Um dos maiores nomes da música brasileira de concerto em todos os tempos, Eleazar de Carvalho completaria 100 anos na próxima quinta-feira, 28 de junho. Para celebrar o grande momento, a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho vai realizar no dia a entrega da primeira edição da comenda “Orquestra Eleazar de Carvalho”, juntamente com a apresentação da Série Concerto Oficial.
A homenagem será outorgada anualmente a personalidades que contribuírem com o desenvolvimento da Orcec e da música orquestral cearense como um todo, sempre no mês de junho. Na edição de estreia, recebem a comenda “Orquestra Eleazar de Carvalho” o governador do Ceará Cid Gomes, o deputado estadual Francisco Pinheiro, o maestro Márcio Spartaco Landi, o professor Liduino Pitombeira e a pianista Sonia Muniz, viúva do maestro Eleazar de Carvalho, em referência ao apoio prestado nos 15 anos de atividade da Orquestra.
A solenidade será realizada no Palco Principal do Theatro José de Alencar, a partir das 19h30 durante a apresentação da Série Concerto Oficial, que marca a estreia mundial da peça “Concerto para contrabaixo, cordas e percussão”. A obra é do compositor e maestro Arthur Barbosa, regente titular e membro da direção artística da Orcec. A entrada é gratuita.
O contrabaixista e professor Marcos Machado aceitou o desafio de estrear a peça e é o solista convidado da Série Concerto Oficial. Doutor em música pela University of Illinois Urbana-Champaign, Machado reside nos Estados Unidos há 15 anos, onde é professor de contrabaixo erudito e jazz na University of Southern Mississippi, primeiro contrabaixo da Meridian Symphony Orchestra e membro da USM Jazz Quartet. Já a percussão ficará a cargo do músico Paulo Zorzetto.
A Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho é uma ação da Associação Artística de Concertos do Ceará (AACC), com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura (Secult). Nesta Série, conta ainda com o apoio do Theatro José de Alencar.
Fonte: Assessoria de imprensa
É do mundo exterior que o conhecimento precisa vir a nós, pela leitura, audição e contemplação. Wendy Beckett
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
Missa de Requiem clama pela piedade para uma existência de fraquezas
O personagem Sheldon Cooper, de Big Bang Theory, é contestado por um precoce gênio da Fisica, sul coreano, de apenas 16 anos. Diante dos argumentos do opositor, Cooper afiirma : "De repente, passei de Mozart para Antonio Salieri", numa referência ao filme Amadeus, de Milos Forman (1982), onde o primeiro é vítima da inveja mortal do segundo. Verdade ou não, a trama do filme passa a ser uma caricatura na série da Warner, mas o espírito permanece: o gênio é incostestável e o instinto aguça o complexo de inferioridade para aqueles que não alcançam tamanha grandeza.
Missa de Requiem, aqui conduzida pelo maestro Karl Bohm, é mais um exemplo da sensibilidade sublime do compositor alemão, que começou a compor aos quatro anos de idade. A sonoridade triste da melodia, que recorda a morte, também faz uma prece a Deus por nos ter feito desfrutar os dias vividos pela presença do ente querido, além da crença de que os mortos serão julgados por um Deus piedoso.
"Rex tremendae majestatis
Qui salvandos salvas gratis,
Salva me, fons pietatis!
Ó Rei, de tremenda majestade,
que ao salvar, salva gratuitamente
salva a mim, ó fonte de piedade!"
As condições da morte de seu pai, o fato de pertencer à maçonaria e o misterioso homem que lhe encomendou a obra, para ser tocada na missa fúnebre da mulher falecida concorreram para que Mozart se pautasse pela forte espiritualidade e entendesse que estaria compondo a música para o seu próprio funeral.
Aqui, não se fala precisamente do anúncio final dos tempos. Ele pressentia sua morte, já debilitado pela doença e crente em forças sobrenaturais e buscava assim a conciliação. Aliás, inexoravelmente, vale para o fim de todos nós, a finitude dada como certa e, para aqueles que têm fé, a certeza de uma vida depois desta pela miserórdia divina.
