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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O nu que escandalizou Paris em almoço na relva de Monet



Não foi à toa que Le déjeuner sur l'herbe (O piquinique) tenha sido rejeitado no Salão de 1866, onde se tornou a atração principal, gerando tanto riso e escândalo. Afinal, quem poderia entender a inadequação de uma modelo nua em meio a pessoas sobriamente compostas? A presença de uma mulher despida entre os homens vestidos não se justificava nem por precedentes mitológicos nem alegórico, como afirmou um crítico da época.
Pior: tratava-se de uma prostituta. Assim, Monet trilhava caminhos parecidos de Toulouse Lautrec, em enaltecer figuras do bas-fond. Por mais que a sociedade francesa e, toda a Europa, fosse àquela época mais tolerante com a prostituição o quadro não deixava de ser obsceno aos olhos do público.
Mais tarde, tentou se reconciliar com o mesmo tema numa tela maior, que se ficou inacabada. No óleo posterior há os personagens masculinos vestidos, mas sem a protagonista da discórdia.
Monet, à exemplo de Renoir e Sisley foram os mais fiéis à escola impressionista, com as pinturas ao ar livre. Ao mesmo tempo que mantinha as diretrizes conservadoras, rompia com os paradigmas das temáticas, convenções e uso de cores. Muito provavelmente por todo esse conjunto tenha sido apontado como o ponto de partida para a Arte Moderna.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Obra de arte do impressionismo foi adquirida por Assis Chateaubriand


O quadro "As Meninas Cahen d'Anvers" (conhecido como "Rosa e Azul"), pintado por Renoir em 1881, com 119x74 cm,  em exposição permanente no Museu de Arte de São Paulo (Masp) foi encomendado pelo banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, pai das meninas que aparecem no quadro - Alice e Elisabeth Cahen d'Anvers.
A família do banqueiro não gostou do resultado e o quadro ficou esquecido, escondido em um lugar qualquer obscuro da casa e só muitos anos depois foi redescoberto.
 Além de ser uma obra-prima, Rosa e Azul sintetiza algumas das preferências de Renoir. O nome remete às tonalidades que estarão presentes em muitas das telas, sendo suas cores favoritas.


Além disso, o quadro apresenta uma mistura de técnicas que marca muito o trabalho de Renoir. Temos aqui três momentos bem distintos, criados com três técnicas diferentes. O primeiro deles é o rosto polido das meninas, praticamente sem sombras, muito bem trabalhado e de forma bem arredondada.

Em seguida, percebe-se a tinta gorda esticada com um pincel chato que dá todo o volume e textura do cinturões dos vestidos.
O terceiro momento é a sensação causada pela textura do vestido, pelo qual ele deixa transparecer a estrutura do corpo das meninas.

Neste caso, ele aplica a técnica do pontilhismo - muito usada por seu amigo Alfred Sisley (1839-1899) - os tons são divididos em semitons e lançados na tela em pequeninos pontos visíveis de perto, mas que se fundem na visão do espectador ao serem vistos a distância.

Este quadro demonstra ainda toda a energia de vida que Renoir sempre quis retratar em suas obras.  

Por Percival Tirapeli - Professor de Estética da Unesp

sábado, 9 de abril de 2011

Courbet rompe as amarras religiosas,intelectuais e acadêmicas

Musée Fabre, Montpellier


Bom dia, senhor Courbet, de Gustave Courbert ((1819-1877), celebra o auge da pintura realista. A ideia do quadro era mostrar o artista tal como ele era. Aqui caminhando por uma estrada rural, ele é abordado e recebe o cumprimento reverente do seu cliente dedicado Alfred Bruyas e seu criado. A cabeça inclinada do criado e o sorriso gentil do pintor revelam que este é reconhecidamente um ser superior, consciente da importância de sua arte e acima das mediocridades. Um cachorro compõe a cena na indicação do desapego aos seus temas.
As amarras sociais são liberadas nessa representação em que o artista se apóia numa bengala e transporta uma mochila. Courbet é apontado como uma grande influência em Monet e nos impressionistas. Ele afirmava que somente pintava aquilo que podia ver. Certa vez, ao ser sugerido que colocasse anjos em seu quadro, disse que era preciso que lhe mostrasse algum, para que fosse pintado.
A fase final de Courbet foi pintando quadros eróticos, como a Origem do Mundo, em que causou grande controvérsia durante sua exibição. Ele foi elevado a uma categoria de criador de um novo tipo de arte, rompido com as vertentes intelectuais e acadêmicas.

