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sábado, 12 de maio de 2012

Florais de pintores ilustres que perfumam o Dia das Mães

Jan de Hemm, Vaso de flores (1645)

O Dia das Mães, que se celebra amanhã, é também um período de maiores vendas para os floristas. Acredita-se que o comércio no Brasil deverá movimentar, hoje e amanhã, R$ 10 milhões. A associação das flores com as mães desprende uma mensagem de beleza e ternura, que foi muito bem explorada em natureza morta uma imagem que lembra a fotografia. A magia das flores que acontece em profusão nos presentes dos filhos faz parte de toda a tradição da relação de maio com o mês das flores e com final da primavera europeia.
Várias escolas tiveram seus florais destacados, não apenas para motivos de decoração como de afirmação dos artistas. Através dessas imagens inanimadas aprimoravam seus estudos de cores, e quanto mais se pintavam aquelas com maior número de pétalas e detalhes mais primorosas surgiam os óleos e até as aquarelas. Há quem prefira um estilo mais do que os outros, mas há um consenso de se chegar não à perfeição do retrato, mas da pureza de seus encantos.
O Vaso de Flores, de Jan de Heem (1645) se insere dentro do período barroco. O quadro é como um desafio à imortalidade da beleza, a ponto de nos fixar o essencial, o significativo, o máximo.

Girassois, van Gogh (1853)


Não há numa sequência coerente, os florais voltam a ser tema predominante nos artistas impressionistas, tais como Monet. É notório o quadro de Monet e sua família no jardim de sua casa, quando havia pouco tempo que tinha sido despejado de uma residência por falta depagamento. A imagem transmite apenas candura e harmonia, sem nenhuma transmissão das dificuldades vividas pelo artista francês.
Também impressionista, van Gogh pintou seus berrantes Girassóis (1853), que explodiam com intensa vibração. Para o pintor que fugia da monocromia, trata-se de uma exceção. O amarelo irradia um brilho chocante, se somam às sombras em marrom. A fase floral se aproximou dos últimos dias do pintor holandês, quando já sumcumbia às constantes crises de loucura.
Sabedor de seu sofrimento, van Gogh buscava contentamento na pintura, primeiro nas paisagens ao ar livre, como os campos de trigo, o sol de Arles e os lilases, para por fim se render ao estúdio que se improvisou no hospício. Mais uma vez o destaque é para sua capacidade de enxergar a formosura em objetos simples.
A Sala de Flores, Childe Hassam (1894)



A profussão de flores também aparece no quadro "A Sala das Flores", de Childe Hassam, em 1894, onde o floral se mistura com pilhas de livros. A saturação de objetos chega até passar despercebida uma moça de vestido rosa, deitada sobre um divã. Ela lê um livro e demonstra o aconchego e a satisfação causada pelo gosto daquele compartimento.
A casa pertencia a Celia Thaxter e era conhecida por reunir escritores, pintores e intelectuais norte americanos e de outros países que visitam sua casa. Dentre os convidados, estava o próprio Hassam, que trabalhou nos EUA como ilustrador e e gravador em madeira, antes de ir para Paris estudar arte.
Papoulas vermelhas, Emil Nolde (1867)


Destaco o quadro "Papoulas vermelhas", de Emil Nolde (1867), nome de relevância do expressionismo alemão, uma aquarela sobre papel. A cor é como se saltasse do papel e é as flores são singularmente desenhadas, não como se fossem reais, mas para dar a sensação de que o compromisso do artista é de fato com a estética.
Nolde foi perseguido pelo regime nazista e passou algum tempo tendo que pintar escondido. Mas viveu até sua morte na Alemanha e deixou obras que também retratam imagens religiosas e temas que ele acreditava.
Anêmonas e lilases, Odilon Redon (1912)


Também gosto muito do quadro "Anêmonas e lilases" (1912), de Odilon Redon. Ao contrário dos Girassóis de van Gogh, aqui há uma policromia forte, sem inibição, mas sem perder a suavidade. A variedade das cores nos transmite uma sensação de sonho, de realização como poucas obras artísticas nos oferece.
Redon faz parte do período do simbolismo, que começou como movimento literário, vendo na imaginação como mais importante fonte de criatividade. Depois se expandiu para outros ramos das artes e encontrou em alguns artistas adeptos fervorosos que imprimiram sua marca e seu gênio.

domingo, 22 de abril de 2012

Mulheres vestem amarelo no Barroco, Rococó e no Art Noveau

Podem não ser variados, mas existem suficientemente para impressionar e provocar admiração pela preferência da cor. Trata-se dos vestidos amarelos escolhidos por artistas que vão desde o Barroco, passando pelo Rococó, até o Art Noveau. Homens vestidos de amarelos podem soar de extremo mau gosto, mas com a natureza feminina ganha auras de candura, beleza e ostentação, principalmente a cor dourada, muito utilizada como luz em cenários para realçar riqueza e poder.
Talvez hoje o amarelo não seja a cor da moda, principalmente considerando os tons escolhidos pelos artistas da alta costura. Talvez seja considerada muito espalhafatosa. No entanto, sempre há uma personalidade, especialmente, mulher, que subverte esses conceitos e daí emprestam seu carisma e autoridade para a renovação da cor. Quem não se lembra do vestido amarelho da rainha Elisabeth, da Inglaterra, no casamento do príncipe William?

Um dos quadros que mais me alegra - e capaz de afastar alguns tipos de melancolia - é a Alaudista, de Orazio Gentileschi, de 1610, que se vê uma jovem adorável a tocar inocentemente. Trata-se de uma obra do estilo barroco e que se contrapõe ao Alaudista de Caravaggio (1596), mostrando um um rapaz com expressões lascivas.
A vida nem sempre foi dourada ou muito menos cor de rosa para os Gentileschi. Sua filha, Artemisia, também pintora foi estuprada por um amigo do pai. A revolta e o ressentimento permearam sua obra, tais como o auto retrato, onde aparece tensa ou até mesmo violenta e com pérfida, em Judite ao mater Holofernes, dando um significado terrível do que é matar outro ser humano.  