Nota-se que a obra, a última a ser escrita, não foi totalmente concluída. Mas é o gênio de Mozart, acima das invejas, acima do tema melancólico e da luta contra a mesquinharia humana que domina este presente da arte para sua reverência eterna.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
Alegrias de uma noite mágica que devem ser compartilhadas
A imperfeição é um peso enorme para a humanidade. Se uma pessoa escreve um "a", mas não puxa a perninha o que posso pensar? A letra de médico ou aquela do repórter apressado para colher a informação pode representar, mesmo sabendo que estamos indo ao extremos dos extremos, num receituário criminoso, no caso do doutor, ou num injusto ataque à moral, como acontece com os chamados "historiadores do presente", os jornalistas.
É bem verdade que a caneta e o papel caminham para o desuso breve, em vista das planilhas eletrônicas, do uso do computador, mas ainda não é a realidade atual. O que tem sido comum em ambos os casos é a incompetência e a presunção disfarçadas nas mal traçadas linhas. Isso vale para ambas as categorias. E como se parecem na arrogância, na demonstração de falsos saberes e falsos talentos. Médico que é cantor, jornalista que tanto fala eloquentemente sobre a extração de petróleo no pré-sal quanto dos quadros de Miró fazem parte da mesma mistura de dons, que a loucura confunde numa auto estima, que por não representar realmente grande valor, ou será admirada por meia dúzia bajuladores ou simplesmente repudiada e ridicularizada.
Isso funciona em muitos casos e eu poderia vestir a carapuça se não fosse a grande fé no meu espírito, agora relutante em subonar-me às ilusões. Errando o "a", enaltecendo o que considerava genial fiz apenas parte do cortejo dos bobos alegres. Mesmo escrevendo no computador, continuo susceptível a errar, confundir palavras e magoar e padecer do destino da falibilidade. Mas eis que agora descobri São Paulo, e daí tenho uma visão. É como se eu estivesse escutando falar aos Efésios "não saia da sua boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graças aos que a ouvem".
Assim, continuarei admirando e falando dos quadros de Miró... Não posso, seria uma blasfêmia não compartilhar meu deslumbramento pelo concerto de cordas de Bach. Meu Deus, por que perdi tanto tempo contemplando e buscando saber sobre as fraquezas humanas, fuçando nas redes sociais como o mais hipócrita fofoqueiro deste começo de século?... Quanto tempo foi perdido, quando são os exemplos de fortaleza de seus artistas que mais enaltecem sua obra criadora e nos faz aceditar que a perfeição é possível?
Uma noite calma e silenciosa se avizinha e mais uma vez sinto que há música na quietude. Seus doces metais, flautas, harpas e violinos se misturam, se intercalam... param, por algum momento para que seja introduzido um solo de algum outro instrumento que somente identifico pela beleza. Eouvindo aquilo que edifica, minha alma se enche de alegria.
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domingo, 20 de maio de 2012
Concerto para clarinete, de Mozart, é pano de fundo para briga entre Veja e a Globo
Claro que nesta briga da Revista Veja com o Grupo Globo pode parecer que ambos têm razão e ambos estão errados. Podemos dizer que o grupo comandado pelos Marinho carregou nas tintas ao comparar Rupert Murdock a Roberto Civita, que conheci no L' Hotel, em São Paulo, falando em italiano e em voz alta, mesmo sabendo que estava próximo a uma mesa de jornalistas, todos brasileiros. Também não podemos dizer que a Veja é "bozinha" e que se pauta apenas pelos interesses jornalísticos. Seria muita inocência.
Entendo que há uma antropafagia em curso, ou como diria ironicamente o meu colega Cidrack Ratz, um atropelamento em andamento, e que faz parte de um jornalismo menor. Esse sim tem sido a pauta de boa parte do noticíário brasileiro, onde na falta de inteligência e bom gosto se apela para o destempero. Vide o comentário da âncora do SBT sobre a estudante de Direito que foi condenada pela Justiça por crime de preconceito contra os nordestinos.
Naturalmente que a tensão dos mercados se reflete nas redações e nos conteúdos. Quando fui indagado pelo Paulo Oliveira sobre o fim do jornalismo impresso disse que não acreditava, porque as mídias não destruiam umas as outras. Alberto Dines foi perguntado quase da mesma maneira pelo Juca Kfouri na ESPN internacional e sua resposta foi menos parecida, mas com o mesmo espírito. Não é hora de se pensar no fim do jornalismo impresso.
O problema é que a safra de se escrever e o prazer de ver o seu trabalho impresso no papel ou nas telas eletrônicas correm o risco de parecer ao leitor desinteressantes. A forma como a Veja e a Globo estão se digladiando deixa de ser técnica para ser política e tenho minhas dúvidas de que essas divergências que acontecem no varejo se estendam ao atacado.
