apresenta objetivamente
    como uma distinção reservada aos escritores do Oeste
    ou aos rebeldes do Leste. Não se premiou Neruda, que um dos
    maiores escritores americanos. Nunca se pensou seriamente em
    Aragon, que bem o merece. É lamentável que se tenha concedido o
    prêmio a Pasternak e não a Cholokhov e que a única obra soviética
    coroada seja uma editada no estrangeiro, proibida em seu país.
    Poder-se-ia ter estabelecido um equilíbrio mediante um gesto análogo
    no outro sentido.
    Durante a guerra da Argélia, quando assinamos o Manifesto dos 111
    eu teria aceito o prêmio com reconhecimento, porque ele não teria
    honrado somente a mim, mas à liberdade pela qual lutávamos.
    Mas isso não aconteceu e é somente no fim dos combates que se
    entregam os prêmios.
    Na motivação da Academia Sueca se fala de liberdade: é uma palavra
    que se presta a numerosas interpretações. No ocidente, se fala de
    liberdade num sentido geral. Entendo a liberdade de uma forma
    mais concreta, que consiste no direito de ter mais de um par de sapatos
    e de comer pão menos duro. Parece-me menos perigoso declinar do
    prêmio do que aceita-lo. Se o aceitasse, me prestaria ao que se pode
    chamar de uma ‘recuperação objetiva’. Afirma o artigo do ‘Figaro
    Litteraire’ que ‘não se teria em conta meu passado político discutido’.
    Sei que este artigo não exprime a opinião da Academia Sueca,
    mas ele mostra claramente em que sentido seria interpretada minha
    caeitação em certos meios de direita. Considero este ‘passado político
    discutido’ como ainda válido, mesmo se disposto a reconhecer
    certos erros passados perante meus camaradas.
    Não quero dizer que o Prêmio Nobel seja um prêmio ‘burguês’,
    mas esta seria a interpretação burguesa que dariam inevitavelmente
    os meios que conhecemos.
    Finalmente, resta a questão do dinheiro. É verdadeiramente grave
    que a Academia coloque sobre os ombros do laureado, além da
    homenagem, uma soma enorme. Este problema me atormentou.
    Ou bem se aceita o prêmio e com a soma recebida se apóiam
    movimentos ou organizações que se consideram importantes – de
    minha parte seria o Comité Apartheit de Londres – ou bem se recusa
    o prêmio em vista de virtude de princípios gerais, e se priva este
    movimento ao apoio que necessita.
    Renuncio, evidentemente, às 250.000 coroas porque não quero ser
    institucionalizado nem ao Leste nem ao Oeste. Não se pode pedir
    que se renuncie, por 250.000 coroas, aos princípios que não são
    unicamente nossos, mas compartilhados por todos os nossos camaradas.
    Foi isto que tornou tão penoso para mim tanto a atribuição
    do prêmio como a recusa que manifestei. Quero terminar esta
    declaração com uma mensagem de simpatia ao povo sueco.”

    terça-feira, 7 de setembro de 2010

    Entrevista con Sartre (1/2)


    Sartre era um menino louro de olhos azuis. Velho, ficou caolho e muito amargo. Lembrou certa vez Paulo Francis. Negou-se a receber o prêmio Nobel de Literatura e chegou a ser preso distribuindo panfletos nas ruas de Paris, defendendo o governo de Mao Tsé-Thung.
    Com todos os seus defeitos, ninguém fez mais pelo existencialismo do que ele. Nem Heidegger e nem Karl Jaspers. Não tinha apenas uma literatura densa, mas a base fenomenológica,  muitas vez desprezada entre os filósofos clássicos. Esse lhe deu o Norte.
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