Igualmente cândido, é a Jovem Leitora (1776), de Jean-Honoré Fragonard, obra prima do rococó. A exemplo de Orazio, há uma atmosfera de paz e tranquilidade e, sobretudo, pela obtenção de prazeres, quer provenientes da música, como é o caso da Auladista, quer pela leitura, absorta e desprotegida do exterior, como mostra a adolescente.



Sobre a Jovem Leitora, Wendy Beckett, escreveu: "A suavidade de A Joovem Leitora, esse encanto quase a Renoir, não deve impedir que vejamos sua força e solidez. Há um enquadramento geométrico para a maciez da adolescente e a capacidade de transceder a decoração", afirma. Ela ressalta que o pintor é mais profundo do que parece. Concordo.Tudo concorre para uma extrema harmonia da modelo e o seu entorno: o livro, a almofada, o cabelo preso e a mão direita posta suave sobre a parte inferior do vestido, com detalhes de babados brancos.




Por fim, temos O Retrato de Adele Bloch-Bauer I, que  é uma pintura de Gustav Klimt completada em 1905. O artista empregou três anos para completar este retrato, que é um expoente da Art Noveau e segue características semelhantes ao O Beijo. A obra foi realizada em Viena e encomendada por Ferdinand Bloch-Bauer.






Adele Bloch-Bauer tornou-se na única modelo pintada em duas ocasiões por Klimt quando completou um segundo quadro, Retrato de Adele Bloch-Bauer II, em 1912. Adele indicou no seu testamento que os quadros de Klimt deveriam ser doados à Galeria do Estado da Áustria.Em 1925 Adele faleceu de meningite.

domingo, 4 de março de 2012

Vaidade e marketing pessoal manipulam retratos da pintura à fotografia

Tomas Morus


Era para ser tudo muito simples: o retrato é a semelhança da pessoa. Mas desde a pintura, passando para as fotografias que são exibidas, hoje, pela internet, há uma grande necessidade de impressionar. Assim, o que deveria ser a imagem real, passa a a ser uma imitação surreal ou mentirosa. O que poderia significar uma identidade se transforma num marketing pessoal.
Essa reflexão não é de agora, pois existia já na arte do retrato, que chegou ao seu apogeu entre os séculos XV e XVI. Naquela época, houve várias tentativas de manipulação dos retratados, para se impor socialmente, compensar suas fraquezas psicológicas e até para se apresentarem mais bonitos do que eram verdadeiramente.
Bia


No caso da pintura, há muitas explicações porque as pessoas ansiavam imortalizar seus corpos. Como a escultura detinha um custo muito elevado, a pintura se constuía num acesso a esse bem de forma menos exclusivista. Claro que existem exceções. Daí que a escolha por personagens nesta mini coletânea é mais uma homenagem à pintura retratista, do que se fazer um culto à personalidade.
Norbert Schneider, em A Arte do Retrato, diz: "A partir do século XV,não foram apenas os príncipes, o alto clero e a nobreza, mas também os membros de outros grupos sociais - comerciantes, artesãos, banqueiros, sábios humanistas e artistas, que posaram para seus retratos, expondo-se literalmente aos olhares públicos. Esse período presenciou também a revolução de vários tipos de retrato, subgêneros que iriam determinar as formas que o retrato viria a assumir nos séculos posteriores. Podemos citar como exemplos o retrato do corpo inteiro, normalmente reservado aos princípes e nobres, os de três quartos e aqueles de mais diferentes ângulos: perfil (uma reminiscência ao estilo de medalha), de busto(...)" e até de costas.
Betty


A escolha se deu livremente e, naturalmente, haverá omissões graves. No entanto, coloco relevantes obras como a Monalisa, e seu sorriso enigmático, que tantas intrepetações já suscitaram nos críticos e nos amantes das artes; o perfil (estilo medalha) de Giovanna Tornabuoni, que morreu no ano em que a pintura ficou concluída; Bia, a filha ilegítima de Cosimo de Médice e, para não se estender muito sobre outras escolhas, a de Betty, de Richter, em que mais se assemelha a uma fotografia. Seu rosto oculto é considerado uma transgressão à pintura, mas é inegável o seu valor pelo detalhamento fotográfico.
Há quem diga que a fotografia tornou os retratados mais reais. Ao contrário da pintura, as imperfeições não mais se corrigiam nos pinceis e nas telas. Dizia-se que as gerações que não a conheceram tiveram contato com a morte duplamente, porque esta nova técnica (que depois chegaria ao patamar da arte) era imparcial, uma ladra, por assim dizer, daquele momento: sem inventar, ou aumentar. As pessoas e as coisas iam se deteriorando com o tempo, mas o registro instantâneo se eternizava. Pelo menos isso existiu genuinamente por algum período do tempo. Também não devemos responsabilizar o photoshop por toda a manipulação que já se fez após os clic da fotografia. O fato é que a vaidade atravessa o tempo e nunca lhe faltou artimanhas e artifícios para que se manifestasse.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Murais de Gérson Faria encontram-se degradados na cripta da Igreja dos Remédios

Mural de Gérson Faria. Fotos: José Leomar/Agência Diário
Por algum tempo, os padres da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, da Congregação dos Lazaristas, no Benfica, diziam que não mais existiam os murais do pintor cearense Gérson Faria (1889-1943), um expoente da arte regional. Há quatro anos, o então pároco, padre Sílvio Mitoso, envolveu-se na recuperação das pinturas à oleo distribuídas por quatro paredes, instaladas na cripta do templo. Isso ficou apenas na vontade, porque de modo prático nenhum passo foi dado de lá para cá. A obra está disponível para exposição, mas se encontra bastante desgastada.
As pinturas retratam cenas de Jesus Cristo, tanto abordando circunstâncias de pregações e encontro com os discípulos e ainda uma representação livre da via sacra, onde se destaca a crucificação.
O início da elaboração se deu em 1940, quando o Benfica era o bairro residencial das elites de Fortaleza, destacando-se a família Gentil. No entorno da igreja, foram-se construíndo mansões, a maioria copiadas de modelos europeus. Acredita-se que Gérson trabalhou por encomenda e não há uma história pessoal de devoção religiosa. Contudo, passados mais de 70 anos não houve nenhuma iniciativa, privada ou pública, voltada para o seu restauro. Antes sequer essas pinturas eram reconhecidas pela Igreja, que a partir do Concílio do Vaticano II, chegou a vedar a cripta (a parte subterrânea do tempo, onde estão reunidas as peças). Pior: uma mão de cal encobriu parte da pintura.