Escrevo para dizer que ainda sinto grande prazer pelo que escrevo e ainda acredito no jornalismo e ,menos na política. Eis porque acabei não falando de Mozart, que é o objeto deste post para comentar sobre a briga intestina da imprensa brasileira. Mas depois de digerir tudo isso, se for possível, irei simplesmente ouvir música clássica.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
Bizet e Proust nos libertam da sordidez e da pequenez humanas
"Num lento ritmo ela o encaminhava primeiro por um lado, depois por outro, depois mais além, para uma felicidade nobre, ininteligível e precisa. E, de repente, no ponto aonde ela chegara e onde ele se preparava para segui-la, depois da pausa de um instante, ei-la que bruscamente mudava de direção e num movimento novo, mais rápido, miúdo, incessante e suave, arrastava-o consigo para perspectivas desconhecidas. Depois despareceu. Ele desejou apaixonadamente revê-la uma terceira vez. E ela com efeito reapareceu, mas sem falar mais claramente, e causando-lhe uma volúpia menos profunda. Mas, chegando em casa, sentiu necessidade dela, como um homem que, ao ver passar uma mulher entrevista um momento na rua, sente que lhe entra na vida a imagem de uma beleza nova que á maior valor à sua sensibilidade, sem que ao menos saiba se poderá algum dia reaver aquela a quem já ama e da qual o nome ignora".
Essas são descrições mais belas que vi sobre uma música, contida em Em busca do Tempo Perdido, nos Caminhos de Swann, de Marcel Proust. Poderia ser minueto em mi bemol maior, de Bizet (o mesmo autor de Carmen), como também Sonata ao Luar, de Beethoven. Ninguém sabe ao certo. O certo é quanto essa melodia me desarma e me liberta de tantos pensamentos sórdidos. Que essa sensação seja extensiva a todos os sensíveis.
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terça-feira, 17 de abril de 2012
Programa de formação docente promove concerto de música erudita
A Casa de Artes, atividade do Programa de Formação Docente da Universidade Federal do Ceará, promove hoje a partir das 19h30min, no foyer do Theatro José de Alencar, a apresentação “Serenata”, do Quarteto Arcadia, grupo de música antiga e erudita.
Criado por quatro estudantes e professores da Universidade Estadual do Ceará, o Quarteto pesquisa, interpreta e realiza performances de música erudita. É formado por Marcos Maia (violão e alaúde), Jorge Santa Rosa (viola da gamba e contrabaixo), Leandro Cavalcante (voz - tenor) e Rodrigo Soares (flautas). A apresentação é gratui-ta e as inscrições podem ser feitas através do link http://is.gd/JF3InJ.
A CASa de Artes é um espaço de formação e apreciação estética na Universidade e, mensalmente, promove apresentações artísticas com debates e discussões. Para saber mais sobre a CASa de Artes, basta acessar o site www.casa.ufc.br.
Mais informações com o Prof. Vitor Duarte, Coordenador da CASa de Artes, pelo telefone 8557.9596.
Fonte: Prof. Vitor Duarte, Coordenador da CASa de Artes - (fone: 85 8557 9596)
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Quarteto de Violões da UFC está com inscrições abertas
O Quarteto de Violões da Universidade Federal do Ceará recebe inscrições, até 8 de março, para seleção de novos integrantes, no âmbito do Programa de Bolsa de Cultura e Artes-2012 da Pró-Reitoria de Extensão da UFC (Edital Nº 01 / 2012). Interessados devem entrar em contato com a Coordenação do Curso de Música da UFC pelo fone (85) 3366.9222.
O processo de seleção acontecerá no dia 9 de março, às 14h, consistindo na leitura à primeira vista de um trecho musical; interpretação de uma música escolhida pelo candidato e que seja significativa do repertório violonístico; e de uma entrevista. Podem participar alunos da graduação de UFC e de outras instituições de Ensino Superior.
O Quarteto de Violões da UFC, coordenado pelo violonista e professor Marco Tulio, já conta com dez anos de atividade. O repertório do grupo inclui obras de Marco Pereira, Pixinguinha, Chico Buarque, Francisco Soares, Aleardo Freitas, Marcos Maia, Rogério Lima e Marco Tulio.
