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| Pablo Neruda (imagem da internet) |
Pablo Neruda escreveu:
Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho...São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que lhe obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregado de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada... (Confesso que vivi, p.57-8)


A revista O Cruzeiro e o Jornal do Brasil deram grande impulso ao fotojornalismo brasileiro ao destinar um espaço destacado nas reportagens para as fotografias, até então usadas como acessórios do texto. Entre os principais nomes desse período estão Jean Manzon, Luiz Carlos Barreto, Indalécio Wanderley, Ed Keffel,, José Medeiros, Peter Scheier, Flávio Damm e Marcel Gautherot e o cearense Luciano Carneiro, que se notabilizou como jornalista internacional, cobrindo guerras e eventos importantes, como a recuperação dos registros da Guerra de Canudos. Nessa sua última cobertura, ele estava em casa, na véspera de um plantão de final de semana. Há quem diga que os fotógrafos daquele tempo (só daquele tempo?) ficavam apreeensivos com ligações em plantões, pois sempre havia a possibilidade de uma que diminuia a autoestima de um profissional de seu nível: fazer o factual, mostando corpos semi-nus na areia da praia de Copabacana. Ao contrário disso, a ligação falava sobre a festa de debutantes, a primeira a acontecer em Brasília desde a sua inauguração. A revista Cruzeiro documento esse último trabalho:

