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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cinema mostra tragédia que devastou o Haiti

Comerciante desnuda by marcus peixoto
Comerciante desnuda, a photo by marcus peixoto on Flickr.
O filme Haiti, 12 de janeiro, dirigido por Cleonildo Cruz, será lançado no dia 12, às 18h, na Vila das Artes. No dia 19, o filme será exibido novamente, desta vez com a presença do diretor para debate. A obra, de 52 minutos, retrata a realidade do Haiti após dois anos da maior catástrofe das Américas, em que mais de 250 mil haitianos morreram e mais de 1 milhão ficaram desabrigados. Haitianos que sobreviveram relatam o caos estabelecido no dia do terremoto que atingiu a cidade de Porto Príncipe e redondezas. A chegada do primeiro contingente de militares brasileiros, em 2004, é resgatada, traçando uma linha histórica linear até os dias atuais.
Estive em Porto Príncipe, em 2006. Naquela época, a presença das Forças Armadas Brasileiras se destacava dentre as as nações que integravam a Minustah, missão de paz criada pela  Organização das Nações Unidas (ONU), dois anos antes. O então comandante era o general Elito Carvalho Siqueira, subsituindo o general Urano Bacelar, que havia se suicidado com um tiro na boca num hotel na capital haitiana.
Foi uma visita que se restringiu à Capital e não houve nenhuma oportunidade de contato com as lideranças que protestavam contra a ocupação do País, o mais pobre das Américas. Cercados por forte segurança, os jornalistas convidados a participar da mudança de efetivos brasileiros, com grande predominância de soldados nordestinos, inclusive do Ceará, estiveram sempre acompanhados de oficiais e soldados do Exército e com pouco contato com a população.
Bem antes da catástrofe que iria mergulhar o Haiti no mais radical caos, que teve início com a epidemia de cólera (atribuída a tansmissão dos próprios militares ocupantes) e culminando com o terremoto, era um lugar tomado pelas trevas,não havia energia elétrica, e pelo lixo. Muitos jovens, adolescentes por sinal, vendiam sangue para hospitais de primeiro mundo (dizem que inclusive de Miami) em troca de alguns dólares, além de um pouco de alimento dado para quem se submete às doações.
Como se não bastassem tanto sofrimento impigido aos haitianos, o País funcionou como um laboratório do emprego antiguerrilha urbana, que hoje é empregado pelo Exército brasileiro para inibir a violência nas grandes cidades. Essa metologia vem sendo empregada no Ceará, especificamente em Fortaleza, em  vista da greve dos policiais militares que se arrasta desde a quinta-feira passada. Tudo indica que esse aprendizado será bem aplicado nos próximos dias na Capital, diante da aplicação das sanções pela ilegalidade do movimento grevista e da determinação de enfrentamento dos grevistas ao Governo. São dramas que se misturam, que espelham a miséria pessoal e coletiva e a falta de sensibilidade humana.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Exército pode ser um convidado perigoso

Tanques no cotidiano by marcus peixoto
Tanques no cotidiano, a photo by marcus peixoto on Flickr.
Em 1994, Antônio Calado escreveu: "O Rio resume o Brasil. Posto sob alguma espécie de controle militar, o Rio deixa de ser uma calamidade carioca; é um vaticínio para o resto do País. Militar brasileiro gosta tanto de ser chamado a restabelecer a ordem nas ruas quanto uma solteirona de ser convidada a jantar fora. Só que o jantar pode durar 20 anos, como durou a partir de 1964".

Esse trecho da crônica do autor de Quarup é pertinente quando o Ceará experimenta a mais desafiadora greve dos policiais miliares, deflagrada na quinta-feira, chegando ao auge das tensões na sexta-feira, até culminar na decretação do estado de emergência pelo governador Cid Gomes, no sábado. Com isso, cerca de 5 mil homens entre militares do Exército, Marinha e Força Nacional de Segurança (FNS) estão sendo responsáveis pela segurança do Estado do Ceará. De acordo com chefe da Divisão de Comunicação Social da 10ª Região Militar em Fortaleza, tenente-coronel Charles, citado pelo portal Verdes Mares, o contingente será reforçado ainda neste domingo. Além do contingente atuando nas ruas do Ceará, a 10ª Região aguarda a chegada de 80 homens do Pelotão de Choque do Exército e do Pelotão de Ações de Comando em Controle de Recife.