Fonte: Prof. Marco Túlio, Coordenador do Quarteto de Violões da UFC – http://br.mc1614.mail.yahoo.com/mc/compose?to=marcotulio@ufc.br - (Fone 85 3366.9222)
O processo de seleção acontecerá no dia 9 de março, às 14h, consistindo na leitura à primeira vista de um trecho musical; interpretação de uma música escolhida pelo candidato e que seja significativa do repertório violonístico; e de uma entrevista. Podem participar alunos da graduação de UFC e de outras instituições de Ensino Superior.
O Quarteto de Violões da UFC, coordenado pelo violonista e professor Marco Tulio, já conta com dez anos de atividade. O repertório do grupo inclui obras de Marco Pereira, Pixinguinha, Chico Buarque, Francisco Soares, Aleardo Freitas, Marcos Maia, Rogério Lima e Marco Tulio.
Fonte: Prof. Marco Túlio, Coordenador do Quarteto de Violões da UFC – http://br.mc1614.mail.yahoo.com/mc/compose?to=marcotulio@ufc.br - (Fone 85 3366.9222)
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sábado, 11 de fevereiro de 2012
Haendel nos mostra as palavras que choram e as lágrimas que falam
Palavras que choram. Lágrimas que falam. Assim diz esse comovente oratório de Handel, ao tratar de Judas o Macabeu ("Judas, o Martelo"). Semelhante a uma ópera, a obra tem um profundo sentido religioso ao retratar passagem do primeiro livro de Macabeus, narrando a guerra de libertação comandada pelo líder fervoroso pela inviobilidade do santuário e dos costumes hebreus. Ele era filho do sacerdote judeu Matatias. Ao liderar a revolta dos Macabeus contra o Império Selêucida (167-160 a.C.), se faz uma pregação sobre a intevenção de Deus na solução das contendas e na premiação dos justos contra os ímpios, tal como afirmam os primeiros versículos do livro dos Salmos.
As ações ocorrem quando Antíoco IV Epifanes chegou ao trono do Império Selêucida e subjulgou os povos dominados. Ele determinou a helenização e impôs os rituais religiosos aos Judeus em Jerusalém, profanando seus templos, e ameaçando-os de pena de morte. A guerra de libertação comandada por Judas Macabeu é sustentada por aparições celestiais e vencida graças à intervenção divina.O oratório nos chama a uma reflexão religiosa, querendo nos lembrar que mesmo a perseguição e a ira do inimigo podem ser compreendidas como permissão de Deus, ainda pleno de sua misericórdia, para aperfeiçoar o homem do pecado.
Na Bíblia, aparece outro Judas, o Iscariores, que traiu Jesus. Este deu fim à sua vida e ao lado de Sansão são os dois únicos suícídios revelados no Antigo e Novo Testamentos. O primeiro condenado por Deus o segundo abençoado.
Ao lado de Bach, Händel foi o grande compositor dos oratórios, que embora pontuados com coros e solos, a exemplo do estilo operísticos, não são encenados. Aqui temos uma versão completa transmitida pela televisão espanhola.
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domingo, 25 de dezembro de 2011
Villa Lobos funde todos os estilos e ritmos em As Bachianas Brasileiras
Educado e culto, Heitor Villas Lobo (1887-1959), por pouco não foi médico, como queria sua mãe. No entanto, tornou-se maestro e compositor e, sobretudo, o maior nome da música brasileira de todos os tempos. Filho de um músico amador, aprendeu desde cedo a tocar o violoncelo, instrumento que prepondera na sua notória obra as Bachianas, rotulada num estilo neobarroco, misturando todos os estilos, instrumentos (inclusíve exóticos) ao clássico tradicional.
Nesta ária, há o excesso que torna genial a expressão artística de Villa Lobos: oito violoncelos (na concepção original). O compositor não nega as raízes do erudito. Pelo contrário, o incorpora assim como o fólclore brasileiro e a música sertaneja, realçando como é vital na cultura brasileira a miscigenação.
O estilo original, a forte personalidade e a influência que exerceu no século XX até hoje, lhe rendeu justas homenagens em países de todo o mundo, com destaqaue para a França e os Estados Unidos, A aria (Cantilena), das Bachianas Brasileiras nº 5, é dedicada a Arminda Villa-Lobos, sua ex-aluna e sua segunda mulher, como quem viveu até morrer de câncer.
