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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Resultado do II Edital de Ocupação da Galeria Antônio Bandeira

Galeria Antônio Bandeira by EspaçoCE de Arte e Cultura
Galeria Antônio Bandeira, a photo by EspaçoCE de Arte e Cultura on Flickr
A Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), concluiu a seleção dos projetos que irão fazer parte do calendário de exposições da Galeria Antônio Bandeira no segundo semestre de 2011. 
Os projetos selecionados foram: 
1. Projeto "Na avenida" - Francisco Antônio Oliveira Gomes
2. Projeto " Painel da Fotografia Cearense Contemporânea" - Patrícia Raquel Machado Veloso
3. Projeto "Xilogravura de João Pedro do Juazeiro" - João Pedro de Carvalho Neto;
4. Projeto "Estação Rádio Arte" - Alexandre de Albuquerque Mourão.

Os projetos apresentados pelos candidatos inscritos no II Edital de Ocupação da Galeria Antônio Bandeira foram examinados e selecionados por uma Comissão de Seleção formada por três membros indicados pela Secultfor dentro do seu quadro de técnicos na área das Artes Visuais e áreas afins.

Os projetos não selecionados estarão à disposição dos artistas a partir de 21 de julho, na Secultfor (Rua Pereira Filgueiras, 4 – Centro), no Setor de Inscrições, e deverão ser retirados, impreterivelmente, até o dia 21 de agosto.

Os selecionados ganharão um prêmio no valor de R$ 1 mil (descontados os devidos impostos), coquetel de abertura, plotagem de um texto de curadoria e título do projeto no espaço expositivo.

O objetivo do II Edital de Ocupação da Galeria Antônio Bandeira é democratizar o acesso aos recursos e equipamentos públicos municipais, estimulando a produção artística na cidade. Parte da política da Prefeitura de Fortaleza para as artes visuais, a ação também cumpre o papel cultural de aproximar a arte da população, franqueando o acesso à produção artística e sugerindo um diálogo maior entre arte e público.

:: SERVIÇO

Secultfor: Rua Pereira Filgueiras, 4 – Centro.
Galeria Antônio Bandeira (Rua Conde D’eu, 560, Centro - Fortaleza-CE. CEP: 60.055.070).Informações: 3105.1403

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cuca realiza concurso de vídeos sobre a prática BMX

Maestro Bmx



O Cuca Che Guevara promove o 1º Racha de vídeos de BMX, esporte radical praticado com bicicletas especiais. O Racha é uma competição de conteúdos em audiovisual direcionada a atletas e editores de vídeos que se interessam pela temática do BMX. A ideia do concurso é incentivar a participação de jovens interessados em discutir e ampliar os conhecimentos sobre a prática esportiva, além de debater as diversas formas de organização da juventude através do BMX. 

Podem participar jovens de 15 a 29 anos que pertencem ou não a grupos e coletivos e queiram produzir vídeos de até 2 minutos e 20 segundos sobre o esporte radical. Os equipamentos de filmagem podem ser câmeras semi-profissionais, celulares e máquinas fotográficas. Não serão aceitos materiais realizados por produtoras, com técnicos e equipamentos de audiovisual, e profissionais especializados na área de audiovisual. O concurso pretende promover a participação de jovens que estão iniciando as atividades nesta área ou não têm apoio financeiro para produzir independente.

Os vídeos devem ser enviados até hoje (22), como também a abertura e a Mostra dos vídeos acontecem na mesma data, às 15h, no Cineteatro do Cuca Che Guevara. A ação é uma realização do Núcleo de Protagonismo Juvenil do Cuca.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Quando a poesia, a filosofia, a pintura encontram corações e mentes estéreis