O professor Gilmar de Carvalho diz não encontrar explicações sobre a negativa da Igreja sobre a existência dos murais. Ele lembra que a obra foi catalogada, em vista do acompanhamento do artista plástico Nilo Firmeza, o Estrigas, que encomendou fotografias ao fotógrafo Marcos Guilherme.
“Trata-se de uma obra valiosa, porque provém de um artista que conta com um acervo restrito, porém importante para situar historicamente a pintura cearense daquela época", afirma. Além disso, explica que o restauro é uma forma de permitir que se conheça  um pintor que deixou sua marca na arte cearense e que, fora daquela igreja, se torna mais difícil o conhecimento sobre o criador e a sua criação.
Gerson Faria possui um retrato pintado por Raimundo Cela, encontrando-se hoje no acervo do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc). Não teve projeção e talento à altura de Aldemir Martins ou Antônio Bandeira.  Na opinião de Gilmar de Carvalho, era um artista com muitas limitações e sem dispor de mais estudos, discussões e debates, que fariam com que evoluísse com novas manifestações. Ao contrário, teve no mural referências iconográficas estabelecidas pela Igreja Católica. "Ele não fez um Cristo jangadeiro ou vaqueiro, como poderia ousar. Desse modo, usou os mesmos parâmetros convencionais determinados pela Igreja", observa. Fora o conjunto que se encontra na Igreja dos Remédios, seus poucos quadros fazem parte de coleções particulares.
  O professor disse que o descobriu, primeiro sendo instingado pelo Estrigas e, segundo, pela curiosidade. Como trabalhava em local próximo (Gilmar é professor aposentado do curso de Comunicação Social, mantido pelo Centro de Humanidades e que fica perto da Igreja dos Remédios, com seus prédios localizados na Avenida da Universidade, no mesmo bairro), procurou conhecer o local, mas boa parte das representações estavam cobertas pela cal.  Ele disse que procurou os padres lazaristas e percebia o desinteresse pelo resgate "Somente algum tempo depois, um pároco mais sensível (padre Sílvio Mitoso) percebeu que havia necessidade de uma recuperação e, finalmente, deu acesso ao público", diz. Mesmo assim, sem financiamento, a expectativa é que o tempo se torne mais voraz para degradar o que ainda não se deteriorou totalmente. Com a recuperação da cripta, a ideia é de que esse espaço ficaria disponível para visitação das pessoas amantes das artes e, especialmente, dos apreciadores de arte de mural. Por enquanto, um sonho que não se transformou em realidade e a cada momento mais predestinado a fenecer irrealizado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Antônio Bandeira era o artista que não fazia quadros. Tentava fazer pintura.



Poucos artistas cearenses, ou mesmo brasileiros, foram tão celebrados no exterior quanto Antônio Bandeira. Tanto críticos franceses, quanto norte-mericanos e, sobretudo, os nacionais rasgaram elogios a uma arte que parecia assombrosa. De tão elogiado, passou-se muito tempo que alguém o questionasse. mesmo assim, de forma reticente, medrosa. Uma vez que se ia contra a maré.
Quem avalia os acertos e exageros na  exaltação a Bandeira é a doutora Maria de Fátima Morethy Couto. Ela diz que não é errado o deslumbramento do público e dos críticos na época em o pintor viveu. No entanto, ressalta que é preciso rever que parâmetros se tinham para se estabelecer a análise imparcial.
Claro, que Bandeira não foi apenas abstracionista. Mas essa fase lhe remete a  referência muito próxima a Pollock, pelo estilo da superposição de manchas de cor, respingos de tintas e pinceladas de tons variados.
Aos olhos dos críticos da sua época, tratava-se de "uma pintura de pequenas pinceladas; uma pintura de mil pontos
de fugas, de mil tetos, de mil cumes de árvores, uma pintura
do que você quiser escolher para seu devaneio. Bandeira, com
uma arte cuja delicadeza tem por parente longínquo (e de sangue
bastante diferente) a infinita minúcia de Paul Klee, sofre talvez
um pouco de ser apenas pintor a óleo e não aquarelista. O pintor
parece sempre lamentar alguma transparência que seu ofício não
pode lhe dar. Ele tampouco é suficientemente diversificado. Mas
a exposição é interessante". Afirma Pierre Descarges..
Antônio Bandeira nasceu no dia vinte e seis do mês de maio do ano de 1922, em Fortaleza e foi pintor e também desenhista brasileiro. Ajudou a fundar o “Centro Cultural Cearense de Belas-Artes” que anos depois passou a se chamar “Sociedade Cearense de Artes Plásticas” e foi esse foi o local de sua primeira exposição que aconteceu no ano de 1942. No ano de 1943, pintou a obra intitulada “Mulher de costas” e dois anos depois se mudou para a cidade do Rio de Janeiro.

