Pesquisar este blog

Olá

Muito me alegra pela sua visita. É um blog pretensioso, mas também informativo

sábado, 30 de julho de 2011

Com a ária Se Pieta, Sandrine Piau interpreta a Cleópatra em Júlio César, de Händel





Ópera em três atos, com libreto em italiano, tratando das implicações de Giulo Cesarie (Júlio César), após sua vitória sobre Pompeu em Fársalos, 48 a.C. Estreou em Londres, no Haymarket Theatre, no dia 20 de fevereiro de 1724. Trata-se da maior ópera de Händel e uma das maiores do repertório mundial, e tem como principal mérito a complexidade e o convencimento da expressão teatral.
Apesar do título é Cleópatra que brilha. Ela é a personagem principal. Usa as armas femininas para seduzir César e assim não perder seu palácio. Age com astúcia e, mais do que isso, com inteligência. Sabe que a melhor saída é a política. Na ária Si Pietá di me non senti, a música retrata sentimentos contraditórios da rainha, entre vingar seus inimigos e o medo de que seja abatido o homem cujo amor é o mais importante.

Os especialistas afirmam que poucas óperas forneceram tantos números isolados ao repertório de concertos, embora se reconheça que as árias de Händel surtem muito mais efeito no devido contexto dramático. Aqui, Se Pieta é interpretada pela soprano Sandrine Piau, 46 anos, especialista em obras barrocas, onde Händel é o grande mestre e a melhor referência do gênero.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mostra de filmes e curso sobre Cinema de horror e Zé do Caixão



A Vila das Artes inaugura em agosto a mostra de filmes O Estranho Mundo de Zé do Caixão e o curso Cinema de horror mundial e o universo macabro de Zé do Caixão, que terá como orientador o jornalista e pesquisador de cinema de horror Carlos Primati.
O curso, que é gratuito, recebe inscrições até hoje, dia 29 de julho, e abordará, em nove módulos, a história do cinema de horror desde suas origens até a atualidade, incluindo o horror internacional, a história do cinema de horror brasileiro e o horror nos filmes de José Mojica Marins. Os interessados devem preencher uma ficha na secretaria da Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro), das 8 às 20h. Serão ofertadas 40 vagas. A divulgação dos selecionados será feita por e-mail no dia 1º de agosto.
A mostra com os melhores filmes de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, figura lendária do cinema nacional de horror, começa no dia 4, às 18h30, e acontecerá durante as quintas-feiras de agosto. A realização é do grupo de estudos 24 Quadros. E o curso, ofertado pela Vila das Artes, será durante as segundas, quartas e sextas do mês, também a partir do dia 4, sempre das 18h30 às 21h. A programação pode ser conferida no http://www.viladasartesfortaleza.blogspot.com/. Informações pelo telefone 85. 3252-1444.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Darcy Ribeiro diz que a educação medíocre foi um sucesso brasileiro

Darcy Ribeiro (1922-1977) foi antropólogo, especializado em etnias indígenas e uma voz culta do movimento de esquerda, quando a transição do regime militar para a democracia ainda se encontrava muito frágil. Por formar uma população xucra, ignorante, não há escolhas mais inteligentes para seus dirigentes. Essa era sua opinião. Tornou-se um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília (UnB) e  criou, planejou e dirigiu a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), um projeto pedagógico visionário e revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral a crianças, incluindo atividades recreativas e culturais para além do ensino formal - dando concretude aos projetos idealizados décadas antes por Anísio Teixeira.  Dizia que Brizola tinha um "ideia fixa" pela educação e estava disposto a implantar um sistema de educação somente comparável ao high school, nos Estados Unidos, concebido por John Dewer. Eis um trecho de uma palestra na SPBC:

Sobre o Óbvio
(No livro "A paixão pela Razão - Descartes", Mário Sérgio Cortella,
Ed. FTD),


