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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Festival Canoa Blues traz grandes nomes em sua quarta edição

Fortaleza não é mais a única fomentadora de eventos culturais de grande porte no Ceará. De uns anos para cá, cidades litorâneas e do sertão cearenses viraram palco de eventos culturais e de entretenimento, tornando-se pólos importantes de geração de renda e disseminação de informações, agregando oportunidades à população local e aos turistas.

Canoa Quebrada, localizada a 150 quilômetros de Fortaleza, é considerada um dos principais destinos turísticos do Estado. Eventos como Férias no Ceará, Etapa Kit Surfe, Curta Canoa e Réveillon da Paz já tiveram passagem pela praia. Dentre os diversos festivais sediados em Canoa, está o Canoa Blues, evento reconhecido nacionalmente e que integra o Calendário Oficial de Eventos do Estado do Ceará, chega a sua quarta edição.

Canoa Blues
Este ano, sete atrações, entre músicos locais, nacionais e internacionais, subirão ao palco do Pólo de Lazer, na praça principal de Canoa Quebrada.

Atrações internacionais
Os norte-americanos Peter “Madcat” Ruth e Tia Carroll pisam em solo cearense para apresentar seu som e suas influências, justificando o status de grandes nomes do blues. Peter “Madcat” tem quase 50 anos de carreira e tocou ao lado de grandes lendas do jazz e do blues, como Gerry Mulligan, Paul Desmond e Dave Brubeck. Atualmente, além de seu trabalho solo, Madcat forma, com a guitarrista Shari Kane, o duo Madcat & Kane e, com Chris Brubeck e o guitarrista Joel Brown, o trio Triple Play. O artista tem realizado turnês sistemáticas no Brasil, acompanhando pelo guitarrista carioca Big Joe Manfra. Em 2005, apresentou-se em Fortaleza.

Tia Carroll é comparada a Koko Taylor, Tina Turner e Aretha Franklin, seja pela potência de sua voz ou pela desenvoltura no palco. Nascida em Richmond, na Califórnia, Tia começou a cantar na igreja. Nos anos 1970, fez backing vocal para Jimmy McCracklin e Sugar Pie DeSanto. Os críticos apontam Sam Cooke e Stevie Wonder como influências em sua carreira. A cantora já lançou três discos: “Wanna Ride”, “Tia Carroll” e, o mais recente, “Soul Survivor”.

Atrações nacionais
Os representantes brasileiros enriquecem o Festival Canoa Blues através de sua diversidade sonora, com representantes vindo do Rio Grande do Norte e Paraná. O guitarrista Gustavo Cocentino vem se destacando no cenário do blues do Nordeste por meio de parcerias com nomes como Nuno Mindelis e Flávio Guimarães, dois dos mais respeitados músicos brasileiros do gênero. Também produtor, é hoje a principal referência do blues potiguar.

Criada no início dos anos 90, a banda Mister Jack gravou seu primeiro disco (“Blues!”) em 1994, colocando Curitiba no circuito nacional do ritmo. Em 2001, o grupo realizou duas grandes apresentações no Ceará, ganhando evidência nos estados do Nordeste e abrindo novas fronteiras. No ano de 2002, o reconhecimento chegou através do convite para participar do Natu Nobilis Blues Festival, que reuniu as melhores bandas brasileiras e recebeu figuras consagradas do blues internacional. Em 2008, os músicos resolveram fazer um recesso para realizar individualmente novas experiências musicais. Mister Jack é formada por Benê Jr. (harmônica), Marcelo Ricciardi (guitarra), Paulo Krefta (baixo) e Edu Kardeal (bateria).

Outro músico nacional que chega para apresentar sua música é Igor Prado, acompanhado da Prado Blues Band. O bluesman paulistano é considerado uma das grandes revelações do blues nacional dos últimos anos e passeia com prestígio por Estados Unidos e Europa. Com seu CD solo “Upside Down”, foi o único sul-americano incluído nas listas de 100 melhores de 2007 das revistas internacionais Real Blues e Blues Matters. O guitarrista já levou seu som para Argentina, México, Espanha, Itália, França, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Suiça e Estados Unidos. A Prado Blues Band é formada ainda por Yuri Prado (bateria), Rodrigo Mantovani (contrabaixo acústico) e Denilson Martins (saxofone).

Atrações locais
O som do Ceará também se faz presente no Canoa Blues através dos representantes Arthur Menezes e Rafael Balboa. O primeiro lançou-se na cena local como integrante da banda Blues Label. O guitarrista tem Stevie Ray Vaughan, Albert King e Albert Collins como influências. Seu primeiro CD, “Early To Marry”, lançado pela BluesTime Records, ganhou projeção nacional. Hoje, após temporadas em Chicago (EUA), bebendo numa das mais representativas fontes do blues, Arthur transita pelos palcos de São Paulo e Fortaleza.

O guitarrista Rafael “Balboa” Vasconcelos começou a despontar no cenário musical cearense a partir de sua participação na Killer Queen, projeto de tributo ao Queen, que contava com diversos outros músicos conhecidos e respeitados no meio. Sua passagem anterior por diversas bandas e estilos contribuiu para que desenvolvesse uma maneira própria de tocar. Em 2010, criou o Block, trio de blues e rock clássico, onde assumiu também os vocais. Com a experiência, passou a compor blues.

Reponsabilidade social
Além da programação musical, o Canoa Blues realiza ações de responsabilidade social.  De 17 a 21 de outubro, jovens assistidos pela Fundação Raimundo Fagner, em Fortaleza, participarão do Curso de Introdução à Harmônica Blues com os gaitistas e arte-educadores Rodrigo Bezerra e Di Lennon Ribeiro.

Também haverá o Curso de Prática Circense em Tecido na ONG Canoa Criança, ministrado nos dias 7 e 8 de outubro pela professora Juliana Longuinho (RJ). Todas as aulas serão gratuitas e os alunos receberão, também sem ônus, camiseta específica do evento didático e apostila. O Canoa Blues ainda será ponto de arrecadação de livros de gêneros diversos para composição do acervo das bibliotecas mantidas pela Associação dos Empreendedores de Canoa Quebrada e da Associação Canoa Criança.
Fonte: Assessoria de imprensa

Peter Madcat


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ralph Della Cava recebe título de Doutor Honoris Causa pela UFC

Ralph Della Cava em sua última visita ao Ceará, durante a III Conferência Internacional sobre o Padre Cícero
O historiador norte-americano Ralph Della Cava, um dos maiores pesquisadores sobre a vida do Padre Cícero Romão Batista (1844 – 1934), receberá o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará na próxima sexta-feira (30), às 19h, no auditório do Campus da UFC no Cariri, em Juazeiro do Norte. O evento é aberto ao público e contará com a presença do homenageado e do Reitor Jesualdo Farias, autor da proposta do título para Della Cava, cuja aprovação se deu, de forma unânime, em junho deste ano, pelo Conselho Universitário. Na ocasião, será distribuído O livro “Onze vezes Joaseiro”, que reúne ensaios sobre a cidade de Juazeiro do Norte. Della Cava viveu 14 meses entre Fortaleza, Juazeiro, Rio de Janeiro e outros lugares do País, estudando um tema que sempre foi cercado de polêmica: a vida de Padre Cícero. Em meados de 1964, na Biblioteca Municipal de Fortaleza, o pesquisador iniciou os estudos,  que culminaria no livro “Miracle at Joaseiro” (Milagre em Juazeiro), publicado em 1976, pela Editora Paz & Terra, obra considerada uma das mais aprofundadas sobre o tema. Todo o acervo pesquisado acabou sendo doado em vida pelo autor para uma universidade norte-americana e chegou até ser aplaudido por isso por intelectuais locais.
Em setembro de 2005,  entrevistei Della Cava  para a Revista Plenário, publicada pela Assembleia Legislativa. A matéria tratatava sobre os esforços do bispo do Crato, dom Panico, pela reabilitação de padre Cícero.