Canta a soprano:
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e a linda sonhadoramente,
Em anseios d'alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a Sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
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sábado, 17 de dezembro de 2011
Hallelujah-Händel: abandonemos a doutrina e vivamos o amor
"King of kings forever and ever / And Lord of lords / hallelujah hallelujah". Dizem os versos do notório movimento que celebra a vinda de Jesus Cristo à Terra. Messiah de Händel é um oratório composto por 51 movimentos, sendo que o mais conhecido é "Hallelujah", que se inclui entre as árias mais populares de todos os tempos. Como obra sacra (Händel era um cristão fervoroso) também fez parte por várias ocasiões da História como canção integrante da liturgia religiosa, embora não tenha sido concebida para esse fim.
Importante nessa composição é o êxtase que se dá pela notícia do nascimento do Menino Jesus, como a alegria maior para a nossa redenção. Assim como disse o Papa Bento XVI, repetindo o que já havia sido externando como máxima no Concílio do Vaticano II, podemos abandonar a doutrina, mas não o amor. É através desse que superamos nossos instintos selvagens e vivemos a plenitude da humanidade.
O Natal que nos leva a consumir mais, a fazer parte das festas de confraternização no trabalho, nos movimentos de igreja, nas reuniões familiares, a motivar uma reflexão sobre o que feito ao longo do ano (em vista da sua aproximação com as festas de Novo Ano) deve ser, sobretudo, momento de se checar no íntimo de cada um se as profecias do Antigo Testamento, rememoradas nos Novo Testamento, em diversos Livros, fala realmente do mesmo ser divino.
Sendo ou não cristão, vale refletir sobre o advento. O mais rico em citações é Isaías, o profeta messiânico, ou do "Servo Sofredor", mas o perfil do Deus que se fez homem é retratado pelos evangelista Mateus, dentre outros. "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens" (Isaías 53:3).Na noite em que foi traído, ele disse como sua alma era "profundamente triste" (Mateus 26:36-41). "Por juízo opressor foi arrebatado" (Isaías 53:8).
Não se trata de proselitsmo religioso, mas de itens que podem nos levar a pensar sobre o Natal, sendo ou não uma farsa materialista. Então, viva a alegria, viva a causa ganha em Seu nome, Minhas homenagens natalinas a todos os leitores desse blog. Que deixemos de lado a doutrina e vivamos de fato a fraternidade sem utopias, aquela construída dentro de nossos limites de vícios e fraquezas, mas também de virtudes.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Carmina Burana, de Carl Orff, detém a grandiosidade orquestral e exuberante alegria
Carmina Burana é uma cantata cênica de poesias latinas medievais, pretendida para ser representada e dançada, posta sobre textos em baixo latim e baixo alemão, os quais foram extraídos de uma colocação de duzentas peças poéticas diversas compiladas pelo final do século XIII.
A palavra Carmina é o plural de Carmen (em português, Canção). O título inteiro significa literalmente: Canções dos Beurens; esta última palavra se refere ao fato de que os textos escolhidos para esta cantata secular foram descobertos em 1803 em um velho mosteiro beneditino da Baviera, em Benediktbeuren, no sudoeste da Alemanha.
Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antigüidade, o conceito da Roda da Fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (O Fortuna, Velut Luna) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: o encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na primavera (Veris eta facies). Seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (In taberna); e seu encontro com o Amor (Amor volat undique).
A maioria dos mais de duzentos poemas sacros e seculares remonta ao século XIII e foi escrita por um grupo profano de errantes chamados Goliardos. Estes monges e menestréis desgarrados passavam o seu tempo deliciando-se com os prazeres da carne e os poemas que eles deixaram, faziam a crônica de suas obsessões por vezes ao ponto da obscenidade.
Este manuscrito abrange todos os gêneros, de versificação erudita à paródias de textos sacros, incluindo canções de amor e melodias irreverentes e até grosseiras. O fato de que o texto original destes Poemas de Benediktbeuren seja executada hoje em dia com tão extraordinário sucesso artístico, permite ao ouvinte discernir ainda melhor as intenções de Orff onde sua música não se expressa claramente.
Como uma antologia, Carmina Burana apresenta tudo o que o mundo cristão entre os séculos XI e XII fora capaz de exprimir. Aquela época não foi secionada como a nossa, nem inibida pelos nossos tabus. Assim, os autores anônimos dessas saturnálias escritas não temiam espalhar a chama incandescida pelo contato inesperado de uma melodia litúrgica e uma blasfêmia, mais precisamente um priapismo verbal, ou inversamente de uma nova melodia profana e uma profissão de fé.