No ano de 1945, Antônio Bandeira divulgou suas obras no Rio de Janeiro e com isso ganhou uma bolsa de estudos em Paris do governo da França e foi exatamente lá que ele se formou. No ano de 1950, o pintor resolve voltar ao Brasil onde fica por quatro anos e volta para a França. Nesses quatro anos que fica no Brasil fez duas exposições uma no ano de 1951, na “Associação Brasileira de Imprensa” e outra no “Museu de Arte Moderna de São Paulo” no ano de 1953. Suas primeiras obras foram paisagens, mas logo depois passou a pintar as formas abstratas. O pintor faleceu no dia seis do mês de outubro do ano de 1967, e deixou obras que marcaram muito na arte.
O crítico Frederico Morais escreveu a seu respeito: " (...) Acho definitiva, para a compreensão de sua obra, esta afirmação:´Nunca pinto quadros.Tento fazer pintura´. Quer dizer, o quadro não parece significar para ele uma realidade autônoma, uma estrutura que possui suas próprias leis, algo que se constrói com elementos específicos. A pintura é um estado de alma que ele extroverte aqui e ali, sem outro objetivo que o de comunicar um sentimento, uma emoção, uma lembrança. Enfim, é ´uma transposição de seres, coisas, momentos, gostos, olfatos que vou vivendo no presente, passado, no futuro´.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Pollock abandonou toda convenção temática para pintar ação

The Guardian of secret

Certa noite, Jacques Pollock recebeu um telefonema em seu apartamento em Nova York. Era um amigo em estado de depressão, que confessou querer suicidar-se. O pintor, comovido, disse que não tomasse nenhuma atitude até que viesse ao seu apartamento. Lá, beberam vinho e sobre uma imensa tela espalharam cacos de vidros das taças e passaram a caminhar, fazendo  desenhos com tinta e sangue. Ao final, o amigo foi dissuadido de por um fim à vida. Pouco tempo depois, o pintor morria num acidente de carro, com indícios de suicídio.
Pollock (1945-1956) não foi um pintor diferente, entre aqueles que viveram o descrédito e a consagração. Ao mesmo tempo em que a revista Life dava capa em 1949, indagando se seria o maior artista vivo dos Estados Unidos, hoje sua obra é questionável em diversos aspectos.
Os riscos e rabiscos, as tintas respingadas dos turbos e o aparente desconexo de cores e texturas chegam a dar impressão de que até uma criança é capaz de tal proeza. Para piorar a reputação na atualidade, acredita-se num complô da direita  para enaltecer artistas norte-americanos numa forma de neutralizar a arte engajada de esquerda que ganhava corpo em meados de 1940.
Pollock nasceu em Cody, no estado de Wyoming. Homem de personalidade volátil e tendo vários problemas com o alcoolismo, em 1945 ele casou-se com a pintora Lee Krasner. Sua vida pessoal, foi tão impactante quanto seus quadros, classificados no abstracionismo expressionista, inspirou o filme Contos de Nova York, na primeira parte intitulada Lições de Vida, dirigido por Martin Scorsese (1989) e biografia explícita em Pollock, dirigido e interpretado por Ed Harris, em 2000. Em ambas as películas havia menções à degradação e a instabilidade emocional.
O pintor desenvolveu uma técnica de pintura, criada por Max Ernst, o 'dripping' (gotejamento), na qual respingava a tinta sobre suas imensas telas; os pingos escorriam formando traços harmoniosos e pareciam entrelaçar-se na superfície da tela.  Pintava com a tela colocada no chão para sentir-se dentro do quadro.
Embora a obra seja associada a uma obra infantil, muitos artistas que tentaram lhe copiar o estilo estiveram muito distante do êxito. Afinal, o artista norte-americano era coerente e consequente. Tal como dissuadiu o amigo a não se matar, ele até o fim abandonou todas as convenções para pintar a ação.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O nu que escandalizou Paris em almoço na relva de Monet



Não foi à toa que Le déjeuner sur l'herbe (O piquinique) tenha sido rejeitado no Salão de 1866, onde se tornou a atração principal, gerando tanto riso e escândalo. Afinal, quem poderia entender a inadequação de uma modelo nua em meio a pessoas sobriamente compostas? A presença de uma mulher despida entre os homens vestidos não se justificava nem por precedentes mitológicos nem alegórico, como afirmou um crítico da época.
Pior: tratava-se de uma prostituta. Assim, Monet trilhava caminhos parecidos de Toulouse Lautrec, em enaltecer figuras do bas-fond. Por mais que a sociedade francesa e, toda a Europa, fosse àquela época mais tolerante com a prostituição o quadro não deixava de ser obsceno aos olhos do público.
Mais tarde, tentou se reconciliar com o mesmo tema numa tela maior, que se ficou inacabada. No óleo posterior há os personagens masculinos vestidos, mas sem a protagonista da discórdia.
Monet, à exemplo de Renoir e Sisley foram os mais fiéis à escola impressionista, com as pinturas ao ar livre. Ao mesmo tempo que mantinha as diretrizes conservadoras, rompia com os paradigmas das temáticas, convenções e uso de cores. Muito provavelmente por todo esse conjunto tenha sido apontado como o ponto de partida para a Arte Moderna.

domingo, 27 de novembro de 2011

Amor, sexo e sensualidade que se imortalizaram em Galathea



Conta-se que a ilha de Chipre era renomada por cortesãs. Isso incomodava o escultor Pigmaleão, que não permitindo a desfaçatez das mulheres, tornou-se um celibatário. No entanto, sua imaginação vivia permeada pela imagem da fêmea ideal. Daí que encomendou uma peça de marfim para esculpir a mulher de seus sonhos, representando a união da castidade de expressão, a beleza pudica e a pureza das formas.
Quando a obra ficou concluída, viu que faltava vida aquela escultura e pediu a Vênus para que se tornasse o marido da mulher perfeita, como a estátua que havia esculpido.
Vênus desconhecia em Chipre alguma mulher que fosse detentora dessas qualidades e para lhe ser agradável preferiu recorrer ao milagre. Deu vida a estátua, que recebeu o nome de Galathea (nome que não é encontrado nos escritos antigos. A transformação da estátua em vida se imortalizou na pintura, no óleo de Girondet, pintado em 1819. A obra chegou a ser ridicularizada, sendo consultados médicos se havia razão do artista ter primeiro animado a cabeça, se as pernas continuam ainda de marfim. Também se questionava se não deveria ter começado a vida pelo peito, onde vida se encerra no coração e no pulmão.
Não obstante as discussões, o quadro não somente ostenta o Museu do Louvre, como é a grande referência do amor, sexo e sensualidade. Outras obras derivaram do mito grego, como a versão moderna da lenda, através da peça de George Bernard Shaw, Pigmalião, ou My Fair Lady.