Entrevista
"Cento e setenta e um anos depois do nascimento de Padre Cícero e 71 depois de sua morte, ele permanence como um dos maiores personagens do Brasil contemporâneo, um santo e taumaturgo dos humildes da terra". A afirmação é do historiador norte-americano Ralph Della Cava, 70 anos, que doou o material de seus estudos sobre o Padre Cícero à Biblioteca Latino-Americana da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Ele começou a estudar a vida e a obra do fundador de Juazeiro do Norte na década de 1970. Ao longo de quatro décadas, foi acumulando livros, cordéis, fotografias, xilogravuras, documentos e cerãmicas num trabalho apaixonado pela mística de quem considera como o que há de mais extraordináriuo em matéria de milagres e história. Os motivos da doação, anunciada em abril deste ano, foram relatadas como um sentimento de medo. Ou seja, que este precioso tesouro pudesse se estragar, caindo vitima de herdeiros , leiloeiros e cupins, além, é claro, da pressão de sua mulher, Olga, bibliotecária, que o ultimava para que desse um destino ao acervo ainda em vida. Della Cava é professor emérito de história de Queens College da City University of New York e atualmente é Pesquisador Senior Associado do Instituto de Estudos Latinoamericanos (ILAS) da Columbia University na Cidade de New York.
Pergunta: Como o senhor vê, hoje, os movimentos da Igreja Católica para a reabilitação do Padre Cícero?
Resposta. Esses movimentos existem há muito tempo e os resultados são bastantes complexos e incertos. Houve esforços inumeráveis para retificar o estado de Padre Cícero como um padre de posição regular a partir do século XIX. Na realidade, logo após a ocorrência dos primeiros milagres alegados. Não obstante, todos os tais esforços foram malsucedidos. O que é sem igual trata-se da iniciativa presente, originada da Diocese de Crato, ao perceber as muitas sanções contra o pároco de Juazeiro, da mesma maneira, como as elites do Crato e os líderes posteriores denegriram freqüentemente sua imagem dentro um espectro desesperado, e também fracassando a tentativa para evitar o próprio declínio político e econômico desses segmentos. Mas, com respeito ao movimento atual, temos que perguntar qual é seu objetivo preciso. Seria reabilitar Padre Cícero com relação a essas sanções ou é, como o Bispo atual de Crato insistiu repetidamente, reconciliar " a igreja com os dois milhões de romeiros que vão a cada ano a Juazeiro, além de milhares de devotos existentes por todo o Nordeste, bem como os seus descendentes, que ajudaram fazer o município o segundo mais próspero no estado de Ceará?" Como bispo, Dom Fernando Panico, tem pela primeira vez na história da diocese uma iniciativa pública de antagonismo aos antecessores no que diz respeito a Juazeiro e seu romeiros. Incitando a reabilitação, como é a visão de Dom Fernando - como o perito pastoral que ele é - de como melhor a Igreja poderia servir às necessidades espirituais e materiais destes crentes. À  esse fim, desfruta o endosso da Conferência Nacional de Bispos de Brasil (CNBB) e, como foi informado na imprensa, do Papa Benedito XVI, por ocasião em que foi Perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Os romeiros sentirão de perto a diferença de um padre Cícero restabelecido por Roma dos sentimentos que eles têm agora, como o padre de longo-sofrimento, proclamado como santo e intercessor de milagre há muito tempo - apesar da Igreja? Essa é, pelo menos, a pergunta interessante disposta por meu colega o Gilmar de  Carvalho. Mas, aqui também, só o tempo contará.
P. Em algum momento, em suas pesquisas, houve a descoberta de uma espiritualidade de fato singular que explicaria o fenômeno da reverência e da romaria convergindo para Juazeiro do Norte?
R. O fervor religioso origina-se da predominância de condições sociológica para a sua elevação extraordinariamente rápida em Juazeiro em população e influência econômica dentro de dez anos dos milagres alegados de 1888-1889. As romarias foram incitadas no princípio pelos " fatos extraordinários de Juazeiro " – relacionados à Beata Maria de Araújo, dando conta de a hóstia em sua boca foi transformada em sangue, imediatamente proclamado pelo clero para ser isso de Jesus Cristo. Então, com as grandes secas de 1888 e 1915, os romeiros eram indistinguíveis de retirantes na procura deles por um porto seguro, no qual eles acharam a fertilidade nos campos do Cariri. Durante as primeiras três ou quatro décadas do último século, milhares de migrantes procuraram Juazeiro - em um dos grandes movimentos demográficos internos da história brasileira moderna, o que se constitui num daqueles restos de silêncio a serem estudados.
P. Na sua pesquisa, o que foi considerado como a grande contribuição de Padre Cícero?
R. O serviço abnegado dele para os outros! Para os romeiros - que tornou Juazeiro possível - ofereceu isso que nenhum dos coronéis locais, fazendeiros e políticos não puderam, afirmando que se trabalhasse com dignidade, com deliberação sábia e a esperança duradoura de uma vida melhor, aqui e no futuro.
P. Tem-se afirmado que Padre Cícero ainda é muito pouco estudado. Que expectativa tem com o recente fato de ter doado seu acervo para a Biblioteca Latino-Americana da Flórida? Amplia-se a possibilidade ser melhor conhecido e difundido?
R. Não é que o Padre Cícero seja "pouco estudado," mas - como todo sujeito histórico em torno do qual continua a surgir tanta controvérsia - será sempre estudado. O momento atual não pode ser mais propício: muitos novos documentos, todos inéditos, apareceram, como o foi anunciado o ano passado durante o III Simposio Internacional sobre o Padre Cícero realizado em Juazeiro. Também porque vários arquivos antes inacessíveis ou não publicados - como os de Gilmar de Carvalho e Renato Casimiro, dois estudiosos do mais alto gabarito - estão hoje a disposição dos pesquisadores. Quanto à doação do meu arquivo sobre o Padre Cícero, ser facilmente acessivel a todos e permanecer bem e profissionalmente cuidado eram as condições que a Universidade de Florida em Gainesville (Estado de Flórida, EUA) se comprometeu de respeitar. E já cumpriu em parte: restaurou o microfilme dos arquivos do Colégio Salesiano de Juazeiro e da Diocese do Crato que eu filmei, chapa por chapa, em 1964; dele já fez uma cópia positiva (de mil sete centos pés de comprimento) a ser doada ao acervo da Universidade Regional do Carirí; colocou uns primeiros títulos e fotos no site da Biblioteca Latinoamericana (http://web.uflib.ufl.edu/lac/Brasiliana.html); e organizou em abril e maio deste ano uma mostra seletiva de artefatos, livros e fotos tirados do meu acervo - e com a promessa que não será a última.
P. Quais os motivos dessa doação?
R. Numa palavra: o medo! O medo de que este precioso tesouro pudesse se estragar, caindo vitima de herdeiros , leiloeiros e --- cupins! Foi a minha mulher, Olga, por muitos anos arquivista e bibliotecária na Columbia University, que entendia da urgência em achar um depósito certo. Precisava-se dum grande centro de estudos sobre América Latina com recursos permanentes, um equipe profissional, e um programa de estudos pós-graduados em religião, política e sociedade. Assim, a escolha caiu na Flórida (que era nem onde estudei nem onde lecionava) e assim tanto o meu acervo ganhou uma nova vida como as futuras gerações de jovens pesquisadores fontes preciosas.
P. Como avalia a vida política de Padre Cícero?
R. Diria que o grande momento na vida política de Padre Cícero foi quando ele deu o seu aval irrestrito à campanha de Juazeiro de independência do município do Crato, lá pelos anos de 1908 ate 1911. Atras deste empenho absolutamente consciente da sua parte foi a sua persistente aspiração de localizar em Juazeiro o futuro "Bispado do Cariry", um projeto que em retrospecto coincidiria com o dos Alencar para uma grande província interioriana do Cariry num Brasil independente.
Tanto o Padre José de Alencar Peixoto, oriundo de Crato como o Padre Cícero, como o ambicioso forasteiro baiano, o Doutor Floro Bartholomeu, militaram para avançar o sonho. No caso do Bispado do Cariry nunca teve a menor chance, dada a intransigência de Roma na época para com o Padre Cícero.
Com respeito à "revolução de 1914" e as suas conseqüências, tudo que eu vi nos arquivos que consultei indica que o Padre Cícero nem estava a par das tramas. Costuradas por Doutor Floro, o Coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, o então "mandachuva" de Crato, e o Senador Pinheiro Machado, elas se desenvolveram a revelia do padre e, o que pareceu, contra a sua vontade.
P. De um modo geral, como se distingue a mística e a vida secular do sacerdote?
R. Eu diria que eles eram urdidura e textura de um único pano.
Realmente, se você tivesse viajado os sertões no XIX até a metade do último século, você não teria achado um padre católico romano mais ortodoxo que Padre Cícero. A vida espiritual dele foi ancorada na honra dos votos sacerdotais e centrada ao redor de oração e ações prescritas pelo Conselho de Trento, devoções místicas, em honra do Coração Sagrado de Jesus e prometendo para seus devotos a ab-rogação de castigo físico na vida após a morte para os pecados deles.
Como o grande antecessor dele, Padre Mestre Ibiapina, aconselhou os homens e mulheres na eficácia de oração e vivência honesta. Falou de modos que o roceiro mais humilde poderia entender, dispensou os seus bens entre os mais necessitados, assim como os bens dele e propriedades para ordens religiosas para promover educação.
No conflito com Roma, ele buscou ano após ano, a restituição das suas ordens sacerdotais A obstinação dele naquela intuíto, a insistência inicial na veracidade dos milagres, o envolvimento largamente involuntário dele em políticas, e a preferência irrestrita pelo pobre conduziu durante os anos tranformaram-no em um mito. Eu e outros investigadores tentaram fazer um retrato mais verdadeiro para a vida e com tanta recisão quanto as fontes e nossas corcundas permitiriam.
P. Na condição de intelectual, como tem debruçado pelos supostos milagres atribuídos àquela região?
R. A minha paixão intelectual reside em descubrir a maneira em que nós construímos o nosso mundo e tentamos torná-lo mais justo e igualitário, transparente e tolerante. No caso do "milagre de Juazeiro"  enxerguei como um grande e excepcional acontecimento em torno do qual surgiu um movimento social que continua até hoje, evidentemente sob formas diversas, na tentava de entendê-lo. Imagine só: 171 anos depois do nascimento de Padre Cícero e 71 depois de sua morte, ele permanence como um dos maiores personagens do Brasil contemporâneo, um santo e taumaturgo dos humildes da terra, enquanto a cidade que ele "fundou" floreceu precisamente como um porto seguro para todos os refugiados da miséria, injustiça e infortúnio. Em matéria de milagres e história,  tudo isto não é já bastante extraordinário?