Neste sentido, a coleção original restaura para nós, todo um cosmo onde o Bem não existe sem o Mal, o sacro sem o profano e a fé sem maldições e dúvidas: a oscilação onde se encontra a grandeza da Humanidade.
A dialética freudiana foi necessária para a redescoberta deste humanismo medieval até então considerada bárbara e cruel; uma vitalidade que permitiu ao homem sobreviver ao sofrimento da guerra, o mundo infestado pela praga em que ele era submetido à injustiça, à instabilidade, e mantido na ignorância de tudo que não fosse santificado pelo dogma. Sabemos que insultos dirigidos contra a autoridade, palavras ofensivas e blasfêmias que temperavam de maneira acre a expressão dessa energia vital eram herdadas do mundo antigo e chegaram ao começo do renascimento na tradição dos Carnavais e Triunfos que Lorenzo de Medicis e Rabelais ilustrariam, cada qual por sua vez.
Esta genealogia espiritual era tão familiar a Orff que ele concebeu Carmina Burana como apenas o primeiro elemento de uma trilogia intitulada Trionfi-Trittico Teatrale, que incluiria Catulli Carmina (1943) e Trionfi dell'Afrodite (1952), uma obra que revelou a significação do todo: só o Desejo e o Amor podem capacitar o Homem a viver, lutar e crer.
A primeira apresentação de Carmina Burana foi na Ópera de Frankfurt em Junho de 1937. Causou uma grande impressão sobre o público, e a aclamação mundial que recebeu a partir daí prova que não perdeu nada do seu efeito hipnótico.
A trilogia Carmina Burana é obra coral de exuberante alegria e fortes acentos eróticos; a obra, inicialmente destinada para representação como ópera, venceu, porém, nas salas de concerto. A música é deliberadamente anti-romântica. É uma música inteiramente original, quase sem harmonia, baseada só em elementar forma rítmica, acompanhada por orquestra inédita: principalmente instrumentos de percussão e vários pianos.
O manuscrito original inclui poucas melodias anotadas que Carl Orff levou em consideração, mas não citou diretamente, ampliando apenas sua atmosfera particular com instrumentos ancestrais que usou em seu Método, aqueles mais exigidos pela música contemporânea: uns poucos instrumentos de sopro, sem violinos, mas uma ampla família de percussão.
Não há contradição entre a obra do compositor e seu Método: ambos falam ao mesmo irredutível descendente dos homens das cavernas, que aparentemente estão tão pouco à vontade hoje em dia em seu universo de ar condicionado.
Extraído de http://reduce.to/carminaburana
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Bruckner gargalhou para os seus demônios, que teimavam arrastá-lo para a morte
Pode-se afirmar que muitos gênios são loucos. Mas não é o fato de alguém ser louco que pode ser gênio. Do mesmo modo vale para os espíritos atormentados. Muitos desses deixaram a marca de seu talento, como a lembrar que esse foi produzido a partir de seu sofrimento e dos conflitos interiores. Nem todo atormentado foi gênio.
O caso do austríaco Anton Bruckner (1824-1896), considerado como uma das figuras mais fascinantes e estranhas da história da música, aponta para o artista sublime. De origem rural modesta, o jovem Anton aprendeu órgão com o pai, vindo mais tarde a ser o organista de St. Florian, em 1851.
Inseguro, com obra influenciada por Wagner (quem admirava muito), era conhecido por sentar-se numa cadeira sozinho e dar gargalhadas com o tempo. Ao concluir a 8a. sinfonia, essa que acompanhamos um trecho, chegou a tentar o suicídio, porque não era compreendida.
Tempos depois, foi considerada como a sua mais importante obra, embora a 4ª Sinfonia tenha sido a mais popular, chegando a obter um sucesso estrondoso.
Porém, o tormento foi a marca da carreira de Bruckner, como músico e compositor, sobretudo, de obras sacras. Humilde e inseguro, reescreveu algumas das sinfonias (em particular extensão a Terceira e a Oitava), o que teve como consequência não ter podido terminar a Nona.
Esse tormento da alma, que alguns conseguem sublimar pela arte, é algo parecido com o que aconteceu com Beethoven e suas paixões platônicas. Ou ainda com Picasso, atingindo pela importência sexual (nos tempos em que não havia as pílulas azuis) dedicava-se a extravasar seus traumas na arte, especialmente na deformação e mutilação dos modelos femininos.
