É do mundo exterior que o conhecimento precisa vir a nós, pela leitura, audição e contemplação. Wendy Beckett
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terça-feira, 19 de junho de 2012
Violência calma e destrutiva sai dos excluídos da América
A New Yorker publicou este mês coletânea de fotografias de Joseph Rodriguez, que tem como tema central a violência implícita e explicita em várias partes do mundo. Nesta fotografia, ele mostra porto riquenho Chivo ensinando a sua filha como preparar uma pistola calibre 32. A mãe observa e sorri. A cena aconteceu na manhã seguinte quando uma gangue rival tentou matá-lo pela quarta vez. O fato se deu , em Los Angeles, Califórnia, 1993.
O inusitado na fotografia está numa cenal que vai além da banalização da violência. Na verdade, há uma relação de contradições, como a da família aparente harmoniosa, mas tensa. A inocência infantil e o excesso de armas e munições espalhadas pelo chão. Na revista, outras fotografias são mostradas sempre considerando os grupos escluídos na sociedade, como negros, latinos e desempregados.
Há amargura e desesperança, mas ao mesmo tempo uma denúncia de que os excluídos têm eloquência da indiferença ativa e passiva.
"Meu objetivo é chegar ao cerne da violência na América", afirmou Rodriguez ao New Yorker. "Não apenas a violência física contra o outro, mas a violência que destroem as famílias a violência do desemprego, a violência de nosso sistema educacional, e a violência da segregação e isolamento".
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domingo, 20 de maio de 2012
Concerto para clarinete, de Mozart, é pano de fundo para briga entre Veja e a Globo
Claro que nesta briga da Revista Veja com o Grupo Globo pode parecer que ambos têm razão e ambos estão errados. Podemos dizer que o grupo comandado pelos Marinho carregou nas tintas ao comparar Rupert Murdock a Roberto Civita, que conheci no L' Hotel, em São Paulo, falando em italiano e em voz alta, mesmo sabendo que estava próximo a uma mesa de jornalistas, todos brasileiros. Também não podemos dizer que a Veja é "bozinha" e que se pauta apenas pelos interesses jornalísticos. Seria muita inocência.
Entendo que há uma antropafagia em curso, ou como diria ironicamente o meu colega Cidrack Ratz, um atropelamento em andamento, e que faz parte de um jornalismo menor. Esse sim tem sido a pauta de boa parte do noticíário brasileiro, onde na falta de inteligência e bom gosto se apela para o destempero. Vide o comentário da âncora do SBT sobre a estudante de Direito que foi condenada pela Justiça por crime de preconceito contra os nordestinos.
Naturalmente que a tensão dos mercados se reflete nas redações e nos conteúdos. Quando fui indagado pelo Paulo Oliveira sobre o fim do jornalismo impresso disse que não acreditava, porque as mídias não destruiam umas as outras. Alberto Dines foi perguntado quase da mesma maneira pelo Juca Kfouri na ESPN internacional e sua resposta foi menos parecida, mas com o mesmo espírito. Não é hora de se pensar no fim do jornalismo impresso.
O problema é que a safra de se escrever e o prazer de ver o seu trabalho impresso no papel ou nas telas eletrônicas correm o risco de parecer ao leitor desinteressantes. A forma como a Veja e a Globo estão se digladiando deixa de ser técnica para ser política e tenho minhas dúvidas de que essas divergências que acontecem no varejo se estendam ao atacado.
Escrevo para dizer que ainda sinto grande prazer pelo que escrevo e ainda acredito no jornalismo e ,menos na política. Eis porque acabei não falando de Mozart, que é o objeto deste post para comentar sobre a briga intestina da imprensa brasileira. Mas depois de digerir tudo isso, se for possível, irei simplesmente ouvir música clássica.
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domingo, 15 de abril de 2012
Canudos resiste nos poemas em cordel de Babi Guedes
"Canudos, a Saga do Povo Nordestino" é um libelo da luta do povo contra a opressão e motivo de maior orgulho da região pelo espírito da resistência e a força da mística. Essa é a leitura que desprende do livro escrito pelo poeta, cordelista e compositor Babi Guedes, relançado no mês passado pela Ensinamento Editora, dentro do projeto Cesta Básica da Cultura e do Abastecimento (CBCC), com apoio da Lei Rouanet.
A publicação gira sobre os conflitos entre o Exército brasileiro e os seguidores de Antônio Conselheiro, com ênfase ao período compreendido entre 1896 e 1897. A campanha somou quatro ofensivas militares, sendo estes literalmente humilhados até a quarta e última investida vitoriosa sobre o povoado.
Babi Guedes é o nome artístico de Potengy Guedes Filho, cearense, 58 anos, e residente na aldeia Tapeba Jandaiguaba. Além de escritor e cordelista, é cantor, compositor mamulengueiro e artesão.
Sensibilidade
Sensível à arte e ávido pela cultura popular, foi instigado a escrever sobre Canudos e a saga de Antônio Conselheiro, tendo por principal fonte de inspiração o Livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Ficou entusiasmado com a fibra e a mística da história ocorrida nos sertões baianos, tendo como protagonista principal um cearense, nascido em Quixeramobim.
Fortes como os trovões anunciando as primeiras chuvas no sertão, os versos têm som, cheiro e sabor da terra. O tema, contudo, não poderia ficar restrito para um grupo de pessoas. Daí que Babi teve a ideia de recontar Canudos, com a poética do cordel, entendendo que assim obteria mais fácil compreensão. Seu intuito foi mais além. Acabou criando mais de 1.200 sextetos, com métrica e rima, que permitem que sejam cantados numa cadencia melódica.
O poeta explica que a escolha pela rima não é porque é fácil ou difícil, mas porque se faz necessária. Do mesmo modo, é cuidadoso com a distribuição do enredo, que conta desde o nascimento de Antônio Mendes Maciel, nome de batismo de Antônio Conselheiro, sua peregrinação pelas cidades do Nordeste, a aridez do solo, a política que beneficiava o opressor, a República que negava os valores da Igreja Católica e, numa crescente comoção, a resistência dos penitentes reunidos em Canudos, ou Belo Monte, que naquela época chegou a ser a segunda cidade mais importante da Bahia, perdendo apenas para a Capital Salvador.
As estrofes, intercaladas por desenhos bico de pena, do ilustrador Valdério Costa, contam a história do nascimento do fundador da comunidade, que tentava reviver um cristianismo primitivo, radical.
