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domingo, 6 de março de 2011

Cristiano Câmara: Povo quer o bordão

Lamartine Babo

MAMÃE EU QUERO
(Jararaca-Vicente Paiva - 1937)
Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebe não chorar

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira
e vem entrar pro meu cordão

Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana
Olho as pequenas mas daquele jeito
Tenho muita pena não ser criança de peito

Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal

ABRE ALAS

(Chiquinha Gonzaga, 1899)

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar

AALLAH-LÁ-Ô

(Haroldo Lobo-Nássara, 1940)

Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara
Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar

Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

(Ivan Ferreira-Homero Ferreira-Glauco Ferreira, 1959)

Ei, você aí! 
Me dá um dinheiro aí!
Me dá um dinheiro aí!

Não vai dar? 
Não vai dar não?
Você vai ver a grande confusão
Que eu vou fazer bebendo até cair

Me dá me dá me dá, ô!
Me dá um dinheiro aí!

CACHAÇA

Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique 
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não

Pode me faltar o amor 
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça

CABELEIRA DO ZEZÉ

João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963

Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é

Será que ele é bossa nova
Será que ele é maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é

Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!

AURORA

Mário Lago-Roberto Roberti, 1940

Se você fosse sincera 
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era 
Ô ô ô ô Aurora

Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor

Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô Aurora

A JARDINEIRA

Benedito Lacerda-Humberto Porto, 1938

Ó jardineira porque estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Vem jardineira vem meu amor
Não fiques triste que este mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita 
Que a camélia que morreu.

O TEU CABELO NÃO NEGA

Lamartine Babo-Irmãos Valença, 1931

O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega mulata
Mulata eu quero o teu amor

Tens um sabor bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata mulatinha meu amor
Fui nomeado teu tenente interventor

Quem te inventou meu pancadão
Teve uma consagração
A lua te invejando faz careta
Porque mulata tu não és deste planeta

Quando meu bem vieste à terra
Portugal declarou guerra
A concorrência então foi colossal
Vasco da gama contra o batalhão naval

SACA-ROLHA

Zé da Zilda-Zilda do Zé-Waldir Machado, 1953)

As águas vão rolar 
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
Eu passo mão na saca, saca, saca rolha
E bebo até me afogar 
Deixa as águas rolar

Se a polícia por isso me prender
Mas na última hora me soltar 
Eu pego o saca, saca, saca rolha
Ninguém me agarra ninguém me agarra.


Marchinhas de Carnaval deixaram de existir há quase meio século. O último sucesso foi Bandeira Branca,  de Max Nunes. Para o historiador Cristiano Câmara, Carnaval é a marchinha, fazendo com que o povo repita as canções espontaneamente. Embora sem sofisticação na letra, a repetição, como herança da cultura indígena, impregnava no gosto popular meses antes dos festejos mominos. "O povo quer o bordão. Mamãe eu quero, mamãe eu quero", afirma Cristiano.
Ele culpa a televisão, por ter um polo concentrador no Rio de Janeiro, impondo o samba como marca do Carnaval. O colonialismo cultural, na sua opinião, mudou gostos e estilos. Isso sem falar que a música carnavalesca, adotada por músicos em trios elétricos, virou um grande negócio.

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