Recentemente descobrimos, outra vez assustado - desta vez, graças à perquirições de José Honório -, que o Brasil não é tão cordial como quereria o nosso querido Sérgio. Durante o período das revoltas  sociais anteriores e seguintes à Independência, morreram no Brasil mais de cinqüenta mil pessoas, inclusive uns sete padres enforcados. O certo é que nossos cinqüenta mil mortos são muito mais mortos do que todos que morreram nas lutas de independência da América Espanhola,tidas como das mais cruentas da história. Os nosso, porém, foram surrupiados da história oficial das lutas sociais por serem vítimas de meros motins, revoltas e levantes e, como tal, não erecem entrarna crônica historiográfica séria da sabedoria classista. (...)
A eficácia total, entretanto, eficácia diante da qual devemos nos declinar - aquela que é realmente o grande feito que nós, brasileiros, podemos ostentar diante do mundo como único - é a façanha educacional da nossa classe dominante. Esta é realmente extraordinária! E por isto é que eu não concordo com aqueles que, olhando a educação de outra perspectiva, falam de fracasso brasileiro no esforço por universalizar o ensino. Eu acho que não houve fracasso algum nesta matéria, mesmo porque o principal requisito de sobrevivência e de hegemonia da classe dominante que temos era precisamente manter o povo xucro. Um povo xucro, neste mundo que generaliza tonta e alegremente a educação, é, sem dúvida, fenomenal. Mantido ignorante, ele não estará capacitado a eleger seusdirigentes com riscos inadissíveis de populismo demagógico. Perpetua-se, em conseqüência, a sábia tutela que a elite educada, ilustrada, elegante, bonita, exerce paternalmente sobre as massas ignaras. Tutela cada vez mais necessária porque, com o progresso das comunicações, aumentam dia a dia os riscos de nosso povo ser ver atraído ao engodo comunista ou fascista, ou trabalhista, ou sindical, ou outro. Assim se vê o equívoco em que recai quem trata como fracasso do Brasil em educar seu povo o que de fato foi uma façanha.Pedro II, por exemplo, nosso preclaro imperador, nunca se equivocou a respeito. Nos dias em que a Argentina, o Chile e o Uruguai generalizavam a educação primária dentro do espírito de formarcidadãos para edificar a nação, naquelas eras, nosso sábio Pedro criava duas únicas instituições educacionais: o Instituo de Surdos e Mudos e o Instituto Imperial dos Cegos. (...)
(Trechos da palestra no Simpósio sobre Ensino Público, na 29º Reunião da SBPC, realizada em São Paulo, em julho de 1977)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Desejo e horror na Vênus Adormecida de Paul Devaux

Paul Delvaux Venus Adormecida 1944
O trabalho do artista belga Paul Delvaux (1897-1994), combinando perfeição clássica com uma atmosfera erótica e preocupante, nos passa um sentimento de vertigem. Vênus encontra-se deitada, enquanto é vigiada por uma manequim, numa noite enluarada. A sensualidade de Vênus Adormecida está definida contra o seu cenário noturno opressivo, observou Martins Fontes. Delvaux explicou mais tarde que a tela foi pintada em Bruxelas, durante a ocupação alemã durante a guerra e, enquanto a cidade estava sendo bombardeada. "A psicologia daquele momento foi muito excepcional, cheia de drama e angústia", lembrou. "Eu queria expressar esta angústia na imagem, em contraste com a calma da Vênus '. 
Paul Delvaux em "Vênus Adormecida", nos mostra, em ambiente de classicismo grego, a primitividade da mulher que está nua, e o  cerimonioso, daquela  que aponta a caveira ao lado daquela. O significado analítico seria o de destacar como o prazer sexual deve estar ligado à morte. Eros e Thanatos são representados no confronto entre o instinto da vida e o instinto da destruição, que como lembrou Freud "nessa luta consiste essencialmente toda a vida e, portanto, a evolução da civilização pode ser simplesmente descrita como a luta da espécie humana pela vida". O sentimento perturbador do quadro parece residir na beleza da jovem e no horror que há no seu entorno. Devaux era conhecido no meio artístico ainda pelo primor de construções meticulosamente retratadas. Ganhou maior projeção após a segunda Guerra Mundial, por ocasião do apogeu do surrealismo. Um pintor tardiamente surrealista, depois de ter tentado o Impressionismo e o Expressionismo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Francisco Petronio canta Cabelos cor de prata, letra de Rogaciano Leite



Rogaciano Leite (1920-1969) nascido em Pernambuco e morto de infarto no Rio de Janeiro, em 1º de julho,  teve atuação marcante no  Ceará, onde seus restos mortais estão sepultados no Cemitério São João Batista. Começou a carreira de poeta-violeiro aos 16 anos, morou na Paraíba, no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, além de ter morado na França e ter passado pela extinta União Soviética onde escreveu o poema osTrabalhadores.
Jornalistas da minha geração sabem que Rogaciano Leite não é apenas nome de avenida em Fortaleza, mas que deu relevante contribuição ao jornalismo cearense, atuando no Jornal O Povo. Segundo José Raimundo Costa, "boêmio, tirou pouco da vida, mas a viveu em toda a plenitude, com a liberdade que escolheu". Poeta brilhante e repentista, escreveu esses versos para uma música que ganharia fama na voz de Sílvio Caldas.


Cabelos cor de prata
(letra de Rogaciano Leite)
Meus cabelos cor de prata
são beijos de serenata
que a luz mandou pra mim.
Os meus cabelos grisalhos
são pingos brancos de orvalho
num tinteiro de nanquim.
Estes meus cabelos brancos,
que hoje estão da cor dos bancos
solitários de um jardim,
já sentiram muitos dedos
e ouviram muitos segredos
que elas contavam pra mim.
Se hoje, estão desbotados
é porque foram beijados
com muito amor e emoção
E os beijos foram tão puros
que os meus cabelos escuros
estão da cor do algodão.
Eu fiz tanta serenata
que a lua, desfeita em prata,
mandou mil beijos pra mim.
E os beijos foram tão puros
que os meus cabelos escuros
ficaram brancos... assim!