A Oitava sinfonia, que destacamos agora, acabou por ser também um sucesso.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
CASa de Artes promove recital de música erudita
O Projeto CASa de Artes da Universidade Federal do Ceará promove, terça-feira (20), a partir das 17h, recital didático de música erudita, com repertório eclético. Será na Sala Interarte, da Casa de Cultura Alemã, no Campus do Benfica. O programa inclui canções de compositores contemporâneos, como os brasileiros Ronaldo Miranda e Liduíno Pitombeira, o romantismo francês expresso ao violino do compositor Massenet e nas canções de Fauré, vistosas árias de óperas de Haendel e Gounod, e o regionalismo brasileiro de Waldemar Henrique, além do sentimentalismo estético de Villa-Lobos e dos clássicos mais populares, como o concerto para uma voz de Saint Preux.
A construção do programa foi idealizada pelo Prof. Vitor Duarte, do Instituto de Cultura e Arte (ICA), e também coordenador de arte erudita da CASa de Artes. Como pianista, ele acompanhará todas as peças do recital. O grupo selecionado para a apresentação é formado por alunos, ex-alunos e participantes de projetos de extensão vinculados à UFC.
O violino ficará a cargo de Elves Brandão, estudante da Licenciatura em Música da UFC e violinista da Orquestra Filarmônica do Ceará. No canto, participam as sopranos Priscila Guimarães e Melissa Leão, alunas da Licenciatura em Música da UFC; o tenor Daniel Sombra, integrante do Coral da UFC e do projeto de extensão Canções Conterrâneas; e o contratenor Antônio de Souza Junior, graduado em 2010 pelo Curso de Licenciatura em Música da UFC.
O CASa de Artes, promovido pelo Projeto CASa (Comunidade de Cooperação e Aprendizagem Significativa), da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal do Ceará, é um espaço de educação estética e de apreciação das artes. Suas atividades são gratuitas e abertas a qualquer interessado. Para se inscrever e conhecer a programação do projeto para os meses de setembro a dezembro de 2011, basta acessar o site do Projeto CASa (http://www.casa.ufc.br/).
Fonte: Prof. Francisco Silva Cavalcante Junior, Coordenador do Projeto CASa - (fone: 85 3366 9526 / http://br.mc1614.mail.yahoo.com/mc/compose?to=casa@ufc.br)
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Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional (85) 3366.7331 / 3366.7332
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Contra a tristeza, a arte sublime dos grandes mestres
Com esta última parte da Nona, encerro as minhas celebrações pelo primeiro ano do blog Sobrearte. Na primeira postagem, as cenas são do filme Minha Amada Imortal (Beloved Inmortal), de 1994, direção de Bernard Rose, com Gary Oldman interpretando Ludwig Von Beethoven. Nas duas últimas, tratam-se das apresentações da orquestra e coro de Leipziger, com regência de Riccardo Cheilly. A exibição aconteceu em 30 de dezembro de 2009 e foi transmitida pela televisão alemã.
Pessoalmente, fico feliz em compartilhar manifestações tão relevantes para a arte e para o desenvolvimento do espírito humano. Durante um ano em que me dediquei ao Sobrearte, passei por momentos de querer desistir. Afinal, não se reduzia apenas a um mecanismo de copiar e colar obras da internet. Eu precisava de ter tempo para me dedicar às pesquisas. Ler muito.
Também me desmotivavam, no início, o baixo número de acessos, o pouco comentário ou até a indiferença dos amigos. Levei algum tempo para entender que a iniciativa poderia estar sendo confundida com um gesto esnobe e exclusivista. Afinal, quem hoje se interessaria por Kant, Rossini, Klint...apenas para citar alguns nomes? No entanto, aprendi com uma amiga em postar somente aquilo que eu gostasse. Essa foi a primeira injeção de ânimo para não sucumbir, porque quando estava triste recorria à arte ou à expressão cultural de bom gosto. Se essas me faziam bem, então deveriam fazer bem para outras pessoas.
Bom, aqui continuamos. Não sei o que poderei dizer em setembro do próximo ano.
Beethoven: Ébrios de fogo entramos em teu santuário celeste
Ode à Alegria ~
Ode à Alegria de Friedrich Von Schiller, tradução do original, tal como se canta na Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven.
(Barítono)
Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!
(Barítonos, quarteto e coro)
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce voo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegrias bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!
(Tenor solo e coro)
Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.
(Coro)
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora.