domingo, 20 de novembro de 2011

Sensualidade vencia a tristeza e a dependência química nos quadros de Rossetti


A modelo é Jane, do quadro O Devaneio (1880), mulher do artista plástico William Morris, pintada por Dante Gabriel Rossetti (1828-1882), integrante do Grupo Pré-Rafaelita. O artista nasceu de uma familia de artistas e versátil. Era também poeta e sua arte, a exemplo de outros artistas do movimento, forma uma mistura de representações pictóricas com referências em obras literárias.
Rossetti foi casado com Elisabeth Siddal, sua modelo em Ofélia (inspirada na peça de Shakespeare). Antes, porém, já havia se especializado em retratar donzelas de estonteante beleza, sempre atento a detalhes. Elisabeth, uma jovem neurótica e viciada em drogas, morreu dois anos após o casamento, deixando o artista arrasado. Logo depois tentaria o suicídio, mergulhando nas bebidas e também nas drogas.
No quadro, nota-se uma disciplicência da mulher com relação ao livro e às flores. Ninguém sabe a origem de seu devaneio, mas entende que o pintor se esmera num ideal feminino, na plena beleza. O verde predomina a cena, mas se distribui em matizes das folhas e na cor do vestido. Há uma atmosfera de sensualidade, a mesma que sempre inspirou seus óleos.
A perda do vigor sexual e a depressão tiveram, no passado, grande influência na vida da pessoas e, especificamente aqui, na vida dos artistas. T.S Eliot demonstrou seu desespero e a impotência sexual em seus poemas como Terra Devastada. Viveu tempos de tristeza infinita. Somente encontrou alegria aos 68 anos, quando se casou com sua secretária de 32. Picasso recorreu a degradar os rostos pintados de ex-amantes.
Foram poucos aqueles que, sem os remédios encontrados hoje, puderam superar com o amor a depressão e a impotência. Sartre, já cego, morreu deprimido, apesar de ter esnobado um Nobel de Literatura, e ter a vida cercado de mulheres. Hoje, esses tormentos seriam combatidos com a química.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Picasso pintava o repulsivo que se enternizava nas nossas mentes


A família de Saltimbancos (1905), de Pablo Ruiz Picasso (1881-1973), representada no quadro acima é um dos mais ilustrativos da fase rosa do artista espanhol. O pintor viveu muitos anos na pobreza e quando migrou para a França, teve seus primeiros quadros classificados na fase azul. Rosa ou azul, Picasso pintava a tristeza, a degradação humana, uma hora com muito ressentimento, a exemplo do que fazia com suas ex-mulheres, em outros momentos as circunstâncias de vivências pessoais.
O quadro mostra a depressão de artistas de circo: são cinco acrobatas que se revelam em posturas de constrangimento e uma atmosfera sombria. Na inversão da alegria circernse, há uma expressa emoção de tristeza. Mostrar o artista do circo da forma mais melancólico é recorrente na obra de arte. Chaplin nos apresenta o palhaço decadente em Luzes da Ribalta, cujo número mais engraçado é o do domador de pulgas.
A ópera de Leoncavallo, Pagliacci (Palhaços), tem uma ária chamada "Vesti la giubba", com o trágico "Ridi Pagliacci", em que o bufão que deve rir e fazer os outros rirem mesmo com o coração partido.
Picasso não foi excessão em mostrar a depressão após a euforia do encantamento do circo. Mas chegou a ser repetitivo na forma como tratou e destratou os rostos humanos. A mulher que chora, retrato de sua ex-mulher Dora Maar, é reconhecidamente uma forma de mutilar o modelo, num rompante de ressentimento.
Picaso morreu rico e reconhecido como artista importante, talvez o maior do século XX, tornando-se nome de envergadura do surrealismo e, sobretudo, do cubismo. Há uma compreensão de que a transição de um status social tem um custo e sua arte por muitas vezes foi posta em dúvida pelo valor que apresentava. No entanto, o encanto está na contradição. Nunca deixará de ser horrendo o mundo que pintava. Nunca deixará de ser repulsivo. No entanto, não há como tirá-lo da nossa cabeça.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cassat pinta cenas domésticas sem sentimentalismos


Mary Cassatt Stevenson (1844 -1926) foi um pintora americana e gravurista. Ela viveu boa parte de sua vida adulta na França, onde fez amizade com artistas impressionistas, sobretudo. Edgar Degas


Sua pintura se baseia em cenas do cotidiano, destacando o tema "mãe e filho", pintado no final da década de 1870. Para o crítico Joris-Karl Huysmans, não tinha o sentimentalismo que tão frequentemente afetava não somente os pintores ingleses como a própria temática escolhida.
Ele considerava o caráter vivaz e charmoso dado às crianças, que aparecem em várias telas, tais como Mãe Banhando Filho, Passeio de Barco, Após o banho, etc.
Cassatt nasceu em Allegheny City, Pennsilvania. Ela nasceu em circunstâncias favoráveis: o pai dela, Robert Simpson Cassat (mais tarde Cassatt), era um corretor de ações bem sucedidas e especulador de terras, e sua mãe, Katherine Kelso Johnston, veio de uma família de banqueiros. Cassatt era um primo distante do artista Robert Henri.Cassatt foi um dos sete filhos, dois dos quais morreram na infância. Sua família mudou-se para o leste, primeiro a Lancaster, Pennsilvania, em seguida, para a área de Filadélfia, onde começou a escolarização aos seis anos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Van Eyck empresta sua arte como campanha de propaganda dos poderosos