Life returns
BB, de 43 anos, matou um traficante de drogas em Canoa Quebrada. Passou pouco tempo preso, hoje está em liberdade. Assim como o filósofo francês Louis Althusser, que estrangulou sua mulher Hélène Rytman, sendo esse muito mais lembrado pelo surto psicótico do que pelo seu pensamento, BB é praticamente desconhecido "do grande público", pelos seus quadros, talhas e esculturas com o ferro. 
Caminhando pela Praça do BNB, ele me lembra que não fazia muito tempo que a segurança do Centro Cultural o expulsou do lobby. Não havia ressentimento. Mudando rapidamente de conversa, contou que se transformou "num cafetão de responsa", isso aos gritos e provocando risadas em mulheres que passavam pelo local. Estava empolgado e feliz com sua nova namorada, G, de 21 anos, prostituta.
- Ela chegou em casa com R$ 200. Disse que R$ 100 eram meus. Aí eu falei, gata, e o dinheiro que a gente ficou de juntar para o bar? Ela disse que estava pensando em guardar também uma grana para comprar sua casa.
Houve uma discussão.Não consigo imaginar quanta violência foi desprendida, e a moça saltou a janela do apartamento, que fica no terceiro andar. Quebrou o pé, e ele como para-médico autodidata, se deu ao trabalho de fazer o suporte de gesso. Ele me mostrou a fotografia da jovem feita pelo aparelho celular. Ela é  linda, filha de um paraguaio com uma sacoleira cearense. 
BB revê um padre andando pela praça, que o faz lembrar de uma briga, porque esse lhe negou um cigarro charm. Presume estar á caça de um michê. Depois conta que foi expulso de uma reunião de ex-alunos do Colégio Militar e aí parece ser interminável a lista de seus desafetos.
BB me fez lembrar hoje a dificuldade de entender a juventude  no começo do Século XX nos Estados Unidos.  "Jovens que nascem nessa terra dura e tornam-se tão duros quanto ela, insistindo com uma persistência implacável na área de jornalismo, na poesia, no teatro- no entanto, como que fadados à esterilidade para sempre". Assim descreve Edmond Wilson, ao falar do Oeste norte-americano em suas memórias dos Anos 20. Lembrei dessa passagem, porque ás vezes me entristece a palavra esterilidade, quando ela se relaciona à filosofia, à poesia, os bons modos e à gentileza.
Duramente, não há como fazer com que essas coisas do espírito consigam penetrar mentes e corações, assim como a chuva escorre pela pedra. Assim como os gritos de BB são audíveis apenas por alguns metros quadrados. Podemos até compreender o fato de que por ser uma terra de tão poucas oportunidades, temos que tomar atitudes mais pragmáticas, menos românticas e até mais severas, beirando uma violência que atinge o outro e a nós mesmo.
Será que a aridez de nossa região nos deixa ainda mais impermeáveis ao espírito? Vejo nossos pintores, escritores, meus colegas jornalistas, não é menos árdua a luta pela sobrevivência e a vontade de impor novos rumos intelectuais. Muitos sofrem. Outros desistem e alguns, como BB, gritam.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Arte pulsa visionária e veemente das mãos de Arthur Bispo do Rosário


O fotógrafo Antonio Duarte havia me advertido. Não é o tempo que destrói nossa memória. Essa se dissipa pelo excesso de informações. Com essa desculpa (esfarrapada?) não posso atribuir a autoria da frase de que há loucos geniais, mas seria louco acreditar que tudo um louco produz é genial. Van Gogh era um louco genial. Arthur Bispo do Rosário (1909-1989) também. Ele  viveu durante 50 anos no hospital psiquiátrico Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. 
Entre 1939 e 1989, esteve internado com diagnóstico de esquizofrenia e paranoia. Começou a produzir durante os ateliês de arte destinados à terapia dos internos. Arthur Bispo não gostava de fazer as refeições junto com os outros pacientes e não ia ao refeitório. Pegava a bandeja, ou alguém a levava para ele, e ia para bem longe. 
Sempre ficava atento a colheres, utensílios perdidos por outros pacientes e daí surgiam de suas mãos obras que se aproximavam da pop art, que, a partir de 1959, ganhava força com o movimento contrário a arte não figurativa. Nos Estados Unidos, artistas surgiam com representações trazendo estrelas de cinema, garrafas de refrigerantes, dentre outros, numa forma em que dava a aparência de vulgarização do surrealismo. Arthur Bispo, com esculturas e instalações realizadas a partir de sucatas e lixo,  foi redescoberto pelo crítico Frederico Morais na década de 80, e, então, se passou a fazer comparações com os trabalhos do artista Marcel Duchamp  (Fonte, 1917).
Arthur Bispo viveu no contexto da tentativa de humanização dos hospícios. O aproveitamento da sublimação e das percepções desordenadas foram muito bem trabalhadas pela psicanalista jungiana Nise da Silveira, que tanto valorizou a arte como teve a sensibilidade de introduzir animais domésticos (cachorros e gatos) na convivência com os pacientes. Contemporânea das terapias do eletrochoque e da lobotomia, implantou nos manicômios formas de tratamento que não apenas ofereciam outro meios de ocupação para os doentes, como propiciavam a vasão de gênios, os quais iriam constituir o Museu do Inconsciente.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Edith Piaf empresta sua alma em Non...je ne regrette rien



