Pesquisar este blog

Olá

Muito me alegra pela sua visita. É um blog pretensioso, mas também informativo

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Esperança reacende para a Escola de Música do Ancuri

CASTELO BÁVARO

Itaitinga assume Escola de Música na área do Ancuri

Publicado em 9 de maio de 2011
Clique para Ampliar
Estilo bávaro: construído em 1989, castelo abriga a Escola de Música do Ancuri, mas precisa de reformas
FOTOS: NATINHO RODRIGUES
As negociações ainda estão em andamento, mas custos de reforma serão apresentados ainda este mês
No meio de uma vegetação intensa que envolve os territórios de Fortaleza e de outros municípios vizinhos, está erguido um castelo, onde, desde 1989, funciona a Escola de Música do Ancuri (EMA), uma melancólica edificação semi abandonada.

No entanto, a precarização do prédio instigou a Prefeitura de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, no sentido de não apenas assumir a escola, como buscar meios para a reforma da edificação.

A informação foi dada, ontem, pelo prefeito de Itaitinga, Abdias Patrício. Ele adiantou que as negociações com o frei Wilson Fernandes, criador da Escola de Música, começaram na semana passada e há um entendimento para que o frade seja indenizado pelo prédio.

Com a suspensão do convênio com a Prefeitura de Fortaleza, afirma Abdias, houve um crescente processo de degradação do prédio, sem falar na suspensão das atividades, que ensinavam o manejo dos instrumentos musicais e até de regência.

Segundo o prefeito, somente na sua gestão foi descoberto que o terreno onde foi construída a unidade de ensino pertence ao seu município e não a Fortaleza, onde, durante anos, a Prefeitura mantinha um convênio.

"Nós vamos pagar pelo prédio, já que o terreno pertence à Prefeitura", afirmou Abdias. Ele admite que houve uma confusão inicial sobre se a escola estava em território de Fortaleza ou de Itaitinga, mas os levamentos feitos recentemente não deixaram mais dúvida quanto ao fato de que a EMA não apenas está localizada em Itaitinga, como o terreno é registrado em nome do Município. "Aqui é como uma Faixa de Gaza (região do Oriente Médio). Estamos nos limites de Fortaleza e Itaitinga", compara o frade.

Para o frei Wilson, esse entendimento é que há de novo, no sentido de resgatar a escola. Ele destaca que a negociação já se iniciou, mas não precisou quanto será cobrado pela indenização. "Para mim, o mais importante é que a Escola seja resgatada. Quanto ao prédio, essa é uma questão menor e, certamente, trará grandes benefícios aos jovens", disse o religioso.

Para a primeira dama do Município, Ianê Oliveira, a manutenção do prédio importa muito para Itaitinga, bem como para todo o Estado. Daí que serão realizados projetos, que deverão arrecadar fundos para a recuperação também do prédio. Ianê acredita que a partir de junho, a Escola de Música já esteja funcionando com o apoio de Itaitinga, embora em outro local, enquanto a casa passa por serviços de reforma.

Nesse sentido, o mês de maio será dedicado pela administração local para um levantamento dos custos do prédio, da forma como se encontra, e quanto seria necessário para os serviços de recuperação e manutenção.

Atualmente, o castelo, construído em estilo bávaro, tanto se destaca na paisagem rural do Ancuri, quanto chama a atenção para o estado de degradação na parte interna.

Bonito por fora e oco por dentro, o castelo já cedeu parte de seus compartimentos para o funcionamento de um depósito de construção. As paredes perderam o reboco e deixam visível a alvenaria. O portão principal está sempre aberto, o que favorece, ainda, a entrada de pessoas no terreno, onde também há um pequeno pomar com frutas regionais. Aliás, a ideia da Prefeitura de Itaitinga é construir uma praça em frente à Escola de Música.

Segundo Frei Wilson, a Escola ainda mantém aulas de flauta, às segundas, quartas e sextas-feiras, pela manhã, reunindo cerca de 60 alunos. As aulas acontecem em compartimentos inadequados, causando desconforto para o grupo que ainda se reúne na casa. "Graças a Deus, hoje são os ex-alunos que estão querendo também assumir a escola, no sentido de repassar seus conhecimentos para novos estudantes", disse Frei Wilson.

Ele lembra que o fechamento da EMA também já suscitou que pessoas residentes em outros países manifestassem o desejo de ajudar. Contudo, ressalta que até o momento não houve nenhum encaminhamento prático nesse sentido. "Recebemos propostas de pessoas residentes na Europa, querendo nos ajudar. Porém, não há uma explicação de como viria essa ajuda", disse o frade.

A Escola já foi referência na formação de crianças e jovens instrumentistas. A instituição já abrigou simultaneamente 260 alunos. Mas, desde o primeiro semestre de 2005, as atividades, incluindo a orquestra sinfônica, ficaram paralisadas por falta de verba. Hoje, as portas do casarão de três andares estão fechadas.

Na parte interna, há um mural retratando a Jerusalém bíblica. Esse é um dos poucos ornamentos que ainda se preservou, apesar do abandono. Já as salas de aula deram lugar a outras alternativas de subsistência, inclusive o depósito de material de construção.


ENSINO
60
alunos assistem a aulas de flauta no local. As lições se dão em espaços inadequados, gerando desconforto entre os estudantes de música


ENQUETE
O valor da Escola
"Fico feliz com a retomada da escola, porque somente trouxe benefícios aos jovens e ao Ancuri ao longo de sua existência"
Edilene Ferreira lima,31 ANOS
Dona de casa


"Estudei flauta por um ano e senti muita falta quando a Escola deixou de funcionar. Mas nunca perdemos a esperança"
Natália lima, 14 ANOS
Estudante
(Diário do Nordeste)
MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER

Nenhum comentário:

Postar um comentário