Chanceler Rolin


Por centenas de anos, não somente a Igreja Católica assim como todos os poderosos  precisaram da arte em suas campanhas de propaganda ou na autopromoção. A junção do poder político e clerical pode ser verirficado no quadro O Chanceler Nicolas Rolin, de van Eyck. Elaborado no período gótico, do século XV, o quadro é exemplar ainda das mudanças passadas pela Igreja e pela aristrocracia no aproveitamento dos temas para as obras de arte. Assim como a política da Igreja ia sofrendo mudanças, também variava o trabalho dos artistas.  O Deus autoritário e cruel da Idade Média depois deu lugar a uma a imagem mais humana, quando a Igreja manifestou a necessidade de atrair grandes massas de população, antes da crise de Reforma, levando  a tipos de atitudes sentimental e terna, como as virgens
O quadro mostra o Chanceler Nicolas Rolin (1376-1462), ajoelhado, de perfil, numa mesa almofadada. Tem os olhos fixos na Virgem sentada á sua frente, com o menino nu no regaço, que faz menção de abençoar Rolin. Cada detalhe da pintura, possui uma alusão espiritual, como a expulsão do Paraíso, Caim e Abel e a embriaguês de Noé.
Van Eyck foi um dos pintores dos Paises Baixos a manter a técnica do óleo sobre tela. O quadro data  de 1435 e está em exibição no Musée du Louvre, Paris. A cena retrata a Virgem coroada por um anjo pairando enquanto ela apresenta o Menino Jesus para Rolin. Ele é definido dentro de um espaçoso alpendre de estilo italiano com uma rica decoração de colunas e baixos-relevos. No fundo há uma paisagem com uma cidade e um rio.
O que mais chama a atenção no quadro é a diversidade de temas e evocações. A auteridade do clérico se apresenta humilde e com rugas expostas que explicitamente lhe deixam envelhecido. O menino Jesus surge lhe abençoando. A paisagem, onde a história faz relato de conflitos sangrentos envolvendo a Igreja e o Poder Político, é amenizado por um hipótetico lugar permeado pela harmonia.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Paula Repira apresenta exposição Carnaúba Estrelar

Prossegue até 26 de outubro deste ano, a exposição  "A Carnaúba Estrelar", da pintora argentina Paula Respira. O evento acontece no  Espaço Alma Gêmea no Centro Cultural Dragão do Mar.  A mostra consiste de telas acrílicas, da mulher mística que também se autodenomina  "Paula de Deus", Artista Planetaria Cearense, nascida na comunidade de Sanflord na Argentina.
Cada pintura se presenta como uma simples profecia nordestina, conforme afirma, facilitando a paz na cromoterapía de azuis em clave baixa e alta, de tonalidades leves, com poucos contrastes de valores e tintas.
Paula de Deus mistura o passado e o presente do Ceará, como uma visionária penentrando a Terra da Luz através da arte , em especial a Musike (conceito na visão grega) em Hinos do Planeta.
 Na exposição do espaço do empressario Uli Gruter, também se pode contemplar a intervenção de um circulo "Chama Violeta" que atrai estrelas cotidianas do lar urbano: seres criativos em expansão.
"Ser Artista não é utopia, não é sonho, é realidade popular neste Estado iluminado", afirma a pintora.
 A Mostra faz refletir sobre a diversidade espiritual do Brasil, e propõe a popularidade das belas artes, dando espaço à consência de análises e criação e arte sem drogas: "Criatividade Verdadeira e Natural".
Para contatos
paularespira@hotmail.com
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domingo, 18 de setembro de 2011

Antonello pintou o olhar que parecia se deslocar e permanentemente observando


Il Condottiere (o chefe mercenário) foi comparado por Nicolau de Cusa, com "o olhar místico de Deus". Sobre um fundo neutro e uma expressão nobre, destaca-se o olhar que parece fixar no expectador e mover-se, numa persuasão de que tudo vê.
É muito provável que o modelo se identificava com os usurpadores e arrivistas da época. O retrato era uma forma de projeção social, num tempo em que o capitalismo já se expandia e havia uma competição tácita entre os poderosos.
O quadro foi adquirido por Napoleão III, em 1865,  por uma quantia elevada, atingindo 113.500 francos, o que somente revelava o grau de estima dado ao pintor italiano no século XIX.  Hoje, a obra se encontra no Museu do Louvre, em Paris.
Antonello de Messina (1430-1479) nasceu na cidade de Messina e é considerado o primeiro artista importante do Sul da Itália.
Para os estudiosos da pintura da Renascença, Antonello transmitia uma arte desconcertante, quer pela emissão da luz interior, quer pelos rostos que afetam sobremaneira, como é o caso de Il  Condottiere.
Suas principais obras do período em que trabalhou em Messina (1457-1474) foram o Salvator Mundi (1465), o Político (1473), a Anunciação (1473), considerada o apogeu de sua criação artística, Retrato de Homem Jovem (1474) e Ecce Homo (1474). Nos dois anos seguintes (1475-1476) residiu em Veneza, onde se sobressaíram Il Condottiere (1475), Crucificação (1475), Retábulo de São Cassiano (1476), Cristo morto sustentado por um anjo (1478) e o São Sebastião (1476-1477).