Ex-traficante abre jornal no Complexo do Alemão e quer criar biblioteca

Complexo do Alemão.JPG
O ex-traficante André Luiz Ramos, morador do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, descobriu um novo caminho na vida quando foi apreendido pela polícia: o jornalismo. Ramos ficou internado no Instituto Padre Severino dos 15 aos 17 anos e lá desenvolveu amor às palavras.

Ele sequer terminou o quarto ano do ensino fundamental, mas no tempo em que ficou detido se dedicou à leitura de matérias e aprendeu a lidar com computadores. Cerca de sete anos depois, Ramos voltou à comunidade, fez um curso de empreendedorismo no próprio morro e se tornou editor-chefe do jornal Plantador Fiel, que circula na região e tem tiragem mensal entre cinco mil a oito mil exemplares.

O jornal foi aberto logo após o término do curso, ocasião em que Ramos, ao expor seu trabalho em uma feira de negócios, ganhou o terceiro lugar com o seu projeto – o jornal - e uma proposta de patrocínio de uma grande empresa de cosméticos.

Hoje, aos 25 anos, Ramos espera que a nova geração do Complexo do Alemão descubra na própria comunidade o que ele aprendeu no período em que esteve recluso: a paixão pela leitura. “Estou planejando criar uma biblioteca na comunidade, mas ainda não tem nada concreto.”

De acordo com o portal R7, a estratégia de distribuição do jornal no Alemão, foi planejada por Ramos. Ele conta com a ajuda dos 600 mototaxistas que circulam pelas vielas do bairro para distribuir os exemplares. Segundo ele, há mais de 500 assinantes do Plantador Fiel dentro da comunidade.

Fonte: Comunique-se

domingo, 25 de setembro de 2011

Romaria é ainda o lugar onde o católico se sente acolhido pela igreja



Ex votos no Santuário de São Francisco (Canindé). Foto: Marcus Peixoto


Na abertura, ontem,  dos festejos alusivos ao padroeiro de Canindé, São Francisco das Chagas, uma das manifestações que emociona os devotos do santo, são as caminhadas. Por mais uma vez testemunhei esse momento de fervor religioso e, particularmente, um dos raros instantes em que o católico ainda se sente acolhido. Por isso, não é surpresa o crescimento das igrejas evangélicas, a compra de pacotes de horários nas televisões pela madrugada para programas de religiões cristãs e não católicas...
Além de Canindé,  podemos também somar as romarias de Padre Cícero em Juazeiro do Norte. Em ambos os centros, há ainda os penintentes, aqueles que depositam os ex votos e  pagam promessas anuais, com o princípio de quanto maior for a dificuldade maior é a gratidão que se obterá ao santo milagroso, abaixo de Deus. 
Dentre essas penintências e pagamento de promessas, destacam os caminhantes. Em Canindé, com a inauguração do santuário surgiram na Paróquia as caminhadas, sendo que muitas delas, ainda de forma acanhada, onde apenas as famíias se reuniam para vir a Canindé pagar suas promessas e depois no mesmo ritual retornar para as suas casas.
Com o passar do tempo, as comunidades foram se organizando e através das emissoras de rádio anunciavam para as mais distantes o local, a hora e o trajeto que deveria seguir até Canindé. Isso, não importava o sacrifício, o importante era chegar em paz na igreja e cumprir a sua missão com o santo.
Em 1986, sentindo o crescimento da romaria o vigário da época, frei Lucas Dolle, deu poderes aos coordenadores de pstorais para motivar e organizar a romaria a pé, que chegava impressionar pelo grande número de peregrinos a caminho da terra dos milagres.
No período de 1996 com a participação de Frei Humberto Wasllachg surgiram os Conselhos dos Serviços fraternos da sede e da zona rural, ondce cada representante junto à coordenação paroquial começou a preparar um plano de organização para as caminhadas de abertura para a festa de São Francisco.
Este ano, as caminhadas comemoram 23 anos de organização em busca da fé e da cura no santuário. Serão cinco caminhos de acesso para chegar a Canindé nos próximos nove dias.

sábado, 24 de setembro de 2011

O aborto tratado pela Literatura e a Filosofia nos dias de hoje (II parte - final)


Como aborto é um assunto polêmico, existe no Brasil duas posturas: ser radicalmente contrário, inclusive baseado na legislação em vigor, ou ficar em cima do muro. Pessoalmente, não concordo com ambas as posições, porque o sentimento de culpa, de se jogar previamente na fogueira do inferno aquelas que optaram pela interrupção da maternidade são problemas até menores do que os que se transformaram em drama de saúde pública. Eis porque o Ministro da Saúde falava em plebiscito. Enquanto que cada vez mais os países do bloco Ocidental discutem o fim do aborto como ação criminosa, a exemplo de Portugal,  e considerando que os dogmas religiosos pouco construíam na edificação da identidade feminina, proponho que o Brasil deva se inserir na idade moderna da plena discussão popular e passe a debater democraticamente a questão. Não é uma nenhuma ideia original, mas uma retomada de um assunto, que fica guardado como o lixo embaixo do tapete.
Talvez esse assunto chegue com ataso e já não ataia tanta atenção quanto no passado. O escândalo levantado pela obra o Segundo Sexo, de Simone de Bouvoir, contudo, não  parece conter um conteúdo distante de  nossas atuais demandas.  Simone mostrava como a mulher se encontrava dividida diante de uma gravidez não desejada. "A situação é ambígua, o peso moral da decisão é paralisante. Para uma mulher a quem o aborto se apresenta como uma solução, a experiência é de angústia. Vêm à tona o paradoxo e a complementaridade entre contingência e liberdade. A contingência é representada por sua condição social, sua classe, sua fé, sua família. A liberdade, pela decisão."
No livro O Segundo Sexo,  mostra como o controle do aborto é o controle da sexualidade da mulher.  Transformado o aborto em crime é uma forma de impor à mulher um sofrimento desumano. Se ela opta pelo aborto, tem de suportar sozinha o peso de ser uma “criminosa”. Se opta por ter um filho que não deseja, carrega a culpa e a carga afetiva negativa dessa relação por toda a vida. A sugestão é que não se esgotem as discussões e que não somente as ricas como as mulheres pobres possam livremente se manifestar. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O aborto tratado pela Literatura e a Filosofia nos dias de hoje (I parte)

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Ao mesmo tempo que a editoria  policial não tem dado notícia para  casos novos envolvendo clínicas de aborto, a Literatura também já não mais enfatiza o mesmo assunto como no passado. É bem verdade que há outros meios contraceptivos e muitos países, onde antes era proibido, legalizaram a prática, inclusive contando com o apoio do Estado. 
O fato é que no Brasil o assunto é sensível e se restringe a uma mão única: ser contra. Caso contrário, há uma grande patrulha social sobre seus defensores. Em 2007, o ministro da Saúde, José Augusto Temporão, foi alvo dessa rejeição, quando propôs um plebiscito para se discutir o aborto. Ele defendia uma participação aberta da sociedade, haja vista que a manutenção da ilegalidade em nada contribuia para a saúde das mulheres, expondo aos riscos das clínicas clandestinas. Houve protestos de quase todos os lados (à exceção de alguns grupos feministas isolados) e a ideia foi abandonada.
Na literatura, a simples discussão do tema até a década de 1940 era considerada um escândalo. Em O Sangue dos Outros (de 1945), Simone de Beauvoir coloca uma de suas personagens diante do dilema. Na trilogia Os Caminhos da Liberdade (1945 a 1949), Sartre faz seu personagem masculino se posicionar diante do mesmo problema: sua namorada está grávida e ele deseja o aborto. No primeiro livro, a Idade da Razão,  Mathieu pede ao seu irmão o dinheiro para o aborto de Marcelle, a justificativa de Jacques para recusar o empréstimo é totalmente montada numa questão individual e livre. Mathieu não leva em consideração o que ela quer.
Em Palmeiras Selvagens, de William Faulkner, é mostrado o drama de um médico, Harry Wilbourne, e sua amante Charlotte Rittenmeyer. Incompetente, desempregado, ele vive algum tempo às custas dela, e acaba por matá-la, ao lhe provocar um aborto. Aqui, a protagonista recusa a maternidade e a ação se desenvolve no ano de 1938.
Na Filosofia, os defensores tiveram como partida a seguinte questão:
"Um feto é uma pessoa.
É errado matar uma pessoa.
Logo, é errado matar um feto"
O desmonte dessas premissas se dava pela desvalorização dos termos dispostos. Se colocava dúvida no fato sobre o que o autor pretendia, ao afirmar que um feto é uma pessoa. Segundo algumas interpretações de "pessoa", pode ser óbvio que um feto seja uma pessoa. Em contrapartida, seria bastante controverso se, no mesmo sentido de "pessoa", matar for sempre algo errado. Segundo outras interpretações, é mais plausível que seja sempre errado matar pessoas, mas totalmente confuso se um feto pode ser entendido como "pessoa."  Num ensaio de filosofia, o termo "pessoa" podia ser dado a qualquer ser vivo e consciente. Aí se incluía as baleias e os golfinhos. Mas essas espécimes não seriam consideradas "pessoas", adotando um senso comum. Quando se falava que o aborto era um assassinato, então lembravam que a morte de John Kennedy também poderia ser considerada como um "aborto".
Depois, alguns pensadores e aí se inclui a própria Simone, tiveram posições mais claras com relação ao assunto.Vamos voltar ao assunto amanhã.

