A literatura sempre destacou os personagens vingativos. Os piedosos pouco prosperaram em qualquer manifestação artística. Na política, é impensável a clemência. Quando uma guerrilheira nicaraguense católica foi indagada porque ainda continuava na luta armada, respondeu. "Eu apanhei numa face. Então, resolvi dar a outra. Apanhei, na outra. O que mais eu poderia fazer?".
Na filosofia, houve um longo período de indiferença, que permeou todo o pensamento dos estóicos e epicuristas, chamado de ataraxia (ausência de preocupação), sinônimo de verdadeira felicidade individual. Consistia na indiferença diante da dor, chegando a um tal estado de espírito que nada atingiria o ser. Essa postura durou até Sócrates, quando através da máxima "Conhece a ti mesmo" subverteu o contemplativismo, impondo a racionalidade, o sentido de que o autoconhecimento leva ao respeito e a compreensão do outro.
Até então, a Filosofia não falava em perdão. O próprio Sócrates via o ato da sua condenação como uma consequência natural da infração das leis, mas fez do episódio uma ocasião para que houvesse o entendimento de que a aceitação da morte, por envenenamento, era um testemunho de como entendia a Filosofia e a vida.
Antes de Aristóteles, o homem estava voltado para dentro de si mesmo. Diógenes vivia dentro de um tonel, não se importando com o que os outros achavam da sua exposição às intepéries. Mais tarde, descobriria a importãncia de que o "olhar do outro é aquilo que me desnuda".
Voltando a Aristóteles, ao afirmar que o homem é um animal político deve-se entender que o homem é um animal social. Aliás, a sociedade existe bem antes do homem. Esse é um passo importante para a racionalidade humana, que somente mais tarde impõe limites e barreiras no pensamento e na forma de agir, como forma de acomodaçáo social e de convivência universal.
O sentido do perdão, propriamente dito, será encontrado na filosofia ocidental, na escola patrística, com Alberto Magno e Santo Tomaz de Aquino. Mesmo assim, a Igreja Católica prega uma coisa e vive outra. Somente agora, o Papa Bento XVI perde perdão aos judeus pelas perseguições do passado. Ainda falta o mea culpa com relação aos que morreram na fogueira ou pela cumplicidade na escravidão.
Enquanto isso, os judeus avançaram. Assim como entende com rigor a necessidade do repouso ao sétimo dia, porque tanto o homem quanto a natureza devem repousar. Com o mesmo rigor, criaram o Dia do Perdão, o Yom Kippur, que é o máximo em humanidade. Não sendo judeu, aprecio e endosso que pelo menos um dia na vida deveria ser para o perdão.
É do mundo exterior que o conhecimento precisa vir a nós, pela leitura, audição e contemplação. Wendy Beckett
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Platão relata como foram os últimos momentos de Sócrates até o suicídio

"Conhece-te a ti mesmo". É a pilastra fundamental da filosofia de Sócrates (469-399 A.C).
A verdade é que ele não deixou nada escrito e tudo que sabemos nos foi passado pelos seus discípulos principalmente Platão e Xenofontes. Surge, então, um problema ao se discernir entre aquilo que foi dito por Sócrates, em carne e osso, ou aquilo que é atribuído à sua figura histórica e até mitológica. Esse é o caso dos últimos dias do filósofo grego, conforme narração de Fedão, que conta ter testemunhado quando se preparava para suicidar-se com veneno. O relato é empolgante e nada revela de angustiante ou da relutância em morrer, após ter sido julgado por corrupção de jovens (que também faz parte de outra obra de Platão, tratando exclusivamente do julgamento). Ao contrário de Aristóteles, que via o homem a partir de suas experiências, Platão acreditava que havia um mundo de sensibilidade e aquele ideal. Daí devemos dar os devidos descontos sobre o que é verdade ou não dos últimos instantes de Sócrates:
FEDÃO
Escrito em 360 A.C.
Personagens do Diálogo: Fedão, que é o narrador do diálogo a Equécrates de Fliunte, Sócrates, Apolodoro, Símias, Cebete, Critobulo, atendente da prisão
Cena: A prisão de Sócrates (*)
I – Equécrates — Estiveste tu mesmo, Fedão, junto de Sócrates no dia em que ele tomou veneno na prisão, ou ouviste de alguém?
Fedão — Não, eu mesmo, Equécrates.
II – Equécrates — E as condições em que morreu, Fedão? Quais foram suas palavras? Como se houve em tudo? Quais dos seus familiares se encontravam ao seu lado? Ou as autoridades não permitiram que entrassem, vindo ele a morrer privado de assistência dos amigos?
Fedão — De forma alguma; vários estiveram presentes; em grande número, mesmo.
Equécrates — Então, procura contar-nos com a maior exatidão possível como tudo se passou, no caso de dispores de folga.
Fedão — Disponho, sim, e vou tentar expor-vos o que se deu. Para mim, nada é tão agradável como recordar-me de Sócrates, ou seja quando falo nele, ou quando ouço alguém falar a seu respeito.
Equécrates — Pois podes ter a certeza, Fedão, de que teus ouvintes estão nessas mesmas condições. Esforça-te, portanto, para contar o caso com todas as minúcias
Fedão — Era por demais estranho o que eu sentia junto dele. Não podia lastimá-lo, como o faria perto de um ente querido no transe derradeiro. O homem me parecia felicíssimo, Equécrates, tanto nos gestos como nas palavras, reflexo exato da intrepidez e da nobreza com que se despedia da vida. Minha impressão naquele instante foi que sua passagem para o Hades não se dava sem disposição divina, e que, uma vez lá chegando, sentir-se-ia tão venturoso com os que mais o foram. Por isso mesmo, não me dominou nenhum sentimento de piedade, o que seria natural na presença de um moribundo. Também não me sentia alegre, como costumava ficar em nossa práticas sobre filosofia. Sim, porque toda nossa conversa girou em torno de temas filosóficos. Era um estado difícil de definir, misto insólito de alegria e tristeza, por lembrar-me de que ele iria morrer dentro de pouco. As mais pessoas presentes se encontravam em condições quase idênticas, umas rindo, outras chorando, principalmente Apolodoro. Conheces o homem e sabes como ele é.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Sócrates leva a culpa pela decadência do Ocidente
| Foto: Luiz Eduardo |
"sobre o dia da tristeza. Neste dia, Sexta-feira fica em um lugar abaixado e durante aquele momento não fazia nada. Só podia olhar a terra e meditar a tristeza a qual ele estava sentindo naquele instante. Era costume de sua tribo, a qual ele mantinha.
A obra de Nietzsche é um esforço para vencer a razão “frente fria da cultura ocidental, quebrando aqueles valores e reestimulando uma corrente quente” que ele denomina vida. Ele defende a eternidade do efêmero contra a eternidade atemporal ou agora eterno, contra a utopia no futuro. Para ele, deve-se esquecer o passado, reiniciar a vida e recomeçar com coragem e alegria. Ele recusa os pilares da cultura ocidental, a piedade religiosa, a objetividade do cientista, o igualitarismo socialista.
Para ele, a decadência do ocidente começou com Sócrates, que teria desviado a humanidade de seus instintos fundamentais, desvitalizando-a, tornando-a fraca e submissa.
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