sábado, 10 de setembro de 2011

Dagmar de Zorn é a lógica da beleza e do prazer infinito



Ricardo Noblat, Martins Fontes... todos disseram a mesma coisa: "Como uma ninfa vendo seu reflexo na superfície encrespada de um lago, esta moça nua está sentada à beira da água absorvida em seus pensamentos. Sua pele rosada é ecoada pelos suaves matizes das rochas e do verdor da natureza à sua volta.  Embora a figura não seja erótica, seu corpo voluptuoso atrai o olhar do espectador, e em sua pose há  algo de inocentemente sensual."
Obra do artista Sueco Anders Zorn (1860-1920). Em Dagmar (de 1911), apesar de seu apelativo desenho do nu, considero que mais importante é o uso dos materiais e das percepções pelo autor.  Cores, com a intensidade do verde ao fundo, e o aparente silêncio e quase total imobilidade do modelo (embora todo quadro seja imóvel) sugerem um prazer infinito pela harmonia.
Nesse caso, a pintura não é mera arte decorativa. Ela se projeta para a satisfação de demanda interior pelo belo. O primeiro assunto não é a nudez e nem tampouco a natureza. Mas, no meu entender, a capacidade de estar só, de viver a unidade natural, de perceber a pintura pela pintura. E ainda que me seja permitido mais citações, lembro "Tristan Klingsor: "A razão de um quadro não é a razão da lógica: é a razão da beleza"
O pintor também enveredou pela gravura e escultura, tendo viajado pela Europa e Estados Unidos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Prossegue exposição de artistas cearenses no Mauc


Quadro de Aldemir Martins



Está aberta ao público, no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, mostra de pintura,  xilogravura e cerâmica de artistas cearenses. Dentro das atividades, foram prestadas homenagens para fundadores e pioneiros, que ajudaram a construir uma história de 50 anos preservando e difundindo a arte cearense e nordestina. Ao todo, foram lembrados 17 pintores, como Estrigas, Nice Firmeza, Sérgio Lima, Sérvulo Esmeraldo, Descartes Gadelha, Heloisa Juaçaba e Nearco Araujo. 

Outros dez artistas plásticos recebem homenagens in memoriam: Aldemir Martins, Antonio Bandeira, Barrica, Floriano Teixeira, Chico da Silva, Barbosa Leite, José Fernandes, J. Figueiredo, Jean Pierre Chabloz e Zenon Barreto. O evento é aberto a toda a comunidade e faz parte das comemorações dos 50 anos do MAUC, que fica na Avenida da Universidade, nº 2854 - Campus do Benfica.

A exposição comemorativa dos 50 anos do Museu prossegue aberta até 11 de novembro. A mostra traça a trajetória do MAUC desde a fase pré-museu, de 1957 a 1960, passando pela evolução do acervo, a formação das coleções e mudanças na estrutura física do prédio. Na formação do Museu, o primeiro lote de trabalhos adquiridos foi o de arte popular do Ceará – xilogravuras e peças em barro e madeira –, por volta de 1958.  

Fonte: Prof. Pedro Eymar, Diretor do MAUC - (fone: 85 3366 7481 / 3366 7482)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Pinturas imortalizam patrimônio sacro

O artista foi contemplado no VII Edital Prêmio de Incentivo às Artes, em 2010, da Secult
Silvaânia Claudino
Independência. Hoje, neste Município, 12 comunidades católicas rurais receberão telas pintadas com as imagens de seus padroeiros. A solenidade de doação acontecerá às 9h no Salão Paroquial, onde até ontem as telas "gigantes" dos santos Antônio, Pedro, João e Nossa Senhora da Conceição, de Fátima, do Rosário e do Perpétuo Socorro estiveram disponíveis para visitação pública na Exposição "Pintando e Celebrando o Sagrado". O trabalho realizado pelo artista plástico Rogerlando Gomes Cavalcante, natural deste Município, foi contemplado no VII Edital Prêmio de Incentivo às Artes 2010, da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), no segmento Artes Visuais (Prêmio Antônio Bandeira). As telas serão utilizadas pelas comunidades no período de realização dos festejos em homenagem aos padroeiros.

A Exposição consiste na pintura de 12 telas de temática sacra para capelas de padroeiros de localidades do Município e chamam a atenção pelo tamanho e colorido. São enormes painéis que medem 2,5 metros de altura de cores fortes e vivas. Nos três dias em que estiveram expostas no Salão Paroquial foram vistas por alunos das Escolas do Município e populares.

Outra marca da obra é a busca da originalidade. Cada tela exibe o padroeiro da forma que está no altar nas capelas, e em segundo plano a frente das próprias capelas. O autor ressalta que fez questão de preservar as características das imagens e das capelas de cada localidade. "Procurei respeitar as imagens e a ideia é que o desenho que está fora, no caso a imagem, reflita o que há dentro das capelas", frisa. Ele explica que a capela tem a função identificadora do local. "Funciona como cena externa, localizadora e identificadora do lugar que se refere o santo ou santa. São imagens simples, o padroeiro e sua capela, mas de extremo significado religioso, social, geográfico e cultural", analisa o artista plástico.

Mão de obra

Segundo o autor, desde o início do ano trabalha no desenho e pintura dos painéis, que demandaram muito tempo e esforço, superando, inclusive, o tempo previsto para o término de todas as telas. Iniciou com os levantamentos dos dados nas localidades e fotografias, para o qual contou com a colaboração da Paróquia local. Depois partiu para os desenhos e pinturas. Ele pretendia concluir o trabalho e expor no mês passado por ocasião dos festejos da padroeira do Município, Nossa Senhora Santana, cujo painel principal é pintado por ele anualmente. "Não foi possível em função do tamanho das telas, que demandaram muito tempo e trabalho da minha parte".

Uma curiosidade comum a todos que veem as obras é sobre a execução do trabalho. Ele explica que improvisou em sua residência um ateliê composto por carretéis e barbantes presos ao telhado e com o auxílio de duas pessoas nessa estrutura foi desenhando e pintando as telas. Ressalta que apesar do esforço e das noites em claro pintando as telas, foi prazeroso e nada cansativo. "Faz parte de mim, da minha própria existência me envolver no trabalho, desenhar, pintar e ver concluído, então não canso", afirma.