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Final de a Nona celebra primeiro aniversário de Sobrearte
Setembro é tempo de alegria para o blog. Este mês, o Sobrearte completou um ano de existência.
Desde o seu primeiro momento, não houve a intenção de se lançar um produto comercial. Isso seria presunção exagerada, quando a finalidade original consistia em ser um divulgador e difusor da arte e cultura. Eis porque tenho convidado amigos a compartilhar este espaço.
Escolhi para marcar a minha festa pessoal pelo primeiro aniversário o final da sinfonia n.º 9 em ré menor, op. 125, "Coral", de Ludwig van Beethoven. É um risco muito grande de que seja deletado, porque (com toda justiça!), os envolvidos pensam em seus direitos autorais e não querem a manipulação indevida por terceiros. Nesse caso, fico movido pela satisfação de dividir um momento magnânimo da arte.
A Nona, como é mais conhecida, é uma das obras mais famosas do repertório ocidental, considerada tanto ícone quanto predecessora da música romântica, e uma das grandes obras-primas de Beethoven.
A nona sinfonia de Beethoven incorpora parte do poema An die Freude ("À Alegria"), uma ode escrita por Friedrich Schiller, com o texto cantado por solistas e um coro em seu último movimento. Guardadas as proporções é comparável ao som introduzido no filme O Grande Ditador, de Chaplin.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Zadok de Händel desmente o mito de que os excessos são um mal
Devo ter escutado Zadok, o Sacerdote umas 500 vezes e sempre me emociono. Acredito que pelo conjunto da obra, inclusive o excesso. Frideric Haendel refutava a ideia de que os excessos, mesmo que para o bem, seriam um mal. Aqui temos um exemplo de que estava certo. Há uma profusão de cantores, cantoras, oboés, fagotes, violinos...
É considerado o hino da coração dos reis e rainhas ingleses, tendo sua estreia em 1727. Sua base é bíblica, fundamentada no Livro dos Reis (1,38), quando Salomão recebe a unção de Zadok e Natã. A frase matriz da obra é: "Seja a tua mão reforçada". Nesse vídeo, assistimos flashs da coroação da Rainha Elisabeth II.
Haendel foi um célebre compositor da Alemanha, naturalizado cidadão britânico em 1726. Desde cedo mostrou notável talento musical, e a despeito da oposição de seu pai, que o queria um advogado, conseguiu receber um treinamento qualificado na arte da música. A primeira parte de sua carreira foi passada em Hamburgo, como violinista e maestro da orquestra da ópera local. Depois dirigiu-se para a Itália, onde conheceu a fama pela primeira vez, estreando várias obras com grande sucesso e entrando em contato com
músicos importantes.
Seu patrão mais tarde se tornou rei da Inglaterra como Jorge I, para quem continuou compondo. Fixou-se definitivamente em Londres, e ali desenvolveu a parte mais importante de sua carreira, como autor de óperas, oratórios e música instrumental. Quando adquiriu cidadania britânica adotou uma versão anglicizada de seu nome, George Frideric Handel.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Rubinstein se personifica e personifica Chopin em Barcarolle
Prácticamente todas las composiciones de Chopin son para piano. Aunque expatriado, siempre fue leal a Polonia, un país desgarrado por las guerras; sus mazurcas reflejan los ritmos y melodías del folclore polaco y las polonesas están marcadas por el espíritu heroico de su patria. La influencia que sobre él ejerció el compositor de ópera italiano Vincenzo Bellini también se puede apreciar en sus melodías. Las baladas, scherzos y estudios (cada uno de ellos centrado en un problema técnico específico) son muestra de su amplísima obra para piano solo. Su música, romántica y lírica, se caracteriza por las dulces y originales melodías, las refinadas armonías, los ritmos delicados y la belleza poética. Influyó notablemente sobre otros autores, como el pianista y compositor húngaro Franz Liszt y el compositor francés Claude Debussy. Sus obras publicadas incluyen 55 mazurcas, 27 estudios, 24 preludios, 19 nocturnos, 13 polonesas y 3 sonatas para piano. Entre sus otras obras destacan el Concierto nº 1 en mi menor, opus 11 y el Concierto nº 2 en fa menor para piano y orquesta, opus 21 (en el que se aprecia la influencia, tanto en su forma como en la melodía, de los conciertos para piano de Johann Nepomuk Hummel), así como una Sonata en sol menor para violonchelo y piano, opus 65 y Diecisiete canciones polacas, opus 74.
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