    Exposição "Memórias e Histórias nos Caminhos de Ferro" será aberta hoje

    A ferrovia e as pessoas que nela trabalham ou trabalharam têm sido tema recorrente de inspiração de pesquisas acadêmicas, livros, longas e curtas vídeo- documentários produzidos no Ceará nos últimos anos. Também a partir do séc. XIX a história socioeconômica do Ceará se confunde com a história da implantação da ferrovia, e tão vastos quanto os trilhos são os temas a eles relacionados, considerando o elemento humano como intercessor fundamental. Assim, a ferrovia possibilita leituras multifacetadas, além de fortalecer a história corporativa. Assim a ferrovia foi e é, sobretudo, local de trabalho, de sociabilidade e de histórias de vida.    Foi neste sentido que o Crea-CE teve a ideia de realizar a exposição fotográfica "Memórias e Histórias nos Caminhos de Ferro do Ceará", que será aberta às 19h30min de hoje, no Centro Cultural do Crea-CE, que funciona na cobertura da sede da autarquia, na Rua Castro e Silva, 81, Centro.
        A exposição tem a assessoria cultural do Crea-CE de Silvana Figueirêdo e a curadoria de José Hamilton Pereira (engenheiro aposentado pela RFFSA, membro da direção da Associação dos Engenheiros da Rede Viação Cearense - AERVC e diretor do Museu do Trem) e Túlio de Souza Muniz (jornalista, historiador com graduação e mestrado pela UFC e doutor pela Universidade de Coimbra, Portugal).
        Na noite da abertura da exposição será exibido o documentário "O Último Apito", com 1h30min de duração e idealizado por Aderbal Nogueira, que traz depoimentos de personagens ligados da história da ferrovia no Estado do Ceará.




    Maiores Informações:
    Mozarly Almeida
    Assessora de Imprensa do Crea/CE
    9619.2181

    quarta-feira, 21 de setembro de 2011

    Paula Repira apresenta exposição Carnaúba Estrelar

    Prossegue até 26 de outubro deste ano, a exposição  "A Carnaúba Estrelar", da pintora argentina Paula Respira. O evento acontece no  Espaço Alma Gêmea no Centro Cultural Dragão do Mar.  A mostra consiste de telas acrílicas, da mulher mística que também se autodenomina  "Paula de Deus", Artista Planetaria Cearense, nascida na comunidade de Sanflord na Argentina.
    Cada pintura se presenta como uma simples profecia nordestina, conforme afirma, facilitando a paz na cromoterapía de azuis em clave baixa e alta, de tonalidades leves, com poucos contrastes de valores e tintas.
    Paula de Deus mistura o passado e o presente do Ceará, como uma visionária penentrando a Terra da Luz através da arte , em especial a Musike (conceito na visão grega) em Hinos do Planeta.
     Na exposição do espaço do empressario Uli Gruter, também se pode contemplar a intervenção de um circulo "Chama Violeta" que atrai estrelas cotidianas do lar urbano: seres criativos em expansão.
    "Ser Artista não é utopia, não é sonho, é realidade popular neste Estado iluminado", afirma a pintora.
     A Mostra faz refletir sobre a diversidade espiritual do Brasil, e propõe a popularidade das belas artes, dando espaço à consência de análises e criação e arte sem drogas: "Criatividade Verdadeira e Natural".
    Para contatos
    paularespira@hotmail.com
    http://www.paularespira.blogspot.com/
    paularespira/facebook.com

    terça-feira, 20 de setembro de 2011

    Ian Stevenson é o pesquisador de vidas passadas e da reencarnação

    Em busca de respostas cientificamente comprováveis sobre a existência da reencarnação, o psiquiatra canadense Ian Stevenson (1918-2007) debruçou-se por mais de quarenta anos sobre este complexo assunto. Um dos resultados dessa busca, o livro 'Crianças que se lembram de vidas passadas' chega ao Brasil pela Editora Vida & Consciência, em versão revisada pelo próprio autor. A obra apresenta os casos mais importantes encontrados pelo pesquisador em experiências com crianças e tem como objetivo fornecer novos instrumentos para os estudos sobre reencarnação no Ocidente.
    A obra reúne informações de mais de 2,5 mil casos de crianças que demonstram recordar de vidas passadas. Através de meticulosas análises, Stevenson encontrou consideráveis semelhanças entre essas histórias – o que permite ao autor a sistematização das mesmas ao ponto de poder descrever as características de um caso completo, as regiões de maior incidência, comportamentos padrão, temas das lembranças e situações em que as mortes e nascimentos ocorreram. Com o intuito de familiarizar os leitores com fatos nos quais os
    estudos se baseiam, Stevenson incluiu no livro os resumos de 14 histórias: 12 que já constavam na primeira edição do livro e duas acrescentadas para esta versão. A edição também traz mais detalhes sobre os estudos de casos nos quais os indivíduos têm marcas de nascença e problemas congênitos pertinentes, como
    aconteceu com as gêmeas Gillian e Jennifer Pollock. Quando pequenas, as meninas demonstravam lembrar detalhes sobre a vida de suas irmãs, que faleceram poucos anos antes de seu nascimento e sobre as quais elas não poderiam ter conhecimento pelas vias normais. As gêmeas possuíam marcas congênitas
    idênticas e na mesma altura das cicatrizes de suas irmãs falecidas.

    Este livro compõe uma série de estudos realizados por Ian Stevenson sobre reencarnação, lançada pela Editora Vida & Consciência. Já se encontram publicadas as obras Reencarnação – Vinte casos e Casos europeus de reencarnação. Dessa maneira, toda a pesquisa deste renomado psiquiatra pode ser acompanhada e estudada pelos leitores brasileiros. “Apesar da resistência da maioria dos cientistas, a ciência como um todo não tem nada a perder com a descoberta de que a personalidade humana pode sobreviver à morte do corpo físico”, afirma Stevenson.
    Fonte: www.comunique-se.com.br
    Jornalista: Katia Saisi


    segunda-feira, 19 de setembro de 2011

    CASa de Artes promove recital de música erudita



    O Projeto CASa de Artes da Universidade Federal do Ceará promove, terça-feira (20), a partir das 17h, recital didático de música erudita, com repertório eclético. Será na Sala Interarte, da Casa de Cultura Alemã, no Campus do Benfica. O programa inclui canções de compositores contemporâneos, como os brasileiros Ronaldo Miranda e Liduíno Pitombeira, o romantismo francês expresso ao violino do compositor Massenet e nas canções de Fauré, vistosas árias de óperas de Haendel e Gounod, e o regionalismo brasileiro de Waldemar Henrique, além do sentimentalismo estético de Villa-Lobos e dos clássicos mais populares, como o concerto para uma voz de Saint Preux.

    A construção do programa foi idealizada pelo Prof. Vitor Duarte, do Instituto de Cultura e Arte (ICA), e também coordenador de arte erudita da CASa de Artes. Como pianista, ele acompanhará todas as peças do recital. O grupo selecionado para a apresentação é formado por alunos, ex-alunos e participantes de projetos de extensão vinculados à UFC. 

    O violino ficará a cargo de Elves Brandão, estudante da Licenciatura em Música da UFC e violinista da Orquestra Filarmônica do Ceará. No canto, participam as sopranos Priscila Guimarães e Melissa Leão, alunas da Licenciatura em Música da UFC; o tenor Daniel Sombra, integrante do Coral da UFC e do projeto de extensão Canções Conterrâneas; e o contratenor Antônio de Souza Junior, graduado em 2010 pelo Curso de Licenciatura em Música da UFC.