Em seguida, o leitor é remetido a inteirar-se sobre a predestinação ao sofrimento e a perseguição. O ponto catalizador foi sua rejeição à República, especialmente pela ruptura com a Igreja Católica e os excessos cometidos pelas forças repressoras na cobrança de impostos. Isso fazia com que se tomasse terras e propriedades, de um povo já tão destituído de bens.
Enquanto isso, difundia-se naquele meio a vinda de dom Sebastião, espécie de rei louco português, que para os lusitanos iriam recuperar a autonomia nacional, perdida para a Espanha, enquanto que para os sertanejos brasileiros significaria o restabelecimento da Monarquia. Uma promessa que era alimentada com superstições e pelo delírio de uma terra agonizante.
Isso atraiu seguidores e uma fúria de crueldade que resultou no massacre de mais de 20 mil sertanejos e o incêndio de todas as casas do arraial. Mas tudo isso aconteceu não sem dificuldades, conforme conta o livro. O povo de Canudos numa região inóspita, de difícil acesso e que tinha a natureza com maior aliada para inibir a investida do invasor. O lugar, também conhecido como o Raso da Catarina, era o mesmo que servia de esconderijo para Lampião e seu bando, quando não encontravam mais nenhum outro refúgio.
Ao todo, foram quatro expedições contra o arraial, que tinha como principal afronta o fato de crescer em adeptos e na ruptura com instituições governamentais. O livro é encontrado na cesta básica, oferecido pelo governo federal, que além de alimentos, inclui revistas, CDs e outros produtos culturais. Este é o segundo livro de Babi. O primeiro foi da Borduna à Cibernética, escrito no início desta década. Na obra de Babi, conta-se sobre os sermões, firmados no Evangelho e na comunhão; a promessa da redenção, alcançada com orações e penitência. Mas eis que Canudos sucumbiu.
Mais informações:
Babi Guedes, Aldeia Tapeba Jandaiguaba - Caucaia
Região Metropolitana de Fortaleza
Telefones: (85) 9700.0184 e
(85) 8595.9025
MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER
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quarta-feira, 21 de março de 2012
Quer chova ou faça sol, o amor chega às alturas
| Kid Júnior |
Gostei da escolha do Diário do Nordeste para a fotografia do mês (período novembro/dezembro). A preferência pelo melhor trabalho foi do colega Kid Junior, que ilustrou matéria publicada em 16 de dezembro passado com o título "Casal se abriga nas Alturas". Com a lente voltada de cima para baixo, o repórter fotográfico mostrou um beijo terno de um casal, apesar da precariedade do abrigo: o alto de uma marquise de uma parada de ônibus.
Em meio à ternura, observa-se as condições miseráveis de convivência. Costuma-se dizer que as dificuldades iniciais que acontecem num casamento depois passam a ser lembradas com muito carinho, quando marido e mulher ascendem socialmente. É como se descobrissem o vigor amoroso, que fenece em meio às exigências e o artificialismo da vida burguesa. Kid Júnior conta que foi chamado para fazer a fotografia, instigado por um outro colega, o Luis Carlos Moreira. Para tanto, subiu a marquise. "Não pedi para que se beijassem. Tudo aconteceu naturalmente", conta o fotógrafo.
A reportagem descobriu que se tratavam de Gerliane Sousa, 34, e Ismael Araújo, 31. Provenientes do Pará, não conseguiram emprego nem teto em Fortaleza. Daí foram viver na Avenida Pessoa Anta, na Praia de Iracema. Ao invés da cobertura de um dos edifícios de luxo do bairro, passaram a morar em cima de uma parada de ônibus. Enfim, as recordações dos tempos de pobreza acabam unindo, quando o tédio ou mesmo o desamor batem à porta da familia. Tomara que seja assim para Gerliane e Ismael.
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Antonio Duarte, o artista e o intelectual, e sobretudo, o repórter fotográfico
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| Mário Gomes flanando na Praça do Ferreira. Fotos: Antonio Duarte |
Há quem diga que quase todos os repórteres fotógrafos são artistas. Não só pelo modo de se vestir e se comportar, mas porque entendem que de fato desenvolvem um novo tipo de arte. Do mesmo modo, se diz que os repórteres se comportam como intelectuais, também com demonstração de suas atitudes. O fato é que tanto o repórter fotográfico quanto o repórter propriamente dito desenvolvem atividades técnicas e, portanto, não são necessariamente artistas ou intelectuais.
Há uma exceção. Antonio Duarte, de São João do Mereti. "Fotojornalismo é jornalismo. Me vejo como um repórter fotográfico", afirma modestamente. Na verdade, ele é um dos jornalistas mais cultos e ávido por conhecimento. Não para de ler e não se contenta com o que sabe. Procura sempre a perfeição da sua atividade e aí atinge de fato o patamar da arte onde a fotografia chegou não de maneira fácil como se pensa. É um amante do jazz e desta música extraiu expressivos trabalhos.
Sobre ele, outros colegas também já se manifestaram. Veja o depoimento de
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| For All |
Paulo Oliveira, Editor das edições regionais de O Dia, 90's. Hoje Secretário de Redação de A Tarde (BA).
Foi na Baixada Fluminense, em 1968, que Antonio Duarte descobriu o jazz. Remexendo os discos do irmão de um amigo, em Olinda, Nilópolis, se deparou com Sirius, do saxofonista Coleman Hawkins. Pegou emprestado e nunca mais devolveu. As vozes vieram bem depois - a primeira foi Ella Fitzgerald.
Do som da vitrola até ficar bem próximo dos ídolos nas coberturas do Free Jazz, passaram-se 15 anos. Nesse intervalo, Duarte estudou Comunicação na UFRJ, mas abandonou o curso por causa do emprego de controlador de carga da Companhia Docas do Rio de Janeiro. Largou o Cais do Porto para trabalhar na farmácia do pai e numa loja de fotografia em Morro Agudo, Nova Iguaçu. Na Fotoni, entre retratos 3x4 e cobertura de casamentos, fez mais uma descoberta: a fotografia.
Desde então, música e fotos caminharam juntas na vida de Antonio José Henriques Duarte, nascido em 21 de julho de 1950, em São João de Meriti.
Com passagens pela Última Hora, O Dia, Extra, Hoje (CE) e O Povo (CE) e fazendo freelas para O Globo, Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Lance!, Casa Cláudia e Caros Amigos, Duarte não perdeu nenhuma edição do Free Jazz, entre 1993 e 1998.