Rien de rien (Je ne regrette rien)
Edith Piaf

Composição: Michel Vaucaire / Charles Dumont
Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!
Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié,
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n'ai plus besoin d'eux!
Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro...
Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!
Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!

sábado, 16 de julho de 2011

Diários de Evelyn Waugh são sua melhor obra




5 DE OUTUBRO
Do diário de Evelyn Waugh, em agosto de 1943: "Não quero influenciar opiniões ou acontecimentos, denunciar farsas e nem nada do tipo. Não quero ser útil a nada ou a ninguém. Quero apenas fazer o meu trabalho de artista". Colocando "escritor" no lugar de "artista", E. W. exprime os meus sentimentos com exatidão. Preciso expulsar do meu ombro o censor do que eu-devia-estar-dizendo e, em vez disso, prestar atenção ao que eu-sinto-de-verdade, por mais que isso possa prejudicar minha reputação. Minha persona e eu nunca combinamos totalmente. O resultado é que nos afastamos e perdi contato comigo mesmo, além da autoconfiança. (E. W. sempre teve o catolicismo como uma bússola interna, que respondia apenas a Deus. Eu precisei me nortear pelo socialismo, que, de maneira infeliz, mas inevitável, nos envolve numa abordagem menos pessoal e mais objetiva da literatura - e nos faz suspeitar de qualquer coisa idiossincrática demais. A frivolidade ocasional é permitida às pessoas religiosas, e nunca aos socialistas.)




(Trecho do Diário de Kennety Tynan, publicado na revista Piauí)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Kennety Tynan, os últimos anos de um critico inglês


1979

NOVEMBRO

Flashback para os anos 60 - viagem a Roma a fim de entrevistar Richard Burton para a BBC TV. Enquanto filmávamos, ele tomou vinho o dia inteiro (umas cinco garrafas), e depois convidou a mim e ao produtor para jantar na imensa villa que ele e Elizabeth Taylor tinham alugado perto de Roma (ela estava filmando O Pecado de Todos Nós ). Isso ocorreu um dia depois que Brando lhes deu de presente dois cálices antigos de prata. O primeiro trazia gravado: "Richard: Meu Deus, mijei nas calças". E o segundo: "Elizabeth: Não é mijo, é porra".

Grande grupo de convidados no saguão de entrada da villa. Richard, o produtor e eu conversamos. De repente, Richard se vira para mim com o seu sorriso de lobo e diz: "Como você acha que Elizabeth está, Ken?" "Ótima", respondo, pensando em segredo: "Gorda". Pausa. Ainda me olhando fixo, ele pergunta: "Você gostaria de ir para a cama com ela?" Uma situação em que eu só podia perder, como dizem. Responder "muito" seria cobiçar a mulher do dono da casa. Responder "de maneira alguma" seria dizer que ela não é atraente. Eu me livro do impasse apelando para uma rastejante autodepreciação: "Para falar francamente, Richard, eu duvido de que fosse capaz de transar com Elizabeth". "Vai me dizer que iria brochar?" Continuo recusando a provocação. "Alguma coisa assim." "Elizabeth!", Richard a chama, aos berros, do outro lado do salão. Ela se afasta de um grupo reunido junto à lareira e, num passo balançado e um tanto hesitante, atravessa o salão até onde estamos. "Pois não, Richard?" "Sabe o que o nosso amigo Ken acaba de dizer sobre você?" "Não, querido." "Disse que acha que não conseguiria ficar de pau duro com você na cama." Elizabeth virou os olhos furiosos para mim. "Isso", disse ela em voz alta, "é a coisa mais ofensiva que já me disseram na vida. Fora da minha casa!"

E lá estava eu, sendo posto para fora de uma casa por me recusar a passar uma cantada na anfitriã. Retiro-me para evitar uma briga alcoólica em que copos podiam ser atirados. No dia seguinte, o telefone do meu quarto de hotel toca. É Elizabeth, a voz adoçada pelo arrependimento da ressaca: "Eu sinto muitíssimo. Não sei o que me fez agir assim" (uma caixa de vodca?). "Por favor, perdoe a nós dois." Flores são entregues no meu quarto. Mas a cena fica grudada na memória, e não inspira muito afeto.




Extraído da Revista Piauí