    O CASa de Artes, promovido pelo Projeto CASa (Comunidade de Cooperação e Aprendizagem Significativa), da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal do Ceará, é um espaço de educação estética e de apreciação das artes. Suas atividades são gratuitas e abertas a qualquer interessado. Para se inscrever e conhecer a programação do projeto para os meses de setembro a dezembro de 2011, basta acessar o site do Projeto CASa (http://www.casa.ufc.br/). 

    Fonte: Prof. Francisco Silva Cavalcante Junior, Coordenador do Projeto CASa - (fone: 85 3366 9526 / http://br.mc1614.mail.yahoo.com/mc/compose?to=casa@ufc.br)

    -- 
    Universidade Federal do Ceará - UFC
    Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional 
    (85) 3366.7331 / 3366.7332

    domingo, 18 de setembro de 2011

    Antonello pintou o olhar que parecia se deslocar e permanentemente observando


    Il Condottiere (o chefe mercenário) foi comparado por Nicolau de Cusa, com "o olhar místico de Deus". Sobre um fundo neutro e uma expressão nobre, destaca-se o olhar que parece fixar no expectador e mover-se, numa persuasão de que tudo vê.
    É muito provável que o modelo se identificava com os usurpadores e arrivistas da época. O retrato era uma forma de projeção social, num tempo em que o capitalismo já se expandia e havia uma competição tácita entre os poderosos.
    O quadro foi adquirido por Napoleão III, em 1865,  por uma quantia elevada, atingindo 113.500 francos, o que somente revelava o grau de estima dado ao pintor italiano no século XIX.  Hoje, a obra se encontra no Museu do Louvre, em Paris.
    Antonello de Messina (1430-1479) nasceu na cidade de Messina e é considerado o primeiro artista importante do Sul da Itália.
    Para os estudiosos da pintura da Renascença, Antonello transmitia uma arte desconcertante, quer pela emissão da luz interior, quer pelos rostos que afetam sobremaneira, como é o caso de Il  Condottiere.
    Suas principais obras do período em que trabalhou em Messina (1457-1474) foram o Salvator Mundi (1465), o Político (1473), a Anunciação (1473), considerada o apogeu de sua criação artística, Retrato de Homem Jovem (1474) e Ecce Homo (1474). Nos dois anos seguintes (1475-1476) residiu em Veneza, onde se sobressaíram Il Condottiere (1475), Crucificação (1475), Retábulo de São Cassiano (1476), Cristo morto sustentado por um anjo (1478) e o São Sebastião (1476-1477).

    sexta-feira, 16 de setembro de 2011

    Contra a tristeza, a arte sublime dos grandes mestres



    Com esta última parte da Nona, encerro as minhas celebrações pelo primeiro ano do blog Sobrearte. Na primeira postagem, as cenas são do filme Minha Amada Imortal (Beloved Inmortal), de 1994, direção de Bernard Rose, com Gary Oldman interpretando Ludwig Von Beethoven. Nas duas últimas, tratam-se das apresentações da orquestra e coro de Leipziger, com regência de Riccardo Cheilly. A exibição aconteceu em 30 de dezembro de 2009 e foi transmitida pela televisão alemã.
    Pessoalmente, fico feliz em compartilhar manifestações tão relevantes para a arte e para o desenvolvimento do espírito humano. Durante um ano em que me dediquei ao Sobrearte, passei por momentos de querer desistir. Afinal, não se reduzia apenas a um mecanismo de copiar e colar obras da internet. Eu precisava de ter  tempo para me dedicar às pesquisas. Ler muito.
    Também me desmotivavam, no início, o baixo número de acessos, o pouco comentário ou até a indiferença dos amigos. Levei algum tempo para entender que a iniciativa poderia estar sendo confundida com um gesto esnobe e exclusivista. Afinal, quem hoje se interessaria  por Kant, Rossini, Klint...apenas para citar alguns nomes? No entanto, aprendi com uma amiga em postar somente aquilo que eu gostasse. Essa foi a primeira injeção de ânimo para não sucumbir, porque quando estava triste recorria à arte ou à expressão cultural de bom gosto. Se essas me faziam bem, então deveriam fazer bem para outras pessoas.
    Bom, aqui continuamos. Não sei o que poderei dizer em setembro do próximo ano.

    Beethoven: Ébrios de fogo entramos em teu santuário celeste




    Ode à Alegria ~

    Ode à Alegria de Friedrich Von Schiller, tradução do original, tal como se canta na Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven.

    (Barítono)

    Oh amigos, mudemos de tom!
    Entoemos algo mais prazeroso
    E mais alegre!

    (Barítonos, quarteto e coro)

    Alegre, formosa centelha divina,
    Filha do Elíseo,
    Ébrios de fogo entramos
    Em teu santuário celeste!
    Tua magia volta a unir
    O que o costume rigorosamente dividiu.
    Todos os homens se irmanam
    Ali onde teu doce voo se detém.
    Quem já conseguiu o maior tesouro
    De ser o amigo de um amigo,
    Quem já conquistou uma mulher amável
    Rejubile-se conosco!
    Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
    Uma única em todo o mundo.
    Mas aquele que falhou nisso
    Que fique chorando sozinho!
    Alegrias bebem todos os seres
    No seio da Natureza:
    Todos os bons, todos os maus,
    Seguem seu rastro de rosas.
    Ela nos deu beijos e vinho e
    Um amigo leal até a morte;
    Deu força para a vida aos mais humildes
    E ao querubim que se ergue diante de Deus!

    (Tenor solo e coro)

    Alegremente, como seus sóis corram
    Através do esplêndido espaço celeste
    Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
    Alegremente como o herói diante da vitória.

    (Coro)

    Abracem-se milhões!
    Enviem este beijo para todo o mundo!
    Irmãos, além do céu estrelado
    Mora um Pai Amado.
    Milhões se deprimem diante Dele?
    Mundo, você percebe seu Criador?
    Procure-o mais acima do céu estrelado!
    Sobre as estrelas onde Ele mora.

    Final de a Nona celebra primeiro aniversário de Sobrearte



    Setembro é tempo de alegria para o blog. Este mês, o Sobrearte completou um ano de existência.

    Desde o seu primeiro momento, não houve a intenção de se lançar um produto comercial. Isso seria presunção exagerada, quando a finalidade original consistia em ser um divulgador e difusor da arte e cultura. Eis porque tenho convidado amigos a compartilhar este espaço.
    Escolhi para marcar a minha festa pessoal pelo primeiro aniversário o final da  sinfonia n.º 9 em ré menor, op. 125, "Coral", de Ludwig van Beethoven. É um risco muito grande de que seja deletado, porque (com toda justiça!), os envolvidos pensam em seus direitos autorais e não querem a manipulação indevida por terceiros. Nesse caso, fico movido pela satisfação de dividir um momento magnânimo da arte.
    A Nona, como é mais conhecida,  é uma das obras mais famosas do repertório ocidental, considerada tanto ícone quanto predecessora da música romântica, e uma das grandes obras-primas de Beethoven.
    A nona sinfonia de Beethoven incorpora parte do poema An die Freude ("À Alegria"), uma ode escrita por Friedrich Schiller, com o texto cantado por solistas e um coro em seu último movimento. Guardadas as proporções é comparável ao som introduzido no filme O Grande Ditador, de Chaplin.

    quinta-feira, 15 de setembro de 2011

    AlgunsDias, de Antônio Duarte, é a fotografia depurada como os bons e velhos vinhos



    Por alguns dias, o fotógrafo Antônio Duarte esteve conosco no Diário do Nordeste. No começo deste semestre, atuou como um legítimo repórter fotográfico, onde a diversidade dos temas tanto é rica quanto impactante mesmo para o mais experiente profissional. Pois variam desde gestos banais como caminhar pela calçada, embarcar no ônibus, enquanto uma poça d'água impede a travessia de um lado para outro da calçada até o coletivo, à foto pousada do artista, a mesa requintada, ou as emoções alegres de uma disputa esportiva ou o drama de quem morre.
    Toda essa matéria prima coletada, especialmente, em julho deste ano, foi postada no Youtube, e  resultou não somente por marcar presença da sua passagem pelo periódico. Trata-se, na minha opinião, da valorização do corriqueiro e o registro histórico de instantes que poderiam ser tratados com desdém, mesmo quando envolve algo extremamente grave. Reparem numa fotografia em que uma pessoa registra pela câmara do telefone celular uma imagem de corpo caído no chão.
    Antônio Duarte é culto e sendo profissional experiente foi seduzido pelas novas tecnologias e técnicas da fotografia. Contudo, destaco especialmente o seu interesse pelo estudo. Quando tudo concorre para nos oferecer verdadeiras aulas de fotojornalismo, ele busca o aprendizado cotidiano. E aí está um belo resultado.

    terça-feira, 13 de setembro de 2011

    Dos espartilhos ao silicone, os ardis da sedução feminina

    Uma ideia criativa para mostrar os ardis da sedução feminina está em exposição num shopping paulista. Com uma mostra, especialmente, de artistas do cinema ao longo de mais de sete décadas se faz uma viagem nos recursos do poder de encantar , desde esmagando as costelas em espartilhos até esmagar os seios para conquistar o visual longilíneo das melindrosas.