domingo, 27 de março de 2011

Fragonard vai além do decorativo para firmar o gesto vigoroso



A jovem leitora, de Jean-Honoré Fragonord, 1776, discípulo de François Boucher, tem sido muito lembrado como uma apologia ao estilo decorativo.
Há expressões suaves no rosto da adolescente, na tonalidade da parede e no enquadramento geométrico, ao mesmo tempo que são de grande vigor. É também uma atitude que destaca o gosto pela leitura, de forma concentrada e receptiva.
 Desde a elegância ao sentar-se, as almofadas acolhedoras, a postura de ato prazeiroso e as cores pasteis douradas oferecem a sensação de apaziguamento e satisfação, interferindo na interpretação de que todo o gesto da pintura é belo
Fragonord é considerado ainda uma antecipação de Renoir. O gesto frívolo é uma marca do período rococó, em que o pintor tornou-se conhecido por levá-lo ao extremo, para obter um acabamento altamente refinado.

terça-feira, 8 de março de 2011

Para Picasso, Cézanne é "o pai de todos nós"

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp

Madame Cézanne em Vermelho. Trata-se de Hortense Fiquet, principal modelo e amante de Paul Cézanne, (1893 – 1906). Tornou-se sua mulher 14 anos após engravidar do pintor, No entanto, além de manter uma relação conjugal estável, Hortense foi sua principal modelo,  durante toda a sua vida de casado. Ao todo, são 18 quadros que ela é retratada, inclusive Madame Cézanne costurando. 

A esposa foi retratada por Cézanne em vários quadros da década de 1890: Madame Cézanne na Varanda (Nova York, Metropolitan Museum), três versões de Madame Cézanne na Cadeira Amarela, uma no Chicago Art Institute e duas em coleções particulares, ambas datadas entre 1890 e 1894. Em relação aos demais, Madame Cézanne parece estar nesse retrato, segundo Venturi  mais tranqüila, mais satisfeita, mais singela. As flores nas mãos conferem-lhe um ar mais simpático. 

A crítica Janice Anderson afirma que "Cézanne atinge um grau de simplificação que só viria a ser enconteado mais tarde, nos trabalos de artistas tais como Modigliani, no século XIX. Ele é considerado o pai da pintura moderna. palavra ‘todos’ incluía os pintores do fauvismo, do cubismo e do abstracionismo. Segundo Denis Coutagne, diretor do Museu Granet de Aix-en-Provence (sul da França). cada uma destas escolas, no início do século XX, sistematizou uma direção tomada por Cézanne.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Com os seus nus e juventude, Renoir é o pintor da alegria


As Banhistas (1885) Museu do Louvre

As Banhistas, de Renoir,  que fazem parte de uma série, levou três anos para ser concluída. Fernando Pernes, crítico de arte e assessor cultural do Conselho de Administração da Fundação de Serralves escreveu:

"Renoir é um artista que faz muito bem uma abertura à modernidade. O fantasma de Rubens paira em toda a obra dele, nomeadamente sempre que a nudez feminina é assumida. Renoir transporta a memória rubensiana para uma actualidade." De que forma? "No Rubens, a nudez feminina tinha a ver com a mitologia antiga, [as figuras nuas] eram musas. Com Renoir, é a rapariga do quotidiano, a nudez juvenil." O que se liga a outra característica deste impressionista: "É um pintor da alegria. Um pintor da luminosidade, do lirismo, da 'joie de vivre'. A nudez, nele, é transformada numa festividade."

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pintor ousa na intimidade das quatro paredes


Quadro de Francois Boucher, denominado de a Odalisca. O pintor era apadrinhado por mulheres ricas e seus trabalhos destinados para decorações e coleções particulares. Ao contrário dos impressionistas, não gostava de  pintura ao ar livre, principalmente se envolvesse contatos com a natureza. Achava que o cenário era muito verde e mal iluminado.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Pierre Auguste Renoir - Bal du Moulin de la Galette

Coleção particular
Pintura: Renoir pintava no natural, no meio do baile. Ele dizia que o simples era o eterno. Daí por escolher temas e pessoas populares para seus quadros, como o Baile no Moulin de la  Galette. No quadro homens bem vestidos e de cartolas e mulheres com belos vestidos dançam à luz do dia. Muitos dos dançarinos eram amigos do pintor, Marguerite Legrand, o pintor espanhol dom Pedro de Solares y Cadenas.