Apesar dos graves conflitos sociais, que são a principal causa da violência no Brasil, ainda podemos nos orgulhar do nosso espírito pacífico, cordial, festivo, extrovertido. Daí não ter havido consequências mais sérias durante o Réveilllon. Pelo sim pelo não, vale à pena refletir sobre alguns pontos: 1)Houve ou não falha dos serviços de inteligência para se antecipar aos efeitos do movimento paredista? 2)Se é real a dificuldade de comandar um grande efetivo de militares (e na ótica atual pequeno, se comparado com as demandas), por que não se divide em pequenas polícias, à exemplo dos Estados Unidos? 3)Um soldado que passa 20 anos sem promoção é por falta de merecimento ou por que alguma coisa está errada na política administrativa do Estado?

Voltando a Antônio Calado, o Exército pode se tornar um convidado perigoso sim. No entanto, nos últimos tempos tem demonstrado muita competência na administração da ordem pública, a exemplo do que vem sendo feito nos morros e favelas cariocas.O papel do Ministério da Defesa, especialmente o Exército, no Haiti (que funcionou como um grande laboratório para os embates de guerrilha urbana), deixou lições de como pode conduzir bem ações de neutralização de atividades criminosas. Talvez até com mais competência, porque é complexa a vigilância em 15.718 quilômetros, do que na função constitucional de guarda das fronteiras, do lado Oeste do País, ondea participação da Polícia Federal com seus 23 postos oficiais de fiscalização, não retem o tráfico de drogas, armas e a biopirataria.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Desaparecidos políticos são um fato histórico, afirma general

Foto: Marcus Peixoto
Em 1969, o general José Elito Carvalho Siqueira, novo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) tinha 23 anos  e era aspirante a Oficial. Ele faz parte da nova geração de generais que não tiveram nenhuma relação direta com os "Anos de Chumbo", período associado ao regime militar instalado em 1964. Eis porque mantém uma indiferença ao clamor daqueles que sobreviveram e lamentam a perda de seus filhos e entes queridos e não vêem a constituição de um tribunal justo para punir os excessos dos militares. Claro que não poderia surpreender a declaração do general, que é uma ressonância de todo o conjunto das Forças Armadas. 
Elito, que comandou as forças de paz na Onu, no Haiti, em 2006, é contrário a esse tribunal. Disse que vai manter a Abin da forma como se encontra e a próxima entrevista deverá ser ainda mais curta.
O general norte-americano Norman Scharzkopf, que comandou as forças de coalização na Guerra do Golfo, não foi nada diplomático com o jornalista brasileiro Lucas Mendes ao ser indagado sobre os excessos de guerra. "Se você tivesse alguma coisa entre as orelhas não faria essa pergunta", afirmou Scharzkopf. Essa é uma formação autoritária e totalmente desprovida de brilho de oratória para um militar, ao contrário do seu desempenho no front. 

sábado, 23 de outubro de 2010

A tragédia humana de todos os dias no Haiti

Foto: Marcus Peixoto
Esta semana o Haiti, na América Central, constatou mais de 1.500 vítimas de cólera, número que pode chegar a 2.000 ainda este final de semana. Mal curado de um dos maiores terremotos de sua história, o País ainda depende das Nações Unidas para não mergulhar na mais completa desordem e guerra civis.
0 fato de várias tragédias se somarem num só lugar não é obra do vodu e nem do destino. Está na exploração onipresente, com os jovens vendendo sangue para hospitais em Miami, como já foi denunciado pela televisão brasileira, em troca de Gourdes, com o retrato de François Cappoix
(1766-1806), ou do trabalho semi-escravo das costureiras, em galpões para vender calças jeans para o mundo todo.
A foto é em Bel Air, quando acompanhei as forças de Paz da ONU. O Brasil participa da missão de 2004, com 2.166 militares