    Essas e outras questões envolvendo este universo estão na Exposição “Entre Espartilhos e Silicones”, idealizada pelo Shopping União de Osasco, que conta a história da moda feminina através das décadas.

    Dividida em oito núcleos, a mostra é um retrato da sociedade em diversos períodos históricos e apresenta personagens de filmes inesquecíveis que transformaram seus figurinos em ícones da moda, cultuados e reproduzidos em todos os cantos do mundo. Um dos mais marcantes, certamente, foi o filme “Bonequinha de Luxo”, que comemora 50 anos da sua estréia no dia 5 de outubro, trazendo uma impecável Audrey Hepburn, cujo estilo, com óculos grandes, vestidos Givenchy, colar de pérolas e boquinha para fumar cigarros, foi considerado a principal definição de glamour dos anos 60.

    Pegando carona nas aventuras de Holly Golithly (personagem de Hepburn no filme), o público vai conferir no Piso Mall Avenida, de 09 a 30 de setembro, diariamente das 10 às 22 horas, quem eram e como viviam as mulheres desde a segunda metade do século XIX – das “espartilhadas” com suas cinturinhas de vespa, ao corpo e beleza perfeitos de Angelina Jolie, no ano 2000.

    A exposição segue a cronologia da moda e do mundo com os anos 20 e os vestidos de cintura de baixa, os “achatadores de seios” e as “bandagens” para martirizar as curvas; e os anos 50, com o “renascimento” das donas de casa e da mulher sedutora com cinturas novamente marcadas, saias rodadas e sutiãs com enchimentos. Já as décadas de 60 e 70 mostram a revolução no comportamento feminino, culminando com o nascimento do culto ao corpo dos anos 80 e 90, em que não bastava ser bonito, tinha de ser perfeito. E já que a perfeição não é um ideal fácil, a realidade apresenta suas armas: botox, silicone e todo o arsenal de produtos disponíveis no mercado atualmente.

    A mostra conta com 34 fotos entre imagens e recortes, além de gravuras em aquarelas e painéis de mulheres que marcaram décadas como: Jean Harlow (20); Marlene Dietrich (30); Rita Hayworth (40); Bridgitte Bardot (50); Sophia Loren e Marilyn Monroe (60); Elizabeth Taylor (70); Madonna (80); Cindy Crawford (90) e Angelina Jolie (2000); vitrines com espartilhos, enchimentos de silicone e adereços femininos; além de TV com cenas de filmes que retratam os costumes femininos através das décadas.

    A foto acima foi feita durante uma viagem da atriz italiana Sophia Loren aos Estados Unidos em 1958. Enquanto Jayne Mansfield sorria para a foto, Sophia Loren foi imortalizada olhando para o decote dela. A foto é de Joe Shere.




    Fonte: SG Assessoria em Comunicação
    http://imagesvisions.blogspot.com/

    Imprensa usa dois pesos e duas medidas para abordar o terrorismo

    A imprensa foi colocada em cheque, ontem, na abordagem dada ao terrorismo. A atual presidente da Frente Parlamentar Brasil-Cuba, Vanessa Grazziotin afirmou que os cubanos Gerardo Hernández, René González, Ramón Labañino, Antonio Guerrero e Fernando Gonzáles foram presos injustamente em 12 de setembro de 1998 durante o governo Bill Clinton.
     De acordo com a senadora, "Os Cinco", como passaram a ser conhecidos, foram presos nos EUA depois de investigar e denunciar atentados contra Cuba arquitetados por grupos anticastristas sediados em Miami.

    Vanessa Grazziotin informou que existe um movimento internacional pela libertação dos cubanos. Segundo ela, dez ganhadores do Prêmio Nobel já se somaram aos pedidos de soltura dos Cinco, além da Anistia Internacional e parlamentos de diversas nações.
     A senadora pediu o apoio dos parlamentares, da população e do governo brasileiros em prol do movimento de libertação, que ela chamou de causa humanitária. Grazziotin também se solidarizou com a população americana pela passagem dos dez anos do atentado ao World Trade Center, em Nova York. Entretanto, ela afirmou que
    os Estados Unidos já cometeram, nas últimas décadas, diversos atos que também podem ser considerados terroristas.
     
    O pronunciamento aconteceu um dia depois da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) realizarem a palestra Terrorismo e Novas Mídias, apresentada pelo professor de Comunicação da Universidade de Haifa, Israel, Gabriel Weimann.
    Weimann defende que as redes sociais são usadas largamente para recrutar e treinar novos membros para as ações terroristas, por meio de campanhas de marketing digital específico. Se o alvo é selecionar crianças, são usados recursos lúdicos para atraí-las. 
    O professor monitora 5,8 mil sites de militantes de movimentos terroristas e é autor de diversas publicações voltadas para esse segmento, como o livro Terror on the internet: the new Arena, the new challenges (ainda sem tradução para o português). 
    Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF)  existem "formas diferentes de terrorismo", embora a imprensa tenha criado o estigma de que o terrorismo tem que ser de origem mulçulmana e árabe.  Ele lembrou a queda de um avião com um delegação de atletas cubanos em meados da década de 70 por terroristas venezuelanos, que hoje se encontram em liberdade nos Estados Unidos. Na ocasião morreram cerca de 70 pessoas. "Não importam se morre um ou mais. O terrorismo tem que ser condenado de todas as formas", afirmou.

    segunda-feira, 12 de setembro de 2011

    Whitman influenciou a poesia moderna em todo o mundo

    Do Inquieto Oceano da Multidão
    Walt Whitman

    Do inquieto oceano da multidão
    veio a mim uma gota gentilmente
    suspirando:

    — Eu te amo, há longo tempo
    fiz uma extensa caminhada apenas
    para te olhar, tocar-te,
    pois não podia morrer
    sem te olhar uma vez antes,
    com o meu temor de perder-te depois.

    — Agora nos encontramos e olhamos,
    estamos salvos,
    retorna em paz ao oceano, meu amor,
    também sou parte do oceano, meu amor,
    não estamos assim tão separados,
    olha a imensa curvatura,
    a coesão de tudo tão perfeito!
    Quanto a mim e a ti,
    separa-nos o mar irresistível
    levando-nos algum tempo afastados,
    embora não possa afastar-nos sempre:
    não fiques impaciente — um breve espaço
    e fica certa de que eu saúdo o ar,
    a terra e o oceano,
    todos os dias ao pôr-do-sol
    por tua amada causa, meu amor.

    Walt Whitman (1819-1892)

    domingo, 11 de setembro de 2011

    Vidas e custos incalculáveis são sentidos hoje após uma década de 11/09

    WTC-10a.png
    Livingston Johns (1972)


    Hoje é um dia de derramamento de lágrimas e de grande pesar para os moradores de Nova York. Em 11 de setembro de 2001, ocorria o maior atentado terrorista da história. Somente no ataque ao World Trade Center, houve 2.749 mortos, mas os custos para a década em torno do terror podem ser contabilizados em muito mais do que em milhares de mortos e trilhões de dólares, gastos em guerras contínuas no Afeganistão e no Iraque, além do investimento na segurança interna dos Estados Unidos.
    Muito além do sofrimento, a revista New Yorker preparou na semana passada uma coletânea nostálgica de fotografias da área onde antes se instalaram as Torres Gêmeas, com fotos, dentre outros, de Adolph Wittenman (1886), Robert L. Bracklow (1900), Berenice Abbott (1936) e Jack Delano (1941).
    Não obstante aquelas que marcaram a dor, o sofrimento e o desespero dos mortos, o destaque da revista foram para as fotografias em preto e branco, que mostram uma metrópole avançando no tempo, com expressões banais do cotidiano. As imagens foram recolhidas de vários arquivos históricos de Nova York. Acima, uma vista aérea do WTC em construção. A coletânea pode ser acessada pelo link: http://www.newyorker.com/online/blogs/photobooth/2011/09/before-the-world-trade-center.html#ixzz1XeDHDjtE


    sábado, 10 de setembro de 2011

    Dagmar de Zorn é a lógica da beleza e do prazer infinito



    Ricardo Noblat, Martins Fontes... todos disseram a mesma coisa: "Como uma ninfa vendo seu reflexo na superfície encrespada de um lago, esta moça nua está sentada à beira da água absorvida em seus pensamentos. Sua pele rosada é ecoada pelos suaves matizes das rochas e do verdor da natureza à sua volta.  Embora a figura não seja erótica, seu corpo voluptuoso atrai o olhar do espectador, e em sua pose há  algo de inocentemente sensual."
    Obra do artista Sueco Anders Zorn (1860-1920). Em Dagmar (de 1911), apesar de seu apelativo desenho do nu, considero que mais importante é o uso dos materiais e das percepções pelo autor.  Cores, com a intensidade do verde ao fundo, e o aparente silêncio e quase total imobilidade do modelo (embora todo quadro seja imóvel) sugerem um prazer infinito pela harmonia.
    Nesse caso, a pintura não é mera arte decorativa. Ela se projeta para a satisfação de demanda interior pelo belo. O primeiro assunto não é a nudez e nem tampouco a natureza. Mas, no meu entender, a capacidade de estar só, de viver a unidade natural, de perceber a pintura pela pintura. E ainda que me seja permitido mais citações, lembro "Tristan Klingsor: "A razão de um quadro não é a razão da lógica: é a razão da beleza"
    O pintor também enveredou pela gravura e escultura, tendo viajado pela Europa e Estados Unidos.