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| Antigo bordel |
Ex-editor de fotografia do Hoje (CE) e das edições regionais de O Dia, e ex-coordenador de imagem de O Povo (CE), Duarte começou a expor seus trabalhos em 1990, na Casa de Cultura de Nova Iguaçu. Por dois anos, acumulou as funções de expositor, organizador e curador da série Fotomostra, reunindo trabalhos dos fotógrafos da Baixada. Em 1991, fez a sua primeira individual, no Centro Cultural Jacob do Bandolim, em Meriti: Sobras.
"Foi um trabalho marcante", diz Duarte, referindo-se a idéia de reunir fotos que não foram publicadas nos jornais sobre pessoas que viviam à margem da sociedade. Em 1992, outro trabalho individual, Caras e Bocas foi exposto no Sesc Meriti. No ano seguinte, participou da coletiva dos fotógrafos de O Dia, organizada pelo Centro Cultural da Light, para marcar o primeiro ano da utilização de cores nas páginas do jornal; e da coletiva Fome, que fazia parte da campanha de Betinho, no Centro Cultural Banco do Brasil. Em 1996 participou do "Santa Tereza de portas abertas". Morador do Hotel Santa Tereza na época mostrou fotos do Free Jazz montadas em embalagens de CDs. Ainda em O Dia, Duarte percebeu que os fotógrafos da editoria do Interior não tinham dimensão da qualidade e dimensão do que era produzido. Decidiu organizar e participar de duas coletivas (Outro Rio, mesmo Rio) com mais de 400 fotos. Outro Rio, mesmo Rio atraiu centenas de jornalistas e visitantes, em 1995 e 1996.
No Ceará, não deixou de produzir. Em 2001, fez sua primeira individual, no Bar Passarela, em Fortaleza. Praça do Ferreira, Espeto de Pau mostrava a vida dos poetas que freqüentam os bancos da principal praça do Ceará. A série lhe valeu o convite do governo do Estado para fazer um livro, que está em fase de edição.
No Nordeste, voltou a se encontrar com o jazz, fotografando os participantes do Festival de Guaramiranga. O Jazz desce a Serra foi exposto, em 2002, no Bar Caros Amigos. Semanas depois, Duarte teve a idéia de expor suas fotos à moda cearense.
Cordel de Jazz, cópias de fotos coloridas e plastificadas de jazzistas famosos foram penduradas em fios de barbante e espalhadas no Porto Bistrô, em Fortaleza".
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Zanzibar e o mundo da fantasia que extravasa no Carnaval
Carnaval é tempo de se vestir e viver fantasias, de extravasar sentimentos interiores que normalmente, seriam inconfessáveis. Daí a explicação porque tantos homens, machistas por assim dizer, se vestem de mulheres, e estas, normalmente recatadas, usam roupas sumárias, não se importam com as posições das pernas e chegam a ser confundidas com prostitutas. Desde a década de 50 que esse fenômeno é costumeiramente visto pela imprensa, que aproveita para tomar posições conservadores e, muitas vezes, cínicas.
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| Capa da Revista o Cruzeiro do Carnaval de 1952 |
Este ano, o carnaval não deverá ser diferente daquele que passou. Vamos nos fartar de mulheres semi peladas nos desfiles das escolas de samba, homens com trajes exageradamente femininos e pouquíssima criativade de adereços e músicas próprias para o período.
As lembranças mais fortes que tenho da folia momina, mesmo já passados muitos anos desde os meus 18, ainda deixaram marcas indeléveis. Era um domingo à noite em Paracuru, quando o grande hit Zanzibar zoava pela praça da matriz naquela simpática cidade litorânea do Ceará. Uma composição que não diz coisa com coisa, temos que reconhecer, do compositor e arquiteto cearense Fausto Nilo. Sem entrar em maiores detalhes de como tudo isso aconteceu, porque sei que não é interessante para o meu estimado, alegre e folião leitor, tive uma parada cardíaca.
Uma das coisas que me lembro é de uma ambulância com suas sirenes histriônicas, rasgando estradas ou avenidas, que pensei não ser mais desse mundo. Foram três dias de coma. Quando acordei, num leito do Hospital de Emergência e Urgência IJF, ainda no seu prédio antigo na Rua Padre Valdevino, vi ao meu lado uma prancheta com um laudo escrito no papel pregado: tentativa de suicídio. Me rebelei, protestei. Chamei a enfermeira e disse que se tratava de um engano. Um absurdo. Amava viver. Ela, que virou pernsonagem de meu livro com traços físicos parecidos com a Clementina de Jesus, me falou frases ainda mais desconexas do que a música de Zanzibar. Parecia zangada comigo. Resumindo, nunca mais passei o carnaval em Paracuru.
Zanzibar
Elba Ramalho
No azul de Jezebel
No céu de Calcutá
Feliz constelação
Reluz no corpo dela
Ai tricolor colar
Ás de maracatu
No azul de Zanzibar
Ali meu coração
Zumbiu no gozo dela
Ai mina aperta a minha mão
Alá me "only you"
No azul da estrela
Aliás bazar da coisa azul
Meu "only you"
É muito mais que o azul de Zanzibar
Paracuru
O azul da estrela
O azul da estrela
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Pasquim diz que importante não é competir. Mas sair vivo.
Neste pequeno trecho do documentário feito pela TV Câmara temos o prazer de rever os rostos heróicos dos que resistiram bravamente e com muito humor aos anos de chumbo. Ao mesmo tempo, por ser tão breve, não temos o desprazer de acompanhar o fim de seu ciclo, suas intrigas, traições e a imensa covardia que foram feitas com alguns de seus empregados.
Vamos nos contentar pelo que representou positivamente. A graça de manchetes, que marcou minha geração e que se tornou uma Bíblia do jornalismo combativo para muitos. "Jacqueline não apenas nasceu com o rabo virado para a lua, como soube usá-lo". 'Tesoura sim. Alicate não". Para bom entendedor, poucas palavras bastam.
Segundo o Wikipedia, o Pasquim foi um semanário brasileiro editado entre 26 de junho de 1969 e 11 de novembro de 1991, reconhecido por seu papel de oposição ao regime militar.
De uma tiragem inicial de 20 mil exemplares, que a princípio parecia exagerada, o semanário (que sempre se definia como um hebdomadário) atingiu a marca de mais de 200 mil em seu auge, em meados dos anos 1970, se tornando um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro.
A princípio uma publicação comportamental (falava sobre sexo, drogas, feminismo e divórcio, entre outros) O Pasquim foi se tornando mais politizado à medida que aumentava a repressão da ditadura, principalmente após a promulgação do repressivo ato AI-5. O Pasquim passou então a ser porta-voz da indignação social brasileira
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domingo, 22 de janeiro de 2012
Flagrantes de crianças que já se foram e mulheres que estão se tornando
A revista New Yorker desta semana traz uma coletânea de fotografias postadas pela jornalista Ellyn Ruddick-Sunstein. A autora reuniu uma série de fotografias de jovens adolescentes dos Estados Unidos e fora de seu País, para mostrar flagrantes da transição entre criança e mulher. Há também momentos de relacionamento entre meninos e meninas, mas predominam a foto posada, disponível para a contemplação.
