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sábado, 9 de julho de 2011

West Point e o Exército norte americano se tornaram independentes do Brasil

Capela West Point Academia Militar Cadet de
Capela de West Point

A Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), no Rio de Janeiro, informa sobre a administração de aulas de Geografia do Brasil para os cadetes da Academia Militar do Exército dos Estados Unidos da América (West Point), localizada em Nova York. A ligação entre ambas instituições é antiga. Pelo menos dois generais que atuaram durante o regime militar instituído a partir de 1964 foram professores de Português na escola norte americana: o general-de-Exército Heitor Furtado Anizaut de Mattos, e o general-de-brigada Oacyr Pizzotti Minervino. O general Floriano Peixoto, não o ex-presidente do Brasil,  de 1996 a 1998, exerceu a função de Oficial de Ligação do Exército Brasileiro.
Berço dos grandes oficiais, influentes políticos e mentores da indústria de armas, West Point tem como seus maiores críticos, pela liberdade de expressão e o exercício da auto-crítica, os próprios norte americanos.  Para explicar porque os Estados Unidos são há décadas, um estado militarizado, que gosta de participar de alguma guerrinha em algum lugar do mundo, o general Van Fleet (de West Point, 1915), afirmou: A Coréia foi uma bênção. É preciso que haja  Coréias aqui ou em qualquer lugar do mundo". Já o ex-senador radical republicano B.F Wade, de Ohio, declarou: "Não acredito que se possa encontrar, em toda a face da Terra...outra instituição que tenha produzido tantos homens falsos e ingratos quanto os que emanaram dessa instituição".
Do escritor norte-americano Gore Vidal, há a lembrança do fundador da Academia (em 1817) Sylvanus Thayer, um admirador apaixonado de Napoleão Bonaparte, que afirma que o próprio "se empenhou em criar um inferno de quatro anos para os rapazes mandados para ele, vindo do país inteiro. Eram mantidos permanentemente ocupados, recebiam tratamento de robôs, e eram enquadrados num código de honra que, em poucas palavras, transformava cada um deles em espião dos outros'.
Ainda segundo Gore Vidal, não é de espantar que o pessoal de West Point tenha mais sucesso quando se dedica a criar West Points em miniaturas,especialmente na América Latina. Claro que ainda há o desejo de jovens cadetes brasileiros de cursarem nos Estados Unidos, para isso existem o intercâmbio e é incentivado por todos os Ministérios da Defesa. Mas se no passado havia avidez e um sentimento de orgulho para o currículo cursar o Fort Benning (Geórgia), como o general de Exército Rubens Bayma Denys; o Fort Bevoir (Virgínia), o general de Exército, Samuel Augusto Alves Correa; o Fort Leavenwort,  o general-de-Exército Luiz Gonzaga Schoeder Lessa, dentre outros, todos na ativa durante o movimento de militar de 1964, hoje existe uma inversão de valores. Já não há mais a reverência aos norte-americanos, não "porque cometeram muitas maldades aqui e acolá", mas porque esses se tornaram independentes do Brasil. Em todo o caso, prevalece a mentalidade de que "quando não se tiver nada para fazer, policie a área".

sábado, 18 de junho de 2011

O Brasil entra na marcha revolucionária para inspirar um grande livro

Aconteceu num estúdio de TV, mas a postura do entrevistador assemelhava-se a um advogado cioso pela tensão:

- Mas o senhor não pode ser favorável à publicação de pornografia.
Era um homem de televisão já idoso e de olhos azuis e frios, como hoje notaria o ex presidente Lula
- Claro, sou a favor de que se publique...
- O senhor é a favor da pornografia?
- Eu disse que sou a favor da publicação da pornografia...
- Mas qual a diferença? quer dizer, entre ser a favor da publicação de pornografia e ser a favor da pornografia?
- Se eu, pessoalmente, gosto de pornografia ou deixo de gostar, é uma coisa absolutamente sem importância. A liberdade de publicar qualquer coisa está garantida pela Constituição.

O diálogo aconteceu em 1979, em entrevista concedida pelo escritor norte-americano Gore Vidal, a um canal televisivo daquele País
É um diálogo atual se lembrarmos que argumentos parecidos foram utilizados na quarta-feira passada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, ao votar sobre a constitucionalidade ou não da Marcha da Maconha. O relator da matéria, ministro Celso Melo, afirmou que o ato era expressão concreta  do exercício legítimo da liberdade de reunião. Não se tratava de apologia, mas da garantia do direito de expressão.
Não haverá mais repressão e nem assim se coibirá os viciados e os traficantes, porque a ideia que prevalece é que a maconha é apenas uma etapa para coisas piores.
Enquanto isso, fortalecerão os movimentos populares, as grandes marchas, a necessidade de se fazer revolução. Também lembrando Jean-Paul Sartre, quando esteve no Rio de Janeiro no final da década de 1960, o Brasil não merecia um livro porque aqui nunca houve de fato uma revolução.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Paris foi o nascedouro da juventude perdida em Zelda e Scott

Scott Fitzgerald (Reprodução)
Gore Vidal escreveu em De Fato e de Ficção: "Zelda e Scott. Estranhamente, Zelda e Scott deveriam combinar perfeitamente, no sentido platônico. Como isso não é possível para nós, cada um dos dois se tornou a sombra do outro, e apesar do desejo e da busca recíprocos, nunca chegaram a formar um todo'.
Ele fala de um dos casais mais neuróticos que possa ter circulado em qualquer roda intelectual, com americanos querendo ser mais franceses, do que os franceses. Estranhamente, parafraseando Vidal, noto que a vida do casal foi tão genial quanto a obra de Fitzgerald e quanto o intempestivo jeito de ser de Zelda