    sexta-feira, 9 de setembro de 2011

    Eusébio promove amanhã VII Festival de Cantoria no Coaçu


    Com uma participação de público estimada em cerca de 800 pessoas, acontece amanhã, a partir das 20 horas, o 7º Festival de Cantoria do Eusébio. O evento contará ainda com o show da banda de forró pé de serra Forró do Povo e da cantora Elisa Lombard.
    O coordenador do evento, Francisco Edson das Chagas, disse que a cada edição o festival tanto aumenta no número de público, quanto de atrações.
    "Hoje, o evento é uma referência forte para os cantadores e repentistas que buscam divulgar seus trabalhos por meio do Festival", afirmou o coordenador Francisco Edson. O festival acontece na casa do coordenador e há distribuição de prêmios para o melhor cantor, dançarino e distribuição de brindes, oferecidos pelos patrocinadores da iniciativa.
    Atrações
    Dentre as atrações previstas para o próximo sábado, incluem os repentes de viola com os poetas Luiz Pinto de Quixadá e Dal Costa de Acaraú. Na ocasião, haverá uma homenagem especial para o poeta Daniel Capistrano da Costa (de Águas Belas, Boa Viagem).
    Francisco Edson disse que o Festival surgiu quase como um acaso, há sete anos. Lembra que na época queria apenas celebrar o aniversário de 18 anos do filho mais velho, que havia passado no vestibular. Com isso, convidou amigos violeiros. Um desses achou que poderia também levar outros companheiros de cantorias e fazer com que a festa também fosse uma oportunidade para se comercializar comidas e bebidas.
    Francisco Edson disse que a ideia vingou de forma surpreendente já na primeira edição, o que suscitou fazer um evento bem maior. Dessa vez, o grande incentivador era o filho mais velho. Por mais uma vez, a festa aconteceu em abril. O fato triste é que dias depois, esse morria de um infarto fulminante.
    Incentivo
    "Foi o momento mais triste e traumático que passei na vida. No entanto, por incentivo de amigos não desisti e, em homenagem à sua memória, passei a realizar o evento todos os anos, só que agora nos meses de setembro", disse.
    Edson disse que o sofrimento inicial foi superado pelo sucesso da festa que se consolidou na região, atraindo artistas regionais de todo o Estado. Além disso, toda a receita da festa é destinada para cobrir os custos e ainda para investir nos festejos natalinos.
    MAIS INFORMAÇÕES
    7º Festival de Cantoria
    Rua Cruzeiro, 808 - Coaçu - Eusébio - Estrada do Fio (1ª lombada à direita) Telefone: (85) 9947.4006

    quinta-feira, 8 de setembro de 2011

    BNB apresenta antologia de Literatura Fantástica no Ceará


    Uma antologia da Literatura Fantástica produzida no Ceará, entre os séculos XIX e XXI, será apresentada e debatida no programa Troca de Idéias, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro - fone: (85) 3464.3108), próximo dia 15 (quinta-feira), às 18h30.
    Intitulada "O cravo roxo do diabo: o conto fantástico no Ceará", a coletânea é composta por 172 contos, 60 poemas e 17 capítulos de romance, em 674 páginas de livro, compondo, assim, um amplo panorama do texto fantástico cearense produzido entre os séculos XIX e XXI. Organizada pelo escritor Pedro Salgueiro, a obra desafia a coragem dos leitores com narrativa de horror, lendas sertanejas e causos e mistério.
    A pesquisa para a antologia durou três anos e resultou num rico acervo do gênero, revelando a prodigiosa criação dos escritores cearenses, desde o século XIX, quando vieram a público as primeiras publicações de textos literários no Ceará.
    O título foi tomado de empréstimo de um conto de Álvaro Martins, infelizmente não localizado. A capa criada pelo escritor, designer e quadrinista Raymundo Netto confere ao vultoso acervo o aspecto de obra definitiva. Esta edição do programa Troca de Ideias terá como debatedores convidados Pedro Salgueiro e Raymundo Netto, com a mediação de Carlos Vazconcelos.

    Fonte: BNB

    quarta-feira, 7 de setembro de 2011

    Zadok de Händel desmente o mito de que os excessos são um mal



    Devo ter escutado Zadok, o Sacerdote umas 500 vezes e sempre me emociono. Acredito que pelo conjunto da obra, inclusive o excesso. Frideric Haendel refutava a ideia de que os excessos, mesmo que para o bem, seriam um mal. Aqui temos um exemplo de que estava certo. Há uma profusão de cantores, cantoras, oboés, fagotes, violinos...
    É considerado o hino da coração dos reis e rainhas ingleses, tendo sua estreia em 1727. Sua base é bíblica, fundamentada no Livro dos Reis (1,38), quando Salomão recebe a unção de Zadok e Natã. A frase matriz da obra é: "Seja a tua mão reforçada". Nesse vídeo, assistimos flashs da coroação da Rainha Elisabeth II.
    Haendel foi um célebre compositor da Alemanha, naturalizado cidadão britânico em 1726. Desde cedo mostrou notável talento musical, e a despeito da oposição de seu pai, que o queria um advogado, conseguiu receber um treinamento qualificado na arte da música. A primeira parte de sua carreira foi passada em Hamburgo, como violinista e maestro da orquestra da ópera local. Depois dirigiu-se para a Itália, onde conheceu a fama pela primeira vez, estreando várias obras com grande sucesso e entrando em contato com
    músicos importantes.
    Seu patrão mais tarde se tornou rei da Inglaterra como Jorge I, para quem continuou compondo. Fixou-se definitivamente em Londres, e ali desenvolveu a parte mais importante de sua carreira, como autor de óperas, oratórios e música instrumental. Quando adquiriu cidadania britânica adotou uma versão anglicizada de seu nome, George Frideric Handel.

    terça-feira, 6 de setembro de 2011

    Chegam ao Brasil textos inéditos de Conan pela editora Évora


    Conan foi alvo de textos de diversos autores e origens. Mas o criador é, sem dúvida, Robert E. Howard (1906 – 1936), famoso por seus contos e histórias da literatura de fantasia e que criou o gênero espada - feitiçaria que, até hoje, agrada aos leitores e aos amantes de filmes de aventura. Ao trazer um personagem como Conan, Howard abriu um leque de possibilidades que ainda hoje é explorado tanto na literatura quanto nas telonas.
    Por isso, a Editora Évora traz, este mês, pelo selo Generale, textos inéditos no Brasil, quer foram organizados e traduzidos por Alexandre Callari, no livro “Conan – o Bárbaro”, e que conta também com prefácio de Roy Thomas que foi diretor da Marvel e um dos maiores roteiristas de quadrinhos da história.
    São quatro contos inéditos e o romance A Hora do Dragão, único escrito por Howard, “ninguém considera esse texto um conto por causa do tamanho dele, por isso, a edição da Évora pode comemorar a inovação e a façanha de trazer ao Brasil pela primeira vez o único romance escrito por Howard e também os contos de Conan que ainda eram inéditos no Brasil. Cuidado, pois cada conto se passa em um momento diferente da vida do personagem e somente em A Hora do Dragão ele é rei da Aquilônia” – explica Callari.
    A Hora do Dragão foi escrito em 1935, um ano antes da morte de seu autor, e o personagem Conan ganhou muita repercussão, virou história em quadrinhos, game e duas adaptações para o cinema: Conan, O Bárbaro (1982) e Conan, O Destruidor (1984), ambos estrelados por Arnold Schwarzenegger. Já na nova adaptação, Conan (2011), dirigido por Marcus Nipel, o guerreiro é interpretado por Jason Momoa.
    “Conan – o bárbaro” chega ao país pelo selo Generale, da Editora Évora, às vésperas da estréia nos cinemas, no dia 16 de setembro. A publicação traz um encarte com imagens exclusivas do filme e dos bastidores de gravação.
    Fonte:
    Monica Ferreira - Digital Trix -
    11 3255 8717

    segunda-feira, 5 de setembro de 2011

    Inscrições abertas para o curso de dança clássica


    A Vila das Artes está com inscrições abertas até o dia 6 de setembro para o curso de Dança Clássica, com Daniel Lessa. As aulas são gratuitas e acontecem de 12 de setembro a 3 de outubro, das 12h às 13h30, na sala de dança da Vila.