Criatividade

Ao contrário do apelido pelo qual é conhecido por todos na cidade, "O Pequeno", a capacidade criativa e produtiva do autor é grande e reconhecida no meio cultural. Ele é dinâmico e ao tempo em que executava as telas sacras, também escrevia um livro "Equinócio de Primavera", que lançará no próximo dia 9, na Bienal do Livro, no Rio de Janeiro. E no primeiro semestre deste ano lançou "A Máquina do Mundo". É também desenhista, quadrilhista e ensaísta.

Para Cacilda Sales, diretora de Cultura do Município e presidente da Fundação Senhor Pires, o trabalho tem forte ligação com o povo e fundamental importância para o Município. "É um trabalho excelente, ligado à cultura popular. Através da arte desse artista plural, Independência se torna conhecida".

MAIS INFORMAÇÕES:
Salão Paroquial
Rua Senhor Pires, 228
Município de Independência (CE)
www.rogerlando.com

Silvania Claudino
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste

domingo, 14 de agosto de 2011

Mostra enfoca o mundo restrito a quatro paredes e uma janela no centro

Georg Friedrich Kersting (Mulher Bordando)

O  que é a vida senão um mundo entre quatro paredes? Quer seja o mundo da riqueza ou da pobreza. Essa extrema intimidade e motivo de solidão e isolamento é o leitmotiv da exposição "O Mundo da Arte sobre quartos com vista no século 19", no Metropolitan Museum, em Nova York.
 "Quartos com uma vista", com curadoria de Sabine Rewald, apresentam pinturas e desenhos de 42 artistas europeus  que enfocaram esses espaços interiores tendo janelas como centro.
A revista New Yorker apresenta os mais ilustres trabalhos, dentre alguns que não foram considerados muito bons. Entre os melhores inclui os de  Caspar David Friedrich. Além de dois de seus desenhos, faz parte da exposição a sua pintura "Mulher na Janela". 
Uma referência a um artista pouco conhecido é Georg Friedrich Kersting, com a pintura acima "Mulher Bordando". Amigo e influenciado por Casper, Kersting optou pela técnica de não fazer rostos de frente (ainda que refletido no espelho), mas nem assim deixa de lado a individualidade da mulher retratada, de modo que, mesmo com as diferenças de séculos e a mudança de estilos, esteja fortemente presente no nosso espírito.
Kersting veio de uma família grande e pobre de Güstrow, na Alemanha. Filho de vidraceiro, encerrou a vida já casado, pai de quatro filhos e  artista-chefe da fabricante de porcelana em Meissen Biedermeier. Uma homenagem tardia, mas oportuna quando se reúne aves raras da arte.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Desejo e horror na Vênus Adormecida de Paul Devaux

Paul Delvaux Venus Adormecida 1944
O trabalho do artista belga Paul Delvaux (1897-1994), combinando perfeição clássica com uma atmosfera erótica e preocupante, nos passa um sentimento de vertigem. Vênus encontra-se deitada, enquanto é vigiada por uma manequim, numa noite enluarada. A sensualidade de Vênus Adormecida está definida contra o seu cenário noturno opressivo, observou Martins Fontes. Delvaux explicou mais tarde que a tela foi pintada em Bruxelas, durante a ocupação alemã durante a guerra e, enquanto a cidade estava sendo bombardeada. "A psicologia daquele momento foi muito excepcional, cheia de drama e angústia", lembrou. "Eu queria expressar esta angústia na imagem, em contraste com a calma da Vênus '. 
Paul Delvaux em "Vênus Adormecida", nos mostra, em ambiente de classicismo grego, a primitividade da mulher que está nua, e o  cerimonioso, daquela  que aponta a caveira ao lado daquela. O significado analítico seria o de destacar como o prazer sexual deve estar ligado à morte. Eros e Thanatos são representados no confronto entre o instinto da vida e o instinto da destruição, que como lembrou Freud "nessa luta consiste essencialmente toda a vida e, portanto, a evolução da civilização pode ser simplesmente descrita como a luta da espécie humana pela vida". O sentimento perturbador do quadro parece residir na beleza da jovem e no horror que há no seu entorno. Devaux era conhecido no meio artístico ainda pelo primor de construções meticulosamente retratadas. Ganhou maior projeção após a segunda Guerra Mundial, por ocasião do apogeu do surrealismo. Um pintor tardiamente surrealista, depois de ter tentado o Impressionismo e o Expressionismo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Belo e elegante, Dürer polemiza na suposta imitação de Cristo


Albrecht Dürer (1471-1528) jamais causa indiferença para quem observa esse seu auto-retrato. De imediato, se percebe uma semelhança das imagens medievais do Cristo idealizado. Isso porque traduz  todo um estudo na observação, no pormenor, na altivez, o olhar piedoso... enfim,  não há como não associar a uma imitação de Cristo. Não há como manter o desdém para uma postura elegante e bela.
Para os estudiosos da obra de Dürer, há uma orgulhosa consciência que o pintor possui em torno desse retrato. O cabelo elegantemente ondulado assemelha-se a uma cascata até o seu ombro. Há uma dificuldade de se explicar o significado da posição dos dedos na mão direita, mas certamente pode ser um gesto banal como de prender o casaco de couro, ou algo transcendental, como assim se expressavam as mãos nos quadros de meados do século XV, denotando gestos reflexivos.
Dürer pintou vários auto-retratos, tema pouco comum na sua época e que pode ser visto como prestígio do artista na sociedade em que vivia. Gravador, antes de ser pintor, matemático e humanista, estudou todos os fenômenos e cultivou todas as ciências. Homem universal como Leonardo da Vinci, a sua preocupação de perfeição técnica alia-se ao gosto do fantástico e do misterioso. É considerado como o grande pintor alemão que pode ser comparado aos grandes mestres italianos da Renascença. Deixou obras emblemáticas, como o o Auto-retrato com casaco de peles (1500) e uma série de quadros com inspiração religiosa como Natividade (Munique), Adoração dos Magos (1498), Adoração da Santíssima Trindade (1511, Viena).