A jornalista afirma que suas fotografias favoritas são de adolescentes, elaboradas na liberdade recém-descoberta, e onde a sexualidade converge com a consciência de estar sendo observadas e julgadas pelo exterior.
"Este é também o momento em que os jovens tornam-se mais interessados em controlar o que um observador vê deles. O que há de mais sutil nestas fotografias são muitas vezes aquelas com as adolescentes, que estão começando a entender que seus corpos estão sendo cada vez mais olhado e avaliado à medida que crescem", resalta a autora.
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Linguagem e a sede das Águas no Dia que Lisboa Tremeu
Chegou ao Brasil o Livro Quando Lisboa Tremeu e que será objeto de crítica do poeta e imortal Carlos Augusto Viana, no Caderno Cultura, da edição do próximo domingo do Diário do Nordeste. Com 478 páginas e custando R$ 44,00 (em Lisboa, 19,96 euros), trata de um romance que ousa na linguagem híbrida e, sobretudo, o impacto que as forças da natureza causam sobre as pessoas. Está dividido em quatro partes: Terra, Água, Fogo e Ar e a forma compactada somente aumenta o interesse de se avançar os capítulos e se chegar ao âmago da história, que acontece na Capital Portuguesa, em 1 de Novembro de 1755. "Aqueles foram dias terríveis, dias em que perdemos os nossos gestos e pensamentos mais bondosos..."
Como diz o autor, Domingos Amaral, diretor da revista portuguesa GQ, a manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, um ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do Rei D. José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis.
De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casa caem, os tetos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o terreiro do Paço e durante vários dias incêndios colossais vão atemorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros.
Uma boa leitura assim como recomendo a crítica criteriosa de Carlos Augusto Viana.
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domingo, 11 de dezembro de 2011
Circo mantém seu encantamento atravessando décadas e séculos
O encanto do circo é um dos temas de fotografias que a revista New Yorker exibe esta semana. O deleite que é pago, mas com a certeza de que se sairá feliz, é uma das verdades que Ernest Hermingway mantinha como um credo. Daí que o tempo passa, mas a velha fórmula é mantida: palhaços, acobratas, elefantes e macacos.
Da imagem antiga do picadeiro retratada por Charles Chaplin, em o Circo, até as exibições sofisticadas do Cirque du Soleil, não há como não se divertir na magia e no magnestismo que esse entretenimento nos oferece e bem que causa a nossa alma.
Nesta foto, de Sverre Braathen, há uma imagem inocente de crianças do meio oeste do Estados Unidos e macacos numa brincadeira de bicicleta. O fotógrafo era um fã de circo que regularmente, ao longo da vida, ocupou-se em acompanhá-lo nas décadas de 1940 e 1950.
O mais interessante nessa imagem é a espontaneidade inerente das crianças. Não se sabe se são meninos que acompanham a troupe ou típicamente nativos de ascendentes tipicamente eslavos do meio oeste. A expressão é natural e, claro, muito engraçada vendo os animais se exibindo como ciclistas nos seus momentos de lazer.
Leia mais http://www.newyorker.com/online/blogs/photobooth/2011/12 # ixzz1gBqmQWjK
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
O "boom" da comunicação de baixo custo e de enormes resultados
Há alguns dias venho dividindo minhas atenções com o blog Sobrearte e com o site www.marcuspeixotojornalismo.webnode.com.br.
Ambos têm merecidos mimo e acuidade, sem descuidar das minhas atividades profissionais, como jornalista e assessor de imprensa. O fato para que disponha de tamanha disposição e interesse é que a web foi um facilitador para a comunicação gratuita ou de baixo custo. Isso nos permite o deleite e capacidade para mostrar práticas comerciais inteligentes de manter espaço na mídia. Tudo sem perder o prazer e nem desprender muito esforço ou tempo.
O Sobrearte surgiu porque gosto de poesia, pintura, escultura, filosofia e todo tema que desenvolva uma expressão culturamente subliminar. Como isso aconteceu? Na verdade, surgiu há muito tempo, quando em tenra (desculpe-me, leitor, o termo não faz parte da linguagem moderna) idade me tornei um leitor voraz, mas se tornou um impulso agudo com essa onda de rede social, que tendo ou não conteúdo se corre grande risco de se ficar falando, e até gritando, como fazem muitos, sozinho. Ou seja, é muito provável que quase ninguém leia o que você escreve. Essa é uma questão que antecede todas as outras. Aliás, e aqui não vai nenhuma crítica, muitos podem até dar mais importância à informação de que se "vai cortar o cabelo" do que a "Mostra reúne artistas populares do Ceará". Daí que preferi, da forma como entendo expressão de qualidade da informação, divulgar assuntos da arte e da cultura.
Já o site foi resultado da descoberta de que se pode viabilizar uma nova ferramenta de comunicação, que tenha retorno para o comunicador e o usuário. Isso é uma invenção da internet e da inteligência humana. Através de blogs e site gratuitos, manter links com os produtos e serviços há um custo reduzido que entra na conta do anunciante. No entanto, essa outra faceta não se reduz ao aproveitamento da mídia eletrônica. Resulta de todo o conjunto da experiência intelectual que deve ser útil para quem busca um serviço profissional de jornalismo e assessoria de imprensa. Daí a necessidade da métrica, de se ponderar bem o que se propõe e o que resultará dessas ações.
Mas para que escrever ou divulgar esses assuntos, produtos e serviços se há uma tendência de se recorrer ao trivial? Como escrevi, é uma questão que antecede todas as outras. No entanto, O raciocínio brandamente nos fala que o desenvolvimento individual e social aponta para a consequência. O perfil do empreendedor se relaciona como se posiciona perante os meios de comunicação social e, desse modo, garantir a melhor qualificação do mercado. Claro, que as grandes mídias, jornal impresso e televisão, são os veículos de grande massa e que detêm os maiores faturamentos de publicidade, respectivamente. Mas tudo é uma questão se pesar ação e resultado. Ou ainda, avaliar custo e benefício.
Na verdade, a grande aposta é o ser e a família humana unidos por ideais que impliquem em bem estar e o direito ao banquete da vida. Isso se consegue, sobretudo, pelo compromisso moral, intelectual e solidário.