    O curso, de nível intermediário/avançado, é para estudantes e profissionais de dança e faz parte do programa Aulas Abertas oferecido pela Escola Pública de Dança da Vila das Artes. As inscrições devem ser feitas na secretaria da Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro), das 8h às 20h, de segunda a sexta-feira. O interessado deve apresentar apenas o currículo profissional. Mais informações na viladasartesfortaleza.blogspot.com ou  pelo telefone (85) 3105-1402.

    Daniel Lessa é graduado em Educação Física pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e fez parte do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Dirige seu próprio estúdio de dança em Fortaleza.

    sexta-feira, 2 de setembro de 2011

    Sardinha se destaca na mesa do rico e do pobre


    Uma iniciativa que objetiva, sobretudo, alavancar o turismo na baixa estação, tendo em vista o destino para o período da alta. Essa é uma das metas que está sendo alcançada nas edições do Festival da Sardinha, que acontece na Caponga, em Cascavel.

    Dos dias 9 a 11, acontece a quarta edição, que este ano terá envolvimento das mulheres e filhos e dos próprios pescadores, além de todo o trade local. O evento contará com uma intensa programação cultural, gastronômica, turística e ambiental, com atividades tanto acontecendo durante o dia, quanto à noite.

    O presidente da Associação dos Empreendedores de Turismo, Artesanato e Cultura (Assetuc), Mamede Rebouças, disse que a ideia tem ganhado corpo ao longo do tempo. "Hoje, realizamos uma atividade que destaca a região como destino turístico, e ressaltamos a sardinha como elemento importante da culinária, quando no passado esse pescado era utilizado apenas como isca para peixes maiores", disse Mamede.

    Como uma grande festa, em que todos colaboram para realçar o brilho, garçons e operadores de hoteis e pousadas são treinados nos receptivos, mulheres recebem cursos de receitas com o pescado e os filhos participam de oficinas de desenhos, que acabam ornamentando as velas das embarcações dos pais pescadores. Com isso, conforme salienta Mamede, as atividades são complementadas com cursos e oficinas de capacitação na área de gastronomia, artesanato e qualidade no atendimento ao público.

    A 4ª edição do Festival da Sardinha terá no seu planejamento de produção um trabalho especial destinado à preservação e educação ambiental. Oficinas de material reciclável, blitz ecológica, campanha de limpeza na praia com cortejo multicultural e todo um sistema de coleta seletiva do lixo gerado pelo festival.

    Mamede lembra que no início foi visto com desdém, porque se tinha imagem equivocada que "sardinha era comida de pobre". Com o desafio de desmistificar esse conceito, os festivais foram pródigos em apresentar novas receitas, como moquecas, tortas, lasanhas, ao molho de maracujá, acarajés, dentre outras iguarias.

    A diretora executiva do Festival da Sardinha, Katiuce Rodrigues, explicou que a sardinha é uma grande aliada da saúde por conter a substância ômega 3. Além da sua riqueza nutritiva, é também um pescado saboroso. A sua pesca, realizada principalmente nos meses de junho, julho e agosto, nas embarcações denominadas paquetes, representa um momento de grande movimentação social dentro da cidade.

    No período de pesca, durante a noite, comerciantes, veranistas, visitantes e a população em geral, se reúnem no calçadão da beira mar da Caponga para comprar o peixe.

    "A proposta do festival é justamente integrar toda essa bagagem cultural, gastronômica e social da sardinha como forma de divulgar e valorizar o pescado que foi de isca a prato principal, após a realização do primeiro festival", afirma Katiuce. Hoje o Festival da Sardinha é um projeto com grande repercussão no Litoral Leste e de fundamental importância para o desenvolvimento turístico da região. Em sua 4º edição, o projeto que envolve gastronomia, arte e música reafirma seu objetivo de contribuir para o engrandecimento da sardinha, pescado típico da região, agregando valor ao produto final, além da preservação e valorização dos costumes e tradições da comunidade local.

    Atrativos

    Cascavel é conhecida por ter a maior e mais popular feira livre do Ceará, marca registrada do Município, que atrai comerciantes e turistas de todo o Estado para conhecer e adquirir produtos da sua rica e diversificada expressão cultural, principalmente no uso do barro e do cipó.

    Localizado a 60km de Fortaleza, o Município, além da feira, possui um litoral com praias de rara beleza, no encontro do rio com o mar em Águas Belas, nas vilas de pescadores, onde as expressões culturais que são mantidas há séculos como a pesca artesanal com jangadas, reisados, artesanato em renda, barro e cipó, regatas de paquete e jangadas, danças do coco, capoeira, bandas de fanfarra, quadrilhas juninas e a culinária com suas peixadas e pratos com frutos do mar.

    Litoral Leste

    "Forte apelo cultural integrado ao valor gastronômico da sardinha. Além disso, a proposta de preservação do meio ambiente e o resgate das tradições dos seus habitantes, fazem com que o evento se configure no cenário ideal para a realização do 4º Festival, promovendo a cultura, gastronomia, turismo e meio Ambiente no litoral leste", avalia Katiuce.

    Entre as atividades que antecederam o Festival, destacou-se o Concurso de Desenho, que visou a contribuir para o processo de mudanças de atitude nas crianças e jovens. Foi destinado a alunos das escolas municipais da Caponga e teve como tema "A Sustentabilidade Econômica do Turismo para a Comunidade da Caponga".

    Crescimento

    26 embarcações atuam hoje na pesca da sardinha na Praia da Caponga, em Cascaval, quando antes havia apenas três barcos. O crescimento ocorreu nos últimos sete anos

    MAIS INFORMAÇÕES 
    Associação dos Empreendimentos Turisticos de Cascavel (Assetuc) - Telefone: 9995-0925
    Assetuc@hotmail.com

    MARCUS PEIXOTO
    Repórter

    Fonte: Diário do Nordeste

    Prossegue exposição de artistas cearenses no Mauc

    
    Quadro de Aldemir Martins
    


    Está aberta ao público, no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, mostra de pintura,  xilogravura e cerâmica de artistas cearenses. Dentro das atividades, foram prestadas homenagens para fundadores e pioneiros, que ajudaram a construir uma história de 50 anos preservando e difundindo a arte cearense e nordestina. Ao todo, foram lembrados 17 pintores, como Estrigas, Nice Firmeza, Sérgio Lima, Sérvulo Esmeraldo, Descartes Gadelha, Heloisa Juaçaba e Nearco Araujo. 

    Outros dez artistas plásticos recebem homenagens in memoriam: Aldemir Martins, Antonio Bandeira, Barrica, Floriano Teixeira, Chico da Silva, Barbosa Leite, José Fernandes, J. Figueiredo, Jean Pierre Chabloz e Zenon Barreto. O evento é aberto a toda a comunidade e faz parte das comemorações dos 50 anos do MAUC, que fica na Avenida da Universidade, nº 2854 - Campus do Benfica.

    A exposição comemorativa dos 50 anos do Museu prossegue aberta até 11 de novembro. A mostra traça a trajetória do MAUC desde a fase pré-museu, de 1957 a 1960, passando pela evolução do acervo, a formação das coleções e mudanças na estrutura física do prédio. Na formação do Museu, o primeiro lote de trabalhos adquiridos foi o de arte popular do Ceará – xilogravuras e peças em barro e madeira –, por volta de 1958.  

    Fonte: Prof. Pedro Eymar, Diretor do MAUC - (fone: 85 3366 7481 / 3366 7482)

    quinta-feira, 1 de setembro de 2011

    Jati e Saboeiro recebem o Festival de Repentistas e Trovadores Violeiro

    Violeiro by Elvis DPaula
    Violeiro, a photo by Elvis DPaula on Flickr.
    Com sucesso de público no Ceará, o Festival de Repentistas e Trovadores Patativa do Assaré chega a mais uma etapa percorrendo o interior do Estado. O festival terá apresentações em Jati, situada à 539 km de Fortaleza, nos dias 06 e 07 de setembro e em Saboeiro na sexta (9) e no sábado (10). Todas as apresentações são gratuitas e têm início às 20h, na praça matriz desses municípios.

    Repentistas, trovadores e cantadores formam a caravana do festival conduzida pelo poeta e apresentador Geraldo Amâncio. Cada noite é animada por duplas de cantadores, que proporcionam ao público a emoção dos famosos desafios, e pelo show de uma atração convidada.

    Com formato itinerante, o Festival de Repentistas e Trovadores Patativa do Assaré busca fortalecer o intercâmbio entre os artistas do estado e incentivar a produção e a divulgação da cultura local. Pensando nisso, as apresentações serão sempre em locais públicos e terão acesso livre.

    O Festival é uma realização é do Instituto Internacional de Artes e Cantorias – Intercanto e tem patrocínio do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura.




    Fonte: Dégagé