Schopenhauer defende que a vida é uma cadeia de desejos insatisfeitos

  

O mundo é apenas uma cadeia de desejos insatisfeitos. Afirmava Arthur Schopenhauer (1788-1860). Nascido em Danzig, Prússia, lecionou de 1820 a 1831, ano em que abandonou as salas de aula. Escreveu sua obra prima aos 30 anos, “O Mundo como Vontade e Representação”, mas não obteve sucesso na maior parte de sua vida. Mudou para Frankfurt, onde ficou até sua morte. Só obteve reconhecimento em seus últimos dias, o livro “Parerga e Paralipomena”, uma compilação de aforismos escritos de maneira cativante e popular, foi publicado.
De todos os seres, o homem é o mais necessitado: só tem vontades e desejos, um conjunto de centenas de necessidades.  Abandonando a si próprio, vive na terra sem segurança nenhuma a não ser sua miséria.  A luta pela vida, cada dia renovada, a necessidade que o constrange, e as imperiosas exigências materiais, preenchem a sua existência.
Ao mesmo tempo, outro instinto o atormenta; o de perpetuar a sua raça. Ameaçado por todos os lados pelos perigos que o rodeiam, usa de sua prudência sempre vigilante para poder escapar.  Com passo inquieto, lançando em volta olhares angustiosos, segue o seu caminho em luta constante com os casos e com seus inúmeros inimigos.  O homem não se sente seguro entre os da sua raça e nem nos mais longínquos desertos. 
 A necessidade imperiosa do homem é assegurar a existência, e feito isto, já sabe o que fazer.  Portanto, depois disso, o homem se esforça para aliviar o peso da vida, torná-la agradável e menos sensível: "matar o tempo", isto é, fugir ao aborrecimento.
Livres da preocupação de assegurar a existência, e livres seus ombros de todo fardo moral ou material, eles mesmos constituem sua própria carga, e sentem-se felizes porque viveram uma hora desapercebida, embora isto significa que sua vida a qual se esforçam com tanto zelo para prolongá-la, ficou encurtada pelo mesmo espaço de tempo.  O aborrecimento merece tê-lo em conta; ele se reflete na fisionomia.
O aborrecimento é a origem do instinto social, porque faz com que os homens, que pouco se amam, se procurem e se relacionem.  O Estado considerado como uma calamidade pública, e por prudência toma medidas para o combater.
O aborrecimento como o seu extremo oposto, a fome, pode impelir o homem aos maiores desvarios; o povo precisa panem et circenses.
A miséria é sofrimento pungente do povo; o desgosto é para os favorecidos.  Na vida civil, o domingo significa o tédio, e os seis dias, o desgosto. 

 

sábado, 23 de julho de 2011

Poesia delirante, antropofágica e escatológica de Mário Gomes

Não é raro ver o poeta Mário Gomes, 64 anos, perambulando pelas ruas do Centro ou mesmo sentado, falando sozinho, no banco instalado logo na entrada do Diário do Nordeste. Sempre vestindo um paletó e com camisas coloridas, que guarda pela marquises de prédios no entorno da Praça do Ferreira, ele me contou que seu trajar era "uma forma de tirar onda". Morador de rua, bêbado (disse que começou a beber ainda adolescente e não parou mais), foi internado no Hospital de Parangaba aos 20 anos, onde levou mais de uma dezena de choques elétricos, chega a aparecer que seu estado normal é a da percepção de uma epifania. Nos últimos tempos tenho visto muito irritado. Há alguns anos, contei que uma amiga nossa em comum informou que a mãe  dele tinha falecido. Dei meus pêsames. Era mentira. Ele reagiu com violência. "Minha mãe tem mais de 80 anos e mora no Mondumbi", disse. Depois, resignado, acrescentou: "Mulher rejeitada é assim mesmo". E me perguntou pelo poeta Antonio Raposo. Ia dizer que tinha morrido, mas me contive (nunca mais vi, respondi) porque mesmo tendo certeza poderia estar mexendo com outro tipo de sensibilidade. "Comi lagartas e defequei borboletas", afirmam alguns de seus versos da poesia escatológica e antropofágica. Aqui aparece (á esquerda) com o fotógrafo Antonio Duarte. Abaixo  uma de suas consagradas poesias.

AÇÃO GIGANTESCA
Beijei a boca da noite
E engoli milhões de estrelas.
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano.
Devorei as florestas.
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
Pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a terra,
Derretendo-a.
As aves em sua totalidade,
Voaram para o Além.
Os animais caíram do abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
E fui descansar na primeira nuvem
Que passava naquele dia
Em que o sol me olhava assustadoramente.
Fui dormir o sono da eternidade.
E me acordei mil anos depois,
Por detrás do Universo.