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terça-feira, 7 de setembro de 2010

O papel de uma rádio na luta pela democratização - Diário do Nordeste


20 de Outubro de 2006. Fortaleza, Ceará.


São Paulo - Após viver sob uma das ditaduras mais cruéis, com crimes de guerras e genocídios, a Sérvia-Montenegro, país constituído da divisão geográfica da antiga Iuguslávia, ainda padece de problemas crônicos, como o desemprego, a crise no sistema educacional e os efeitos do narcotráfico e do tráfico de mulheres com fins de prostituição.

No entanto, a recuperação da liberdade e da democracia foram conquistas que dão méritos a uma emissora de rádio, que, tanto pelo papel de resistência no passado, quanto na consolidação da credibilidade no presente, impõe tendências e é um referencial de luta para os sérvios.

Essa é a avaliação de Veran Matic, que participou do Antítodo, Seminário Internacional de Ações em Zonas de Conflitos, que acontece no palco do Itaú Cultural, em São Paulo, desde a terça-feira passada, devendo encerrar-se hoje. Ao lado de Celso Ataíde, fundador da Central Única das Favelas (Cufa), do Rio de Janeiro, Veran debateu o tema ´A Juventude não conhece muros´.

Veran nasceu em 1952, em Saac, na então Iuguslávia. Estudou literatura mundial na Faculdade de Filologia da Universidade de Belgrado e ingressou no jornalismo em 1984, trabalhando com mídias alternativas em Belgrado, Zagreb e Liublina. Começou a sua carreira atuando na NTV Studio B, antiga televisão independente de Belgrado. Em 1989, fundou a rádio B92, a primeira emissora independente da Sérvia.

O funcionamento da estação de rádio foi proibido por diversas vezes pelos governo de Slobodan Milosevic, mas a equipe de Matic continuou colocando o sinal e as informações no ar até que foi fechada ilegalmente por um grupo próximo ao governo, em abril de 1989. No mesmo ano, horas antes de começarem os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a estação foi fechada e Matic foi sumariamente detido pela polícia. Apesar disso, a estação continuou a funcionar via internet e foi o principal veículo de informação independente, dentro da Sérvia, durante a Guerra dos Balcãs.

´Vivemos muitos momentos de medo e sempre pensando no pior que poderia nos acontecer. No entanto, nossa resistência consistia em driblar a censura e a repressão e mostrar, como possível, o que estava acontecendo em nosso País´, disse Matic.

Hoje, Matic coordena uma rede de rádio e televisão, um site na internet e ainda é autor de livros que falam da sua experiência como militante da derrubada da ditadura.

Do mesmo modo, Celso Atayde destacou a importância do vigor dos jovens para encontrar uma identidade e vencer os estigmas da marginalidade. Essa tem sido a ação da Cufa, que foi propulsora do Movimento Afro-Reggae, parceiro do Itaú Cultural na realização deste evento internacional, na elaboração de livros e documentos, que retratam a realidade dos morros cariocas, impregnados pelo narcotráfico e o crime organizado. Dentre os trabalhos mais expressivos, incluem-se o documentário e o livro ´Falcão - Meninos do Tráfico´.

´Vimos que o nosso maior desafio não estava no asfalto (referindo-se a todos aqueles que não moram em favelas), mas nos morros, onde não havia confiança e que nosso esforço seria conseqüente´, disse Celso. Ele lembrou que as novas bandeiras do movimento vão, além das ações afirmativas com vistas a inclusão de cotas para negros e pobres no ensino público superior, mas efetivas, especialmente no resgate na auto-estima e na valorização da cultura dessas comunidades.

Marcus Peixoto
Marcus Peixoto
JORNALISTA VERRAN Matic, que fundou uma emissora de rádio perseguida pelo governo Slobodan Milosevic, mas resistiu e serviu de exemplo para o processo de redemocratização da antiga Iuguslávia
SÉRVIA-MONTENEGRO
O papel de uma rádio na luta pela democratização



Marcus PeixotoEnviado especial a São Paulo
© 2004 Editora Verdes Mares. Todos os direitos reservados.
Enviado por Marcus Peixoto (marcuspeixoto2004@yahoo.com.br)


Essa cobertura aconteceu há seis anos, por ocasião do II Encontro sobre Conflitos, promovido pelo Banco Itaú, em São Paulo. O grande destaque foi para Matic, homem que enfrentou Dragomin Slobodan Milosevic. Este foi condenado por crimes contra a humanidade e genocídio. Matic é hoje dono de rede de emissoras de rádio e televisão e mais um site na internet. E tudo começou com um programa de rádio, em que músicas de rock, arte e entretenimento eram permeados de intervalos de críticas e ironias ao regime, o que concorreu para o fim


País
Veran Matic

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