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Jornal Extra lança capa em quadrinhos sobre pacificação de comunidades no RJ
O jornal carioca Extra lançou nesta quinta-feira (24) uma capa e matéria em quadrinhos para ilustrar um ano da tomada do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, comunidades cariocas antes dominadas pelo tráfico de drogas.
A apuração foi feita pela redação do jornal e os desenhos por Allan Alex. Além da capa e matéria em quadrinhos, em seu site o Extra disponibilizou um vídeo com a notícia contada em quadrinhos animados
Fonte: Comunique-se
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domingo, 16 de outubro de 2011
Jornais são mais vozes que falam aos sentimento

Muita gente tem falado nos últimos dias da possibilidade de criação de um novo jornal no Ceará. Para jornalistas da minha geração, ninguém pode esquecer o entusiasmo quando, em meados de 1980, o empresário Edson Queiroz lançou no mercado o Diário do Nordeste. Isso representou na diversificação de mídias impresas, onde a concorrência obrigava a modernização e a prática de um jornalismo agora pautado pelos leitores, além, naturalmente, da pluralidade do mercado de trabalho.
Sem necessidade de que haja desmentidos oficiais, novas mídias, inclusive a internet, somadas a crise global, colocam um balde de água fria no sonho, tanto para quem está ainda cursando a faculdade de Comunicação Social e similares, quanto para os calejados profisisonais que torcem pela resistência do jornal. Pessoalmente, duvido do advento desse novo periódico, porque contraria a tendência atual de mercado.
A ANJ acredita que a durabilidade da mídia impressa está garantida por alguns anos, de modo que essa seja polarizada por dois jornais. Se tudo não passa de um boato e de uma vontade louca de mais postos de trabalho para jornalistas, o tempo rapidamente vai nos dizer. Contudo, quero render homenagem aos tempos do jornalismo romântico, opinativo, próprio do começo do século passado.Aqui reproduzo o primeiro o editorial do Jornal O Povo, de 7 de janeiro de 1928:
Contrariamente ao pensamento de muitos, nunca será demais um novo jornal.
A complexidade da vida moderna agitada e vertiginosa, já por si, justificaria a preferência dos períódicos sobre os livros.
A vista não mais se apura no estudo paciente e metódico dos gabinetes, mas limita-se a pecorrer títulos e a deter-se onde encontra o assunto escolhido e pelas necessidades materiais e mentais de cada momento.
O livro está, evidentemente, restrito às perquirições das elites.
O jornal é do vulgo.
É no jornal que o povo encontra o seu pão espiritual de cada dia. O jornal descortina-lhe omundo, vencendo distâncias.
É a lanterna mágica do progresso.
É a força propulsora e condutora das massas insatisfeitas, para as grandes reivindicações de sues direitos postergados pela cáfila absorvente dos magnatas de todos os tempos.
Quando o povo geme escravo, entorpecido pelas algemas do cativeiro, indiferente e modorrento, resignado à violência paralisante do grilhão, o jornal é o sangue novo, forte, e negeroso a nutrir-lhe as células dormentes, a despertar-lhe os neurônios amortecidos, a ondear-lhe, nas veias, a torrente vigorosa e enégica da revolta.
O povo necessita de mais gritos que o estimulem, de mais vozes que lhe falem ao sentimento.
Eis porque surgimos.
Ao desfraldar a nossa bandeira de combate, pelos puros ideais de justiça e liberdade, não nos entontece a glória de vencer, porque a alvorada redentora, ainda está muito longe de raiar no oriente da Pátria,.
Mas havemos de ser o grão de areia do formidável monumento, contra, o qual srã impotentes as picaretas aguçadas dos erros seculares.
O Povo é, pois, uma bateria descoberta para os embates francos e leais, na arena da imprensa.
E o futuro dirá da nossa fidelidade ao programa aqui traçado.
O caminho que temos a percorrer, embora seja bordado de precípicios e semeado de espinhos, não será a picada sinuosa dos ´hipócritas, mas a estrada real por onde marcham, alheados de si mesmos, aqueles que se acostumaram a fitar a claridade dos infinitos deslumbrados...)
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Ralph Della Cava recebe título de Doutor Honoris Causa pela UFC
Em setembro de 2005, entrevistei Della Cava para a Revista Plenário, publicada pela Assembleia Legislativa. A matéria tratatava sobre os esforços do bispo do Crato, dom Panico, pela reabilitação de padre Cícero.
Entrevista
"Cento e setenta e um anos depois do nascimento de Padre Cícero e 71 depois de sua morte, ele permanence como um dos maiores personagens do Brasil contemporâneo, um santo e taumaturgo dos humildes da terra". A afirmação é do historiador norte-americano Ralph Della Cava, 70 anos, que doou o material de seus estudos sobre o Padre Cícero à Biblioteca Latino-Americana da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Ele começou a estudar a vida e a obra do fundador de Juazeiro do Norte na década de 1970. Ao longo de quatro décadas, foi acumulando livros, cordéis, fotografias, xilogravuras, documentos e cerãmicas num trabalho apaixonado pela mística de quem considera como o que há de mais extraordináriuo em matéria de milagres e história. Os motivos da doação, anunciada em abril deste ano, foram relatadas como um sentimento de medo. Ou seja, que este precioso tesouro pudesse se estragar, caindo vitima de herdeiros , leiloeiros e cupins, além, é claro, da pressão de sua mulher, Olga, bibliotecária, que o ultimava para que desse um destino ao acervo ainda em vida. Della Cava é professor emérito de história de Queens College da City University of New York e atualmente é Pesquisador Senior Associado do Instituto de Estudos Latinoamericanos (ILAS) da Columbia University na Cidade de New York.
Pergunta: Como o senhor vê, hoje, os movimentos da Igreja Católica para a reabilitação do Padre Cícero?
Resposta. Esses movimentos existem há muito tempo e os resultados são bastantes complexos e incertos. Houve esforços inumeráveis para retificar o estado de Padre Cícero como um padre de posição regular a partir do século XIX. Na realidade, logo após a ocorrência dos primeiros milagres alegados. Não obstante, todos os tais esforços foram malsucedidos. O que é sem igual trata-se da iniciativa presente, originada da Diocese de Crato, ao perceber as muitas sanções contra o pároco de Juazeiro, da mesma maneira, como as elites do Crato e os líderes posteriores denegriram freqüentemente sua imagem dentro um espectro desesperado, e também fracassando a tentativa para evitar o próprio declínio político e econômico desses segmentos. Mas, com respeito ao movimento atual, temos que perguntar qual é seu objetivo preciso. Seria reabilitar Padre Cícero com relação a essas sanções ou é, como o Bispo atual de Crato insistiu repetidamente, reconciliar " a igreja com os dois milhões de romeiros que vão a cada ano a Juazeiro, além de milhares de devotos existentes por todo o Nordeste, bem como os seus descendentes, que ajudaram fazer o município o segundo mais próspero no estado de Ceará?" Como bispo, Dom Fernando Panico, tem pela primeira vez na história da diocese uma iniciativa pública de antagonismo aos antecessores no que diz respeito a Juazeiro e seu romeiros. Incitando a reabilitação, como é a visão de Dom Fernando - como o perito pastoral que ele é - de como melhor a Igreja poderia servir às necessidades espirituais e materiais destes crentes. À esse fim, desfruta o endosso da Conferência Nacional de Bispos de Brasil (CNBB) e, como foi informado na imprensa, do Papa Benedito XVI, por ocasião em que foi Perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Os romeiros sentirão de perto a diferença de um padre Cícero restabelecido por Roma dos sentimentos que eles têm agora, como o padre de longo-sofrimento, proclamado como santo e intercessor de milagre há muito tempo - apesar da Igreja? Essa é, pelo menos, a pergunta interessante disposta por meu colega o Gilmar de Carvalho. Mas, aqui também, só o tempo contará.
P. Em algum momento, em suas pesquisas, houve a descoberta de uma espiritualidade de fato singular que explicaria o fenômeno da reverência e da romaria convergindo para Juazeiro do Norte?
R. O fervor religioso origina-se da predominância de condições sociológica para a sua elevação extraordinariamente rápida em Juazeiro em população e influência econômica dentro de dez anos dos milagres alegados de 1888-1889. As romarias foram incitadas no princípio pelos " fatos extraordinários de Juazeiro " – relacionados à Beata Maria de Araújo, dando conta de a hóstia em sua boca foi transformada em sangue, imediatamente proclamado pelo clero para ser isso de Jesus Cristo. Então, com as grandes secas de 1888 e 1915, os romeiros eram indistinguíveis de retirantes na procura deles por um porto seguro, no qual eles acharam a fertilidade nos campos do Cariri. Durante as primeiras três ou quatro décadas do último século, milhares de migrantes procuraram Juazeiro - em um dos grandes movimentos demográficos internos da história brasileira moderna, o que se constitui num daqueles restos de silêncio a serem estudados.
P. Na sua pesquisa, o que foi considerado como a grande contribuição de Padre Cícero?
R. O serviço abnegado dele para os outros! Para os romeiros - que tornou Juazeiro possível - ofereceu isso que nenhum dos coronéis locais, fazendeiros e políticos não puderam, afirmando que se trabalhasse com dignidade, com deliberação sábia e a esperança duradoura de uma vida melhor, aqui e no futuro.
P. Tem-se afirmado que Padre Cícero ainda é muito pouco estudado. Que expectativa tem com o recente fato de ter doado seu acervo para a Biblioteca Latino-Americana da Flórida? Amplia-se a possibilidade ser melhor conhecido e difundido?
R. Não é que o Padre Cícero seja "pouco estudado," mas - como todo sujeito histórico em torno do qual continua a surgir tanta controvérsia - será sempre estudado. O momento atual não pode ser mais propício: muitos novos documentos, todos inéditos, apareceram, como o foi anunciado o ano passado durante o III Simposio Internacional sobre o Padre Cícero realizado em Juazeiro. Também porque vários arquivos antes inacessíveis ou não publicados - como os de Gilmar de Carvalho e Renato Casimiro, dois estudiosos do mais alto gabarito - estão hoje a disposição dos pesquisadores. Quanto à doação do meu arquivo sobre o Padre Cícero, ser facilmente acessivel a todos e permanecer bem e profissionalmente cuidado eram as condições que a Universidade de Florida em Gainesville (Estado de Flórida, EUA) se comprometeu de respeitar. E já cumpriu em parte: restaurou o microfilme dos arquivos do Colégio Salesiano de Juazeiro e da Diocese do Crato que eu filmei, chapa por chapa, em 1964; dele já fez uma cópia positiva (de mil sete centos pés de comprimento) a ser doada ao acervo da Universidade Regional do Carirí; colocou uns primeiros títulos e fotos no site da Biblioteca Latinoamericana (http://web.uflib.ufl.edu/lac/Brasiliana.html); e organizou em abril e maio deste ano uma mostra seletiva de artefatos, livros e fotos tirados do meu acervo - e com a promessa que não será a última.
P. Quais os motivos dessa doação?
R. Numa palavra: o medo! O medo de que este precioso tesouro pudesse se estragar, caindo vitima de herdeiros , leiloeiros e --- cupins! Foi a minha mulher, Olga, por muitos anos arquivista e bibliotecária na Columbia University, que entendia da urgência em achar um depósito certo. Precisava-se dum grande centro de estudos sobre América Latina com recursos permanentes, um equipe profissional, e um programa de estudos pós-graduados em religião, política e sociedade. Assim, a escolha caiu na Flórida (que era nem onde estudei nem onde lecionava) e assim tanto o meu acervo ganhou uma nova vida como as futuras gerações de jovens pesquisadores fontes preciosas.
P. Como avalia a vida política de Padre Cícero?
R. Diria que o grande momento na vida política de Padre Cícero foi quando ele deu o seu aval irrestrito à campanha de Juazeiro de independência do município do Crato, lá pelos anos de 1908 ate 1911. Atras deste empenho absolutamente consciente da sua parte foi a sua persistente aspiração de localizar em Juazeiro o futuro "Bispado do Cariry", um projeto que em retrospecto coincidiria com o dos Alencar para uma grande província interioriana do Cariry num Brasil independente.
Tanto o Padre José de Alencar Peixoto, oriundo de Crato como o Padre Cícero, como o ambicioso forasteiro baiano, o Doutor Floro Bartholomeu, militaram para avançar o sonho. No caso do Bispado do Cariry nunca teve a menor chance, dada a intransigência de Roma na época para com o Padre Cícero.
Com respeito à "revolução de 1914" e as suas conseqüências, tudo que eu vi nos arquivos que consultei indica que o Padre Cícero nem estava a par das tramas. Costuradas por Doutor Floro, o Coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, o então "mandachuva" de Crato, e o Senador Pinheiro Machado, elas se desenvolveram a revelia do padre e, o que pareceu, contra a sua vontade.
P. De um modo geral, como se distingue a mística e a vida secular do sacerdote?
R. Eu diria que eles eram urdidura e textura de um único pano.
Realmente, se você tivesse viajado os sertões no XIX até a metade do último século, você não teria achado um padre católico romano mais ortodoxo que Padre Cícero. A vida espiritual dele foi ancorada na honra dos votos sacerdotais e centrada ao redor de oração e ações prescritas pelo Conselho de Trento, devoções místicas, em honra do Coração Sagrado de Jesus e prometendo para seus devotos a ab-rogação de castigo físico na vida após a morte para os pecados deles.
Como o grande antecessor dele, Padre Mestre Ibiapina, aconselhou os homens e mulheres na eficácia de oração e vivência honesta. Falou de modos que o roceiro mais humilde poderia entender, dispensou os seus bens entre os mais necessitados, assim como os bens dele e propriedades para ordens religiosas para promover educação.
No conflito com Roma, ele buscou ano após ano, a restituição das suas ordens sacerdotais A obstinação dele naquela intuíto, a insistência inicial na veracidade dos milagres, o envolvimento largamente involuntário dele em políticas, e a preferência irrestrita pelo pobre conduziu durante os anos tranformaram-no em um mito. Eu e outros investigadores tentaram fazer um retrato mais verdadeiro para a vida e com tanta recisão quanto as fontes e nossas corcundas permitiriam.
P. Na condição de intelectual, como tem debruçado pelos supostos milagres atribuídos àquela região?
R. A minha paixão intelectual reside em descubrir a maneira em que nós construímos o nosso mundo e tentamos torná-lo mais justo e igualitário, transparente e tolerante. No caso do "milagre de Juazeiro" enxerguei como um grande e excepcional acontecimento em torno do qual surgiu um movimento social que continua até hoje, evidentemente sob formas diversas, na tentava de entendê-lo. Imagine só: 171 anos depois do nascimento de Padre Cícero e 71 depois de sua morte, ele permanence como um dos maiores personagens do Brasil contemporâneo, um santo e taumaturgo dos humildes da terra, enquanto a cidade que ele "fundou" floreceu precisamente como um porto seguro para todos os refugiados da miséria, injustiça e infortúnio. Em matéria de milagres e história, tudo isto não é já bastante extraordinário?
Ex-traficante abre jornal no Complexo do Alemão e quer criar biblioteca
Ele sequer terminou o quarto ano do ensino fundamental, mas no tempo em que ficou detido se dedicou à leitura de matérias e aprendeu a lidar com computadores. Cerca de sete anos depois, Ramos voltou à comunidade, fez um curso de empreendedorismo no próprio morro e se tornou editor-chefe do jornal Plantador Fiel, que circula na região e tem tiragem mensal entre cinco mil a oito mil exemplares.
O jornal foi aberto logo após o término do curso, ocasião em que Ramos, ao expor seu trabalho em uma feira de negócios, ganhou o terceiro lugar com o seu projeto – o jornal - e uma proposta de patrocínio de uma grande empresa de cosméticos.
Hoje, aos 25 anos, Ramos espera que a nova geração do Complexo do Alemão descubra na própria comunidade o que ele aprendeu no período em que esteve recluso: a paixão pela leitura. “Estou planejando criar uma biblioteca na comunidade, mas ainda não tem nada concreto.”
De acordo com o portal R7, a estratégia de distribuição do jornal no Alemão, foi planejada por Ramos. Ele conta com a ajuda dos 600 mototaxistas que circulam pelas vielas do bairro para distribuir os exemplares. Segundo ele, há mais de 500 assinantes do Plantador Fiel dentro da comunidade.
Fonte: Comunique-se
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
AlgunsDias, de Antônio Duarte, é a fotografia depurada como os bons e velhos vinhos
Por alguns dias, o fotógrafo Antônio Duarte esteve conosco no Diário do Nordeste. No começo deste semestre, atuou como um legítimo repórter fotográfico, onde a diversidade dos temas tanto é rica quanto impactante mesmo para o mais experiente profissional. Pois variam desde gestos banais como caminhar pela calçada, embarcar no ônibus, enquanto uma poça d'água impede a travessia de um lado para outro da calçada até o coletivo, à foto pousada do artista, a mesa requintada, ou as emoções alegres de uma disputa esportiva ou o drama de quem morre.
Toda essa matéria prima coletada, especialmente, em julho deste ano, foi postada no Youtube, e resultou não somente por marcar presença da sua passagem pelo periódico. Trata-se, na minha opinião, da valorização do corriqueiro e o registro histórico de instantes que poderiam ser tratados com desdém, mesmo quando envolve algo extremamente grave. Reparem numa fotografia em que uma pessoa registra pela câmara do telefone celular uma imagem de corpo caído no chão.
Antônio Duarte é culto e sendo profissional experiente foi seduzido pelas novas tecnologias e técnicas da fotografia. Contudo, destaco especialmente o seu interesse pelo estudo. Quando tudo concorre para nos oferecer verdadeiras aulas de fotojornalismo, ele busca o aprendizado cotidiano. E aí está um belo resultado.
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domingo, 11 de setembro de 2011
Vidas e custos incalculáveis são sentidos hoje após uma década de 11/09
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| Livingston Johns (1972) |
Hoje é um dia de derramamento de lágrimas e de grande pesar para os moradores de Nova York. Em 11 de setembro de 2001, ocorria o maior atentado terrorista da história. Somente no ataque ao World Trade Center, houve 2.749 mortos, mas os custos para a década em torno do terror podem ser contabilizados em muito mais do que em milhares de mortos e trilhões de dólares, gastos em guerras contínuas no Afeganistão e no Iraque, além do investimento na segurança interna dos Estados Unidos.
Muito além do sofrimento, a revista New Yorker preparou na semana passada uma coletânea nostálgica de fotografias da área onde antes se instalaram as Torres Gêmeas, com fotos, dentre outros, de Adolph Wittenman (1886), Robert L. Bracklow (1900), Berenice Abbott (1936) e Jack Delano (1941).
Não obstante aquelas que marcaram a dor, o sofrimento e o desespero dos mortos, o destaque da revista foram para as fotografias em preto e branco, que mostram uma metrópole avançando no tempo, com expressões banais do cotidiano. As imagens foram recolhidas de vários arquivos históricos de Nova York. Acima, uma vista aérea do WTC em construção. A coletânea pode ser acessada pelo link: http://www.newyorker.com/online/blogs/photobooth/2011/09/before-the-world-trade-center.html#ixzz1XeDHDjtE
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Pinturas imortalizam patrimônio sacro
| Silvaânia Claudino |
Independência. Hoje, neste Município, 12 comunidades católicas rurais receberão telas pintadas com as imagens de seus padroeiros. A solenidade de doação acontecerá às 9h no Salão Paroquial, onde até ontem as telas "gigantes" dos santos Antônio, Pedro, João e Nossa Senhora da Conceição, de Fátima, do Rosário e do Perpétuo Socorro estiveram disponíveis para visitação pública na Exposição "Pintando e Celebrando o Sagrado". O trabalho realizado pelo artista plástico Rogerlando Gomes Cavalcante, natural deste Município, foi contemplado no VII Edital Prêmio de Incentivo às Artes 2010, da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), no segmento Artes Visuais (Prêmio Antônio Bandeira). As telas serão utilizadas pelas comunidades no período de realização dos festejos em homenagem aos padroeiros.
A Exposição consiste na pintura de 12 telas de temática sacra para capelas de padroeiros de localidades do Município e chamam a atenção pelo tamanho e colorido. São enormes painéis que medem 2,5 metros de altura de cores fortes e vivas. Nos três dias em que estiveram expostas no Salão Paroquial foram vistas por alunos das Escolas do Município e populares.
Outra marca da obra é a busca da originalidade. Cada tela exibe o padroeiro da forma que está no altar nas capelas, e em segundo plano a frente das próprias capelas. O autor ressalta que fez questão de preservar as características das imagens e das capelas de cada localidade. "Procurei respeitar as imagens e a ideia é que o desenho que está fora, no caso a imagem, reflita o que há dentro das capelas", frisa. Ele explica que a capela tem a função identificadora do local. "Funciona como cena externa, localizadora e identificadora do lugar que se refere o santo ou santa. São imagens simples, o padroeiro e sua capela, mas de extremo significado religioso, social, geográfico e cultural", analisa o artista plástico.
Mão de obra
Segundo o autor, desde o início do ano trabalha no desenho e pintura dos painéis, que demandaram muito tempo e esforço, superando, inclusive, o tempo previsto para o término de todas as telas. Iniciou com os levantamentos dos dados nas localidades e fotografias, para o qual contou com a colaboração da Paróquia local. Depois partiu para os desenhos e pinturas. Ele pretendia concluir o trabalho e expor no mês passado por ocasião dos festejos da padroeira do Município, Nossa Senhora Santana, cujo painel principal é pintado por ele anualmente. "Não foi possível em função do tamanho das telas, que demandaram muito tempo e trabalho da minha parte".
Uma curiosidade comum a todos que veem as obras é sobre a execução do trabalho. Ele explica que improvisou em sua residência um ateliê composto por carretéis e barbantes presos ao telhado e com o auxílio de duas pessoas nessa estrutura foi desenhando e pintando as telas. Ressalta que apesar do esforço e das noites em claro pintando as telas, foi prazeroso e nada cansativo. "Faz parte de mim, da minha própria existência me envolver no trabalho, desenhar, pintar e ver concluído, então não canso", afirma.
Criatividade
Ao contrário do apelido pelo qual é conhecido por todos na cidade, "O Pequeno", a capacidade criativa e produtiva do autor é grande e reconhecida no meio cultural. Ele é dinâmico e ao tempo em que executava as telas sacras, também escrevia um livro "Equinócio de Primavera", que lançará no próximo dia 9, na Bienal do Livro, no Rio de Janeiro. E no primeiro semestre deste ano lançou "A Máquina do Mundo". É também desenhista, quadrilhista e ensaísta.
Para Cacilda Sales, diretora de Cultura do Município e presidente da Fundação Senhor Pires, o trabalho tem forte ligação com o povo e fundamental importância para o Município. "É um trabalho excelente, ligado à cultura popular. Através da arte desse artista plural, Independência se torna conhecida".
MAIS INFORMAÇÕES:
Salão Paroquial
Rua Senhor Pires, 228
Município de Independência (CE)
www.rogerlando.com
Silvania Claudino
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Revista do Instituto Histórico do Ceará conta a história dos bairros Gentilândia e Benfica

Reitoria da Universidade Federal do Ceará UFC - Campus do Benfica - Fortaleza., a photo by Nivardo C. Nepomuceno on Flickr.
A edição traz importantes artigos dentre eles: A Gentilândia e o bairro Benfica (A Vila Gentil) de Pedro Alberto de Oliveira Silva; O Centenário do Teatro José de Alencar 1910 – 2010 (arquitetura e consagração) de José Liberal de Castro; Plácido de Carvalho e Luiz Severiano Ribeiro: “ uma dupla de cinema” de Carlos Negreiros Viana; A historiografia do “mal radical”, Cristãos e Judeus face ao holocausto de Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes.
Serviço
Data: 22/08
Horário: 15h30
Local: Instituto Histórico do Ceará - Rua Barão do Rio Branco, 1594 - Centro
Mais informações: (085)- 3021-7559
Email: contato@institutodoceara.org.br
Fonte: Secult
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Com ou sem Maria, vá de Coca Cola
1950, 15 de agosto. Nada de celebração de Nossa Senhora da Assunção. Nada de Caminhada com Maria ou muito menos festa de Iemanja. O destaque da imprensa cearense naquele dia era a inauguração da primeira fábrica em Fortaleza da Coca Cola.
Em anúncio de meia página, o Jornal O Povo dá conta que a nova fábrica funcionará na Rua Monsenhor Tabosa, 1054 por iniciativa da Fortaleza Refrigerantes S/A.
Não que antes a bebida já não fosse uma febre no Ceará. Acredita-se que tenha chegado com os norte-americanos aquartelados no Pici, durante a II Guerra Mundial, sendo importada dos Estados Unidos.
Em seguida, viria o Grapeti, para somente em 4 de janeiro de 1957 chegasse ao paladar o gosto alaranjado do Crush,engarrafado por F. Sanford & Cia. Para matar a sede dos cearenses, a disputa de mercado era celebrada como ação de desenvolvimento regional.
Em anúncio de meia página, o Jornal O Povo dá conta que a nova fábrica funcionará na Rua Monsenhor Tabosa, 1054 por iniciativa da Fortaleza Refrigerantes S/A.
Não que antes a bebida já não fosse uma febre no Ceará. Acredita-se que tenha chegado com os norte-americanos aquartelados no Pici, durante a II Guerra Mundial, sendo importada dos Estados Unidos.
Em seguida, viria o Grapeti, para somente em 4 de janeiro de 1957 chegasse ao paladar o gosto alaranjado do Crush,engarrafado por F. Sanford & Cia. Para matar a sede dos cearenses, a disputa de mercado era celebrada como ação de